O último rugido de tigres e leões

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04 Novembro 2011

Alerta de cientistas e ambientalistas: milhares de espécimes desapareceram recentemente. Os felinos das savanas estão em risco de extinção. O rei da floresta também é vítima de mortes indiscriminadas e de um ambiente cada vez mais hostil. "Em 15 anos, não existirão mais".

A reportagem é de Elena Dusi, publicada no jornal La Repubblica, 01-11-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Quando o rei morre, os súditos nem sempre se alegram. O declínio de leões e de outros grandes felinos é tudo menos uma boa notícia para os outros habitantes das pradarias ou das florestas. Nos últimos 20 anos, segundo dados da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), desapareceram 30% dos leões, e hoje permaneceram menos de 40 mil em liberdade. De fato, são raros os animais que vivem fora das reservas, parques nacionais e zoológicos, em reinos muito diminuídos para manter alto o poder dos seus soberanos.

A população de leopardos reduziu em 50 mil de um total 750 mil. Tempos atrás, contavam-se 45 mil guepardos, enquanto hoje existem 12 mil a menos. Nem a sua uniformidade genética, como nas famílias muito pequenas em que os indivíduos se cruzam entre si, oferece uma esperança para a saúde dos espécimes futuros. Os tigres reduziram-se a alguns milhares em comparação com os 50 mil de meio século atrás. Para eles, uma vida na jaula também se tornou a hipótese mais provável do que uma existência em liberdade. E precisamente para essa espécie a "lista vermelha" da IUCN reserva o pior status dentre os grandes felinos, o de "em risco de extinção". Posição compartilhada com o leopardo das neves: restaram cerca de 5 mil exemplares, com uma queda de 20% nas últimas duas gerações (16 anos).

"Nesse ritmo, corremos o risco de ver a extinção dos grandes felinos em 10-15 anos", afirma o naturalista e documentarista Dereck Joubert, provavelmente exagerando, mas apontando o dedo contra um problema real. Tanto que a histórica revista National Geographic lançou a sua "Big Cats Initiative", uma iniciativa em favor dos grandes felinos, para angariar fundos e adotar medidas de proteção para os grandes predadores ameaçados. Por ocasião do Halloween, os participantes da iniciativa pensaram em bater em todas as casas pedindo uma doação para leões, tigres e panteras juntamente com os tradicionais doces.

Não será fácil para os seguidores do Halloween combater o papel dos ossos e das peles dos grandes predadores na medicina e nos rituais tradicionais da Ásia e da África. Das várias partes do corpo de um tigre, um caçador pode obter um lucro de até 50 mil dólares, calcula uma investigação da Smithsonian Magazine.

Em vários países da África, no entanto, para dizimar a população de hienas costuma-se espalhar veneno sobre as carcaças das quais elas se alimentam. Sem contar que, com a chegada do rei dos animais, as hienas aterrorizadas acabam entregando-lhe a presa. As substâncias poluentes das quais reclamamos porque reduzem a fertilidade da nossa espécie, depois, também agem sobre a eficiência reprodutiva dos grandes felinos. Mas enquanto os homens recém atingiram a cota de sete bilhões, as estatísticas de leões e primos são muito mais lúgubres.

O uso de presas e peles para fins afrodisíacos ou tratamento de doenças não é só a única loucura humana com a qual os animais selvagens têm que lidar. Cerca de dez dias atrás, em Ohio, um homem se suicidou depois de ter libertado o zoológico de animais exóticos que ele conservava no seu rancho de 30 hectares. As 56 espécimes entre leões (17), tigres e ursos semearam o pânico entre a população. Depois, obviamente, foram abatidos um após o outro pelas autoridades depois de uma caçada que durou dois dias.

Paradoxalmente, como destaca um estudo recente da revista Science, não são só os grandes predadores das pradarias e das florestas que sofrem com a caça ilegal e a degradação do habitat. Os tubarões, senhores dos mares, e os lobos das montanhas também passam mal. Praticamente todas as espécies no ápice da cadeia alimentar estão em queda.

E, embora a ideia de um mundo onde escorra menos sangue possa parecer atraente, ela corre o risco de causar desequilíbrios e impactos ao longo de todos os níveis mais baixos da cadeia alimentar. Criando aquilo que a Science chamou de "o efeito mais pervasivo criado pelo homem em dano à natureza".


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