Empresa gaúcha migra para a República Dominicana

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16 Agosto 2011

Conhecedores do setor e analistas econômicos veem o fim da produção para exportação da Paquetá no Estado do Rio Grande do Sul, confirmada ontem, como mais um sinal da perda da capacidade de competir da indústria nacional.

– Não devemos nos surpreender se amanhã ou depois mais empresas tomarem a mesma decisão – advertiu Heitor Klein, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados).

A reportagem é de Marta Sfredo e publicada pelo jornal Zero Hora, 17-08-2011.

Mesmo com o programa Brasil Maior, que beneficia setores com grande volume de emprego, como a indústria de calçados, fatores como câmbio, impostos, custo de mão de obra pesam no custo da produção nacional.

– Para nós, infelizmente, as medidas chegaram um pouco atrasadas – disse Jorge Strassburger, diretor administrativo corporativo da Paquetá.

Conforme o executivo, a decisão de deixar de produzir para exportação no Brasil havia sido tomada há alguns meses e foi implementada de forma a não gerar desemprego. No entanto, é mais uma perda no volume da exportação gaúcha. A Ramarim absorveu cerca de 80% dos 500 dispensados pela Paquetá e alugou um pavilhão da empresa em Sapiranga, onde aumentará a produção para o mercado brasileiro.

– O que se esgotou foi o modelo de produzir manufaturas para exportação, por conta de uma política federal desfavorável, especialmente no câmbio – explicou Strassburger.

Em uma década, 5 mil vagas a menos no RS

Desde o início do mês, a Paquetá produz para exportar aos Estados Unidos na República Dominicana. Os dois países têm tratado de livre comércio, com isenção de imposto de importação. Conforme Klein, isso significa a redução de uma tarifa média de 9% sobre o preço do sapato acrescido de frete e seguro – uma boa diferença no custo para o importador.

– As medidas anunciadas pelo governo são boas, mas vieram tarde. Muitas empresas acumulam perdas e, uma a uma, vão sucumbir na produção para exportação, que é o primeiro passo. O segundo é perder competitividade no mercado interno – avalia Julio Sergio Gomes de Almeida, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda.

Para a Federação dos Sapateiros do Estado e o Sindicato dos Sapateiros de Sapiranga, não falta emprego no setor, ao contrário. João Batista Xavier Silva, presidente da federação, estima que há cerca de 5 mil vagas abertas no Estado. Pelos números da Abicalçados, a quantidade de postos de trabalho na indústria gaúcha encolheu de 129 mil em 2001 para 124 mil em março deste ano.

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