O presente e o futuro da Igreja, segundo Joseph Moingt

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18 Janeiro 2011

Depois de ter dirigido por cerca de 30 anos (de 1968 a 1997) a prestigiosa revista teológica Recherches de science religieuse, Joseph Moingt, aos 95 anos, ainda está ativo. O teólogo jesuíta continua refletindo e escrevendo, como testemunha um artigo do último número da revista "Études", sobre o tema "As mulheres e o futuro da Igreja" (janeiro de 2011).

A reportagem é de Dominique Greiner, publicada no jornal La Croix, 13-01-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

As Edições Loyola traduziram os seguintes volumes da cristologia de Joseph Moingt:

  • O homem que vinha de Deus.  (Tradução Nadyr de Salles Machado) 2008, 612pp
  • Deus que vem ao homem. Do luto à revelação de Deus. Volume 1 (Tradução de Walter Salles),  2010, 454pp
  • Deus que vem ao homem. Da aparição ao nascimento de Deus. Volume 2, (Tradução de Paulo Meneses), 2010, 372pp.

O problema do futuro da Igreja ainda está no centro do livro de entrevistas feitas com interlocutores muito mais jovens do que ele e que o interrogam sobre a situação atual do catolicismo (dissensos internos, diminuição das vocações, fuga dos fiéis, tensões com Roma...), mas também, de forma mais ampla, sobre o espaço das religiões no mundo atual. O livro é Croire quand même, Libres entretiens sur le présent et le futur du catholicisme (Ed. Temps présent, 248 páginas). E mesmo não tendo respostas pré-prontas, Joseph Moingt jamais foge das perguntas que lhe são postas, porque são também as perguntas que ele mesmo se coloca. Principalmente, o teólogo não quer se parecer a alguém que dá lições: "Quer estar à escuta, embora não seja ele que dê o tom".

Com muita pedagogia, Moingt faz com que os interlocutores participem da sua visão histórica de longo prazo e da sua experiência de vida. Ele viveu muito antes do Vaticano II para saber como o Concílio permitiu progredir e que, portanto, não se pode imputar ao Concílio a responsabilidade da situação atual da Igreja. As tensões dentro da Igreja não podem nem ser remetidas unicamente à diferença entre progressistas e tradicionalistas. A vida cristã é bem mais rica e complexa. Moingt identifica pelo menos cinco "famílias religiosas" ativas: conservadores, tradicionalistas, cristãos críticos, espíritos progressistas, carismáticos. E, mesmo recusando-se a suspeitar de uma falta de fé em uma ou outras, o teólogo se reserva o direito de "discutir o seu modo de entender a fé".

O jesuíta destaca particularmente como a fé pode ser ferida tanto por um atrelamento exclusivo ao rito quanto por um denegrimento da Tradição. Uma relação correta com a Tradição exige que não se confunda fé e religião. A religião é essencialmente conformista, mais preocupada com devoção e moral, mais orientada ao sagrado do que ao humano e, no fim das contas, mais preocupada com os fins eternos do homem e de modo insuficiente com os seus fins temporais e terrestres.

A fé cristã é de outra natureza totalmente diferente: é sobretudo "convite à liberdade, a libertar-se da opinião pública, dos usos e costumes da sociedade e do tempo em que vivemos, muitas vezes das tradições familiares", e isso na fidelidade a uma tradição que marca a "continuidade da referência da fé à sua origem histórica, ao evento e ao ensinamento de Cristo e dos Apóstolos". Essa fé, contrariamente à religião, se situa claramente do lado do humano, não deixando jamais de inventar novas formas de servir ao homem e a cada homem, buscando continuamente como alcançar uma universalidade sempre maior: "A extensão da ideia de catolicidade à globalidade da vida do mundo é talvez o aspecto mais característico do catolicismo pós-conciliar".

E se Joseph Moingt crê "seja como for" e expressa o seu amor pela Igreja em uma época em que muitos são tentados a sair às escondidas, é pela sua fé no Espírito Santo que leva os fiéis pelo caminho da Verdade, "como Jesus prometeu aos seus discípulos". Aos olhos de que sabe ver, a fé não está morta. A Igreja é hoje atravessada por uma vitalidade, às vezes discreta, mas bem real. Testemunhas disso são, por exemplo, aqueles cristãos que se reúnem para rezar, celebrar, compartilhar, às vezes fora do quadro habitual.

O desejo de reconstituir laços de fé e de caridade que estruturam o corpo de Cristo são "um sinal de esperança, a promessa de uma renovação da Igreja, em formas ainda inacessíveis". Joseph Moingt não tem dúvidas: essa Igreja saberá estar presente ao encontro da humanidade, interpretar os sinais dos tempos, retomar a comunicação com o mundo e alimentá-lo com a cultura do espírito evangélico. A Igreja tem um futuro, mas este deve ser buscado só "na liberdade que o Evangelho lhe abre".

 

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