Celibato. Igreja insiste em norma do século XII

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08 Janeiro 2011

O celibato sacerdotal se tornou obrigatório no século XII, quando o II Concílio de Latrão condenou, em 1139, o casamento e o concubinato de padres. O Concílio de Trento (1545-1563) reforçou a condenação, reafirmando uma tradição da Igreja que vinha desde os primeiros séculos do cristianismo.

A reportagem é do jornal O Estado de S. Paulo, 09-01-2011.

Além do argumento de que os clérigos deveriam se dedicar integralmente ao serviço do Evangelho, pesaram razões econômicas, pois se temia o risco de filhos de padres casados serem considerados herdeiros dos bens eclesiásticos.

Imposto aos bispos, sacerdotes e diáconos da Igreja Latina, o celibato nunca foi aceito pelas igrejas católicas orientais, que são chefiadas por patriarcas autônomos. Nessas igrejas, homens casados podem ser ordenados padres, embora os padres já ordenados não possam se casar. Os bispos têm de ser celibatários. O Catecismo da Igreja Católica, promulgado por João Paulo II em 1992, reconhece essa situação. O Catecismo afirma que nas Igrejas orientais a existência de padres casados "é uma praxe considerada legítima" .

Apesar de os últimos papas e o Concílio Vaticano II (1962-1965) terem mantido o celibato, exigido também pelo Código de Direito Canônico (1993), a mudança das regras continua em discussão. Propõe-se a ordenação de homens casados para suprir a falta de clero. Não seria a abolição total do celibato, pois a renúncia ao casamento continuaria optativa para quem preferisse esse estilo de vida para melhor servir a Igreja. Os diáconos permanentes, que atuam nas paróquias, podem ser casados.

Como se trata de uma lei eclesiástica, o celibato poderia ser abolido. O Vaticano, porém, não parece disposto a mexer nas regras atuais. Ao ser nomeado prefeito da Congregação para o Clero, em 2006, o cardeal d. Cláudio Hummes admitiu, em São Paulo, que a Igreja aceitasse ordenar homens casados. Mas, ao desembarcar em Roma três dias depois, foi aconselhado a declarar, em nota oficial, que a questão não estava em discussão.