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26 Janeiro 2011

Os países do Norte da África estão crescendo relativamente bem, tentando diversificar suas economias e colocar em ordem suas contas. Mas a boa performance econômica não tem sido suficiente para amainar a insatisfação social. Uma conjunção de desemprego galopante na população mais jovem, alta de preços de alimentos e o sentimento de que poucos estão se beneficiando da melhora econômica se tornou comum entre os cidadãos desses países. Isso explica em parte a onda de protestos contra os regimes ditatoriais da região.

A análise é do jornal Valor, 27-01-2011.

O Egito, governado há 30 anos por Hosni Mubarak, cresceu acima dos 7% nos últimos anos e prevê um avanço de cerca de 6% neste ano fiscal que termina em junho. O governo fala em 7% no período entre 2011 e 2012. O volume de investimento estrangeiro direto no país deve chegar aos US$ 10 bilhões até meados do ano e no último ranking do Banco Mundial sobre ambiente para negócios, o país subiu 5 posições - passando para 94ª entre 183 economias.

A Argélia que, como o Egito, viu protestos contra o governo no início do mês, deve crescer 4% este ano. O país praticamente não tem dívida externa e possui US$ 150 bilhões em reservas internacionais.

A economia é centrada em petróleo e gás. O país é governado desde 1999 por Abdelaziz Bouteflika. Reeleito em 2004, reformou a Constituição e retirou a limitação a duas reeleições. Eleito novamente em 2009, pode, em tese, ficar o tempo que desejar no cargo.

"A economia da Argélia tem tido um bom desempenho, mas o principal desafio continua sendo garantir um crescimento sustentado, diversificado e baseado em investimentos privados para reduzir mais o desemprego, especialmente entre os jovens", aponta um relatório do Fundo Monetário Internacional divulgado ontem.

O Egito recebe até hoje elogios pelos efeitos positivos das reformas lançadas em 2005 que desburocratizaram o processo de abertura de empresas e facilitaram as permissões de construção. "O Egito poderia ser uma grande locomotiva do crescimento. Mas há várias outras questões que precisam ser resolvidas", avalia Angus Blair, do banco de investimentos Beltone Financial, no Cairo.

Onde os protestos foram mais longe até agora, a quadro econômico também tem suas virtudes. A Tunísia, cujos protestos levaram à derrubada do presidente Zine al-Abidine Ben Ali, no dia 14, tem uma das populações com mais anos de estudo da região. A previsão de crescimento da economia é de 4,8% este ano. O país de 10 milhões de habitantes tem o comércio de bens facilitado com a União Europeia, com quem mantém um acordo de livre comércio.

Mas nada disso tem sido o bastante para aplacar os males econômicos comuns à região: disparidade de renda, serviços públicos de má qualidade, alto desemprego e inflação dos alimentos.

Para esfriar os ânimos, os regimes têm agido para segurar os preços. A Líbia aboliu impostos e taxas sobre alimentos. O Marrocos adotou uma compensação semelhante para baixar os preços. O alcance das medidas ainda é ainda incerto. Mas numa região com tanta pobreza pode ter o efeito de acalmar os manifestantes. Só no Egito, a maior país do norte-africano, cerca de 40% dos 80 milhões de habitantes vivem abaixo da linha da pobreza.

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