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24 Maio 2011

"Forte, Palocci poderia ter o papel de "oposição da casa", contida, em matéria de economia, talvez como inspirador de uma ou outra mudança que incrementasse a eficiência da economia. Caso a política econômica naufragasse, poderia virar "sombra" na área", escreve Vinícius Torres Freire, jornalista, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 25-05-2011.

Eis o artigo.

A renovada embora ingrata fama de Antonio Palocci suscitou comentários ficcionais sobre os poderes do ministro da Casa Civil e sobre o seu papel de representante das preocupações do "PIB" (grande capital) e da "racionalidade econômica".

Palocci é de fato muito benquisto por alguns empresários e altos executivos da grande empresa e finança, por alguns economistas de peso no debate público e pelos porta-vozes de ideias liberais ou mercadistas, de importância variada, mas que fazem algum ruído nos meios de comunicação. Mas qual a influência real do ministro, em particular depois da primeira queda (caso do caseiro) e no governo Dilma?

O título de "garantidor da racionalidade econômica" no Planalto agora parece apenas honorífico, e nem vem ao caso aqui discutir o grau de desrazão (ou razão) da equipe de economistas da presidente. É evidente que o pensamento vivo de Palocci está meio morto, dadas as políticas implementadas desde Lula 2 e ainda mais por Dilma.

A política de controle da inflação é "heterodoxa". O programa de gastos diverge do palocciano, programa, aliás, detonado por Dilma quando ela era apenas ministra de Lula.

Dilma quer tocar obras paraestatais gigantescas como o trem-bala. Quer promover o crescimento de estatais como Correios e Eletrobras.

Quase matou a privatização dos aeroportos. Vai promover um serviço semiestatal de difusão da internet. Segue e aprofunda o programa luliano de integração empresa-Estado em grandes negócios.

Não deu sinal de que pretenda promover mudanças institucionais que azeitem o funcionamento dos mercados, sempre e ainda emperrados por burocracia e fisco tirânicos.

No que diz respeito à intriga, Palocci também perdeu. Quando houve quizilas entre a Casa Civil (Palocci) e a Fazenda (Guido Mantega), Dilma disse no Palácio e em público que fosse encerrada essa conversinha. Disse que a política econômica era essa mesma, a dela, que nada tem a ver com ideias de Palocci, se este pode ser identificado à "racionalidade", ao liberalismo, às reformas ou coisa que as valha.

No que diz respeito ao prestígio de Palocci "no PIB", é recomendável perguntar: qual "PIB"? Considerem quantas grandes empresas estão muito contentes com as parcerias público-privadas da era Lula, continuadas sob Dilma (várias, na verdade, iniciadas nos anos FHC).

Empreiteiras, petroquímicas, algumas teles, frigoríficos, alguns bancos médios restantes, por exemplo, parecem aceitar de bom grado a sociedade estatal ou paraestatal.

Alguns outros oligopólios, como no setor de varejo, não estão em negócios com o governo, mas parecem felizes com a era petista da "nova classe média", que basicamente significa aumento de "consumo de massa": comércio gordo. Esse pessoal não parece ter nostalgia de Palocci ou de "reformas".

Forte, Palocci poderia ter o papel de "oposição da casa", contida, em matéria de economia, talvez como inspirador de uma ou outra mudança que incrementasse a eficiência da economia. Caso a política econômica naufragasse, poderia virar "sombra" na área. Agora, está radioativo demais, terá de ficar de quarentena e, mesmo saindo vivo do tiroteio, estará avariado, sempre sob a ameaça de vazamentos extras de papelada comprometedora.

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