Peru terá segundo turno entre Humala e Keiko Fujimori

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11 Abril 2011

Com a passagem para o segundo turno assegurada, o candidato de esquerda à Presidência do Peru, Ollanta Humala, começa a se aproximar de outros partidos para conquistar a parcela da população que o acha muito radical.

A reportagem é de Patrícia Campos Mello e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 12-04-2011.

Ontem, foi confirmado que ele enfrentará Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori. Os peruanos irão novamente às urnas no dia 5 de junho.

O partido de Humala, o Gana Perú, sinalizou que poderia convocar a moderada Beatriz Merino, uma respeitada ex-primeira-ministra no governo Alejandro Toledo, para ocupar o mesmo cargo se ele for eleito.

Partidários de Humala já procuram também o ex-presidente Alejandro Toledo para compor uma aliança.

A ideia é evitar que o cenário de 2006 se repita - naquele ano, Humala perdeu o segundo turno para Alan García porque houve um movimento de "todos contra Humala", diante da percepção de que o esquerdista era muito alinhado com o líder venezuelano Hugo Chávez.

"Fazemos uma convocação para a unidade política; queremos nos sentar, com humildade, para conversar com todos", disse Humala.

Humala teve cerca de 30% dos votos. Keiko, que representa um eleitorado mais à direita, teve 23%. Fora do segundo turno, Pedro Pablo Kuczynski, o PPK (centro-direita), teve pouco menos de 20%. O ex-presidente Alejandro Toledo (centro-direita) ganhou 15% dos votos.

O resultado reflete a insatisfação das classes baixas peruanas, que apoiam Humala e Keiko, ambos com discursos bastante populistas (leia mais sobre eles nesta página). A população de baixa renda se sente excluída do alto crescimento do país.

Segundo o analista político Heber Joel Campos, da Pontifícia Universidade Católica do Peru, Humala terá de se moderar para conquistar pelo menos uma parcela dos eleitores de Toledo.

"Os eleitores de PPK dificilmente irão votar em Humala, porque se alinham mais com as políticas de direita de Keiko", diz Campos.

Já o ex-presidente Toledo indicou que dificilmente se aliaria a Keiko, que, segundo ele, "representa o passado obscuro de ditadura e violações de direitos humanos".

Em entrevista ao jornal espanhol "La Vanguardia", o Prêmio Nobel de Literatura peruano Mario Vargas Llosa voltou a comparar o segundo turno entre Keiko e Humala a escolher "entre Aids e câncer terminal". "Humala é um Chávez com linguagem abrasileirada, uma catástrofe", disse. "Com Keiko, os criminosos e assassinos saem da prisão e entram no governo."

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