Intervenção do BCE salva a Espanha

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18 Novembro 2011

A três dias das eleições, a Espanha é obrigada a ser salva pelo Banco Central Europeu, que adquiriu títulos espanhóis após a reduzida aceitação dos mercados. Mas, enquanto os mercados punem a Espanha pela hesitação do favorito nas eleições, Mariano Rajoy, em declarar como vai reduzir o déficit, o resgate abriu uma verdadeira guerra entre Madri, Paris, Berlim e Bruxelas, num sinal de que o bloco não sabe até agora qual estratégia adotar contra a crise.

A reportagem é de Jamil Chade e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 18-11-2011.

O governo de Angela Merkel partiu para o ataque contra o BCE por ter socorrido a Espanha ontem. A França, que também viu sua taxa de risco subir a níveis recordes, defendeu a ação do BCE, que acabou reduzindo a tensão sobre seus papéis. Bélgica e Itália tinham a mesma opinião. Mas Berlim insistiu ontem que os fundos públicos não devem ser usados dessa forma e marcou seu distanciamento em relação aos demais países da UE.

Se não bastasse, o tiroteio continuou com a UE alertando o governo espanhol que vai assumir o poder na segunda-feira para a necessidade de um novo pacote de austeridade, com cortes no orçamento, se não quiser ser engolido pela crise. O governo espanhol rejeita um pacote de resgate. Mas o primeiro-ministro José Luiz Rodriguez Zapatero entrou na discussão, criticou Bruxelas pelo imobilismo, atacou o fato de Alemanha e França atuarem sem consultar os demais e pediu que UE e BCE intervenham para acalmar de vez os mercados.

Tensão

O dia começou tenso em Madri. O Tesouro da Espanha fez uma emissão de 3,5 bilhões em bônus da dívida com vencimento em 10 anos, a uma taxa de retorno de 7,08% - um recorde para o país desde a vigência do euro.

Segundo fontes do mercado, o BCE intercedeu pela Espanha e participou da aquisição. O movimento teria feito com que o prêmio de risco retrocedesse 39 pontos base, para 460, e a economia espanhola fosse tirada da zona de alto risco - mesmo patamar de Grécia e Portugal quando tiveram de ser resgatados.

O posicionamento da Espanha no olho do furacão da crise ocorre às vésperas das eleições e, principalmente, diante da recusa do favorito nas pesquisas de opinião em deixar claro o que fará para cumprir a meta de ter um déficit de 4% em 2012.

A eleição no domingo deve derrubar o atual governo socialista de Zapatero. Mas nem a crise que asfixia a economia espanhola impede as táticas eleitoreiras. Para não perder voto, Rajoy evita falar quais gastos públicos vai cortar. Ele estaria preparando um pacote de grande impacto para ser apresentado já na semana que vem, para tranquilizar os mercados. Mas não fala sobre ele para não perder votos.

Ontem, em entrevista ao jornal El País, o próprio Rajoy deixou claro que vai cortar "em todas as áreas que se possa", e o plano de austeridade será severo. Excluiu da equação apenas as aposentadorias. Mas admitiu tanto reduzir as obras de infraestrutura como o fim do acesso gratuito a remédios.

A UE também exige que Rajoy saia de sua ambiguidade. Ontem, Bruxelas disse que o novo governo espanhol terá de tomar "medidas extras de austeridade" para reduzir sua dívida e simplesmente não há alternativa a isso. Mas quem respondeu à cobrança foi Zapatero. Segundo ele, "problemas europeus precisam de soluções europeias".

França

Ontem a França refinanciou cerca de € 7 bilhões em títulos de dívidas soberanas nos mercados da Europa por juros recordes - o que confirma o contágio inicial do país pela crise. Os juros ultrapassaram o nível histórico de diferença (spread) em relação aos da Alemanha, mas ao término das negociações a avaliação feita em Paris foi positiva. Os papéis com vencimento de cinco anos foram negociados a 2,82% de juros - ante 2,31% em outubro. Mas o Tesouro temia que pudesse superar bastante os 3%.

Para se refinanciar, Paris teve de oferecer aos investidores os juros mais elevados de 2011. Pela primeira vez em mais de 20 anos, o rendimento exigido das obrigações francesas superou os 2% de spread em relação às alemãs. Paris segue com a expectativa de renovar suas obrigações de 10 anos de validade por juros inferiores aos do início dos anos 2000.

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