Dia da Reforma: vítimas de abuso sexual organizam encontro em Roma

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06 Abril 2010

Duas das cinco vítimas de abuso sexual que se encontraram com o Papa Bento XVI durante sua visita aos EUA em abril de 2008 e que prometeram naquele momento "pressioná-lo", anunciaram planos para um "Dia da Reforma" para a Igreja Católica em Roma, no dia 31 de outubro, em meio a uma que ameaça envolver o próprio Papa.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada no sítio National Catholic Reporter, 05-04-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Bernie McDaid e Olan Horne, que se encontraram com Bento XVI no dia 17 de abril de 2008 – o primeiro encontro da história entre um Papa e sobreviventes de abusos sexuais – disseram hoje que pretendem reunir milhares de vítimas, junto com ativistas pela reforma da Igreja e leigos comuns, "pessoas que estão nos bancos" das igrejas, em Roma, no dia 31 de outubro. Eles pedem que Bento XVI participe e que o evento seja transmitido simultaneamente nas igrejas católicas de todo o mundo.

Eles também pedem que os padres "que sabem em seus corações que a sua Igreja tem uma urgente necessidade de mudança" se unam a eles.

Se Bento XVI irá concordar ou não, McDaid e Horne disseram que o evento será realizado da mesma forma. Ambos disseram que estão trabalhando com grupos reformistas de todo o mundo, particularmente da Europa, para conseguir apoio. McDaid disse que o objetivo é reunir 50.000 pessoas na Praça de São Pedro.

"Pela primeira vez, as crianças desses crimes de todo o mundo podem se unir em uma só voz", disseram McDaid e Horne em uma declaração divulgada na manhã desta segunda-feira. "Isso irá marcar o dia em que o mundo não poderá mais negar esse problema. Então, aqueles que sofrem podem se erguer por si mesmos sem mais vergonha e começar a se curar".

Horne disse que ele também planeja oferecer uma plataforma de quatro pontos da reforma aos responsáveis da Igreja previamente, na esperança de que o evento do dia 31 de outubro se torne uma ocasião para que o Papa e outros altos líderes oficialmente abracem a iniciativa.

Os quatro pontos são:

- Auditorias independentes regulares das dioceses e de outros órgãos da Igreja com relação às suas políticas e procedimentos para evitar os abusos e lidar com os casos quando eles surjam, ordenadas por Roma para toda a Igreja mundial.

- Atendimento às vítimas, incluindo suporte espiritual, pastoral e de saúde mental. Como parte desse esforço, Horne disse que o Vaticano poderia criar um centro de estudos para pesquisar as melhores práticas e torná-las políticas oficiais para a Igreja universal.

- Programas efetivos de triagem para seminaristas, padres e bispos, incluindo maiores oportunidades para que os leigos participem da seleção de bispos. Programas de educação em abuso sexual devem também ser um elemento obrigatório de formação para futuros padres em todo o mundo.

- Participação de sobreviventes de abusos sexuais em todos os órgãos definidores de políticas, incluindo conselhos examinadores nacionais e quaisquer outros conselhos examinadores para a Igreja global que o Vaticano possa criar.

Horne disse que grande parte desses quatro pontos refletem políticas já adotadas pela Igreja Católica nos EUA, mas que ainda não fazem parte da Igreja em outras partes do mundo.

McDaid e Horne disseram que escolheram o dia 31 de outubro porque ele já é lembrado em círculos católicos como o Dia da Reforma, celebrando a Reforma Protestante. Ambos disseram estar conscientes de que o Vaticano pode se recusar diante do termo "reforma", dadas as suas associações históricas, mas eles insistem que essa é a palavra certa para estimular as mudanças que eles acreditam ser necessárias.

O que é importante, disse Horne, não é o nome do evento, mas sim a "mudança fundamental e sistêmica" que ele acredita ser necessária.

McDaid disse esperar que o Vaticano e o Papa Bento XVI pessoalmente compreendam a magnitude da crise que vive a Igreja Católica.

"Eu disse ao Papa quando me encontrei com ele: `O senhor tem um câncer em seu rebanho e precisa fazer algo", disse McDaid. "Já se passaram dois anos, e muito pouco foi feito".

McDaid e Horne são da região de Boston e ambos dizem ter sido abusados pelo mesmo padre, JosephBirmingham, que morreu em 1989. Além do encontro com o Papa em 2008, McDaid também liderou um grupo de vítimas que foi a Roma em busca de uma audiência em 2003, que encerrou com um encontro com uma autoridade vaticana na Secretaria de Estado.

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