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07 Fevereiro 2011

O neoliberalismo, com sua globalização financeira, foi o inimigo que mobilizou os ativistas das mais diversas origens que há dez anos inauguraram em Porto Alegre o Fórum Social Mundial (FSM), instância de reflexão e articulação por "outro mundo possível". Em sua em décima-primeira edição, que começa no dia 6 em Dacar, o FSM encontra um mundo onde as políticas neoliberais perderam sentido e a ameaça é um colapso por variadas crises combinadas, como as financeira, climática, alimentar e hídrica.

A reportagem é de Mario Osava, publicada pela IPS e reproduzida pela Agência Envolverde, 07-02-2011.

O imperialismo norte-americano, outro alvo preferencial dos altermundistas, perdeu grande parte de seu poder econômico, enquanto a China emerge como outra superpotência também com práticas coloniais, embora sem militarismo nem exportação de suas crenças e seu modo de vida, pelo menos neste momento. O dinamismo dos grandes países chamados "em desenvolvimento" tirou centenas de pessoas da extrema pobreza, mas as desigualdades no mundo e dentro de cada Estado continuam intoleráveis, bem como a fome em muitas partes do mundo.

A ameaça climática se faz presente no aumento de mortes, refugiados e perdas agrícolas devido aos eventos extremos. Um grande poder destrutivo permanece nas finanças, com US$ 860 trilhões em investimentos especulativos circulando no mundo, segundo o Banco de Pagamentos Internacionais. Esta soma equivale a 13 vezes o produto mundial bruto.

Tudo se agrava pelo "desgoverno planetário", pela falta de instituições capazes de enfrentar "problemas globais", segundo o economista brasileiro Ladislau Dowbor, que leva à capital do Senegal ideias de um grupo de intelectuais que, sob o título "Crises e Oportunidades", discute soluções sistêmicas para os problemas convergentes.

Não é sustentável a crescente concentração da riqueza que leva dois terços da humanidade à exclusão do progresso, vivendo com 6% da renda mundial, como tampouco o é seguir no "Titanic ambiental", esgotando os recursos naturais, "o solo e a vida marítima", explicou Dowbor, professor da Universidade Católica de São Paulo.

O documento básico do grupo, do qual também participam o "ecossocioeconomista" polonês Ignacy Sachs e a economista evolucionária britânica Hazel Henderson, rechaça "visões simplistas dos processos decisórios" e propõe o "resgate da dimensão pública do Estado" e substituição do produto interno bruto como medida econômica, entre outras dez premissas.

Ao retornar à África – após a primeira incursão em sua sétima edição mundial, em Nairóbi –, o FSM realça os grandes dramas da humanidade que se concentram nesse continente, cujo norte árabe vive atualmente intensa mobilização popular, que já mostrou ser capaz de derrubar a ditadura da Tunísia e agora coloca em xeque o regime do Egito.

O encontro da sociedade civil mundial deste ano "será vibrante, com gente nova", mas acontecerá em condições precárias, com "um terço do orçamento previsto", reconheceu Cândido Grzybowski, diretor do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas e um dos fundadores do FSM. Por exemplo, em muitos paineis não haverá tradução simultânea.

Está prevista a presença de 50 mil participantes para as diferentes atividades que acontecerão até o dia 11 em Dacar, um terço do registrado última edição unificada, em 2009 em Belém, no Estado do Pará, no norte amazônico do Brasil. Acontece que o Senegal tem 15 vezes menos habitantes do que o Brasil, tenta justificar Chico Whitaker, outro fundador do FSM, após explicar que, em geral, 80% dos participantes são do país sede e de vizinhos.

A presença latino-americana será reduzida, em particular pela debilidade econômica que enfrentam as organizações não governamentais devido às reduções nas doações pelo mundo rico, agravada pela taxa de câmbio desfavorável e pela escassez de financiamento nacional. Além disso, a passagem aérea para Dacar é cara, porque não há voos diretos e é preciso dar a volta pela Europa.

As limitações quanto à organização em Dacar refletem a falta de apoio governamental, enfatizando a posição de uma corrente brasileira que no ano passado realizou um Fórum Temático na Bahia e que defende a incorporação de "alianças com governos progressistas", para dar mais força e repercussão ao FSM.

O Fórum se define como uma instância da sociedade civil, na qual os governantes só participam como convidados nos encontros organizados por entidades e movimentos sociais, embora a maioria de suas edições mundiais, como as cinco brasileiras, tenham recebido apoio financeiro de governos nacionais e locais.

Luiz Inácio Lula da Silva, convidado nas edições anteriores quando presidia o Brasil, desta vez participará como "membro da sociedade civil" em um seminário previsto para o dia 7, intitulado "Dia de África e a Diáspora" na programação do FSM 2011. Lula já anunciou que as relações Brasil-África serão uma prioridade em sua atividade depois que deixou o poder.

Para a próxima edição unificada, bianual desde 2005, muitos brasileiros querem trazer de volta o FSM às suas origens, Porto Alegre, enquanto outros defendem levá-lo para a Bahia, Estado com maior população de afrodescendentes do país.

A Europa, outra forte proposta de sede para 2013, aponta para outros caminhos, como incidir em temas centrais da conjuntura. Trata-se do continente que melhor ilustra alguns dos problemas da humanidade, diante dos efeitos continuados da crise econômico-financeira global iniciada em 2008 nos Estados Unidos, segundo defensores da proposta.

Porém, são os novos modelos de "outro mundo" futuro, mais do que a conjuntura, que preocupam os intelectuais do FSM. "Está em jogo o desenvolvimento que mata a vida no planeta", definiu Grzybowski, descartando como solução a "economia verde", que a seu ver é, na realidade, um capitalismo maquiado que não altera os mecanismos da tragédia.

Sua proposta é "ir além do FSM" e aproveitar a Conferência Rio+20, que atualizará o debate realizado na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento realizada em 1992 no Rio de Janeiro. As forças sociais devem organizar uma forte participação, para conquistar a aliança do governo brasileiro a favor de mudanças nos modelos, defendeu. Os problemas globais são imensos e complexos, mas "o mundo não para, o povo faz história", como se comprova em vários países árabes nos dias de hoje, concluiu Grzybowski.

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