Ortega abraça a Igreja e Chávez para ser reeleito

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01 Novembro 2011

Daniel Ortega está próximo de sua reeleição. Faltam apenas seis dias para que as pesquisas que lhe dão um apoio de 48% se confirmem. Até mesmo o furacão Rina, que deixou 150 mil desabrigados em sua passagem pela Nicarágua, abalou o que parece ser uma vitória certa nas eleições presidenciais de 6-N [ 06 de novembro].

A reportagem é de Daniel Lozano e publicado pelo jornal espanhol Público, 31-10-2011. A tradução é do Cepat.

O líder sandinista de 66 anos, ex-guerrilheiro,  já não treme o pulso depois de quase quatro décadas na luta política. A demonstração de força do seu rival, o liberal Fabio Gadea, não lhe altera. Os opositores encerraram a campanha no sábado com uma grande manifestação em Manágua, na qual Gadea repetiu um dos seus principais slogans: "Vamos acabar com toda a corrupção, a origem de todo mal".

Acusações de corrupção que mancharam o governo sandinista têm a sua maior manifestação nas manobras ilegais para ignorar a Constituição e postular uma nova candidatura. Denunciadas por organizações de direitos humanos e intelectuais, levaram a candidatura de Gadea e Edmundo Jarquín, filho de Violeta Chamorro e  líder do Movimento Renovador Sandinista a concentrar os dissidentes da esqueda nica.

Desde o teólogo da libertação Ernesto Cardenal ("é uma candidatura ilegal que procura converter Ortega em um ditador"), ao escritor e ex-vice-presidente sandinista Sergio Ramírez ("nós podemos levantar um muro contra a fraude e derrotá-lo"), passando pelo ex-prefeito de Manágua Moisés Hassan e o histórico comandante Modesto, Henry Ruiz.

Uma derrota hoje parece improvável. Ortega não se incomoda em ter-se tornado um dos presidentes menos populares da América Latina (4,4%, superando apenas Fidel Castro com 4,1% de acordo com o último Latinobarómetro). Tampouco os antecedentes históricos (em 1990 foi derrotado por Chamorro, uma grande surpresa). Nem sequer por suas manobras ilegais perante o Supremo Tribunal de Justiça e do Conselho Nacional Eleitoral que serão julgadas pelo Tribunal de Direitos Humanos (CIDH).

"Continuaremos fazendo tudo de bom que fizémos até agora", diz Ortega. Vale tudo para continuar no poder. Destaque-se a aliança com Arnoldo Alemán, ex-presidente liberal condenado a 20 anos por roubar cem milhões de dólares, agora livre. Alemán também é candidato, disposto a tirar votos de Gadea.

Disposto apenas a não negociar com o diabo, Ortega tornou-se íntimo da hierarquia católica para ganhar em 2006. Em um acordo tácito que colocou um fim a um dos grandes avanços sociais em todo o continente, o líder sandinista acolheu o cardeal Obando, anulando a Lei do Aborto em troca de sua não-beligerância.

O namoro continuou e redefiniu o perfil político de Ortega. "Tem se declarado católico fervoroso e proclama em grandes slogans que servir o povo é servir a Deus," disse ao Público a poetisa e ex-sandinista Gioconda Belli.   "Daniel Ortega é populista com um discurso político de esquerda pragmático e oportunista. Os programas sociais que tem levado a cabo com o dinheiro da Venezuela têm impacto porque são concebidos como um presente do governante e do seu partido para a população, uma maneira de criar uma massa de eleitores ", acrescenta.

De acordo com analistas locais, o terceiro grande apoio de Ortega é Hugo Chavez.  A cooperação com a Venezuela chega aos 500 milhões por ano, além da importação, através de Alba, de todo o petróleo necessário. Os programas sociais empreendidas pelo dinheiro venezuelano é a grande base de apoio popular dos sandinistas. Planos que lhe têm angariado elogios, mas também críticas. Especialmente a "compra de cinco canais de televisão e dezenas de estações de rádio, que dia e noite a cantam  loas ao candidato oficial", diz  Ramírez.

Um desses canais dá especial atenção e espaço a Rosario Murillo, primeira-dama que faz e desfaz no governo como coordenadora do Conselho de Comunicação e Cidadania. Ela e o seu marido tornaram-se omnipresentes nesses dias de tragédia nacional, deixando de lado a campanha. "Apresentam-se condições críticas que devemos atender", disse Murillo. "Não importa a hora do dia ou da noite, porque essa é a orientação expressa do nosso comandante Daniel".

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