A pesca de plásticos no mar

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10 Maio 2011

A Comissão Européia propõe que os pescadores em períodos em que não podem pescar “pesquem” as milhares de embalagens e dejetos plásticos que poluem o mar e obtenham assim uma renda adicional.

A reportagem é de Ricardo Martínez de Rituerto e publicado pelo El País, 09-05-2011. A tradução é do Cepat.

Os mares e oceanos dão menos peixe, mas oferecem cada vez mais dejetos plásticos com consequências  indesejáveis. Um duplo problema. A Comissária da Pesca da União Europeia, a grega Maria Damanaki, acredita, porém, ter encontrado uma solução: a “pesca” de plásticos. "Isso trará muitos benefícios", diz ela. "Significa menos poluição e os pescadores poderão trabalhar nas épocas em que não pode pescar”. Na ausência de outras ideias, a Comissão Europeia de reciclagem de plásticos aplaude a iniciativa. E os pescadores e empresas pesqueiras, acompanhado de autoridades locais e euro-parlamentares planejam lançar no final do mês um projeto piloto sobre a pesca de plástico na Costa Azul.

O Mediterrâneo, berço da civilização ocidental, mar de três continentes, está se convertendo lentamente em um grande aterro sanitário. No verão passado, um estudo franco-belga avaliou que as suas águas azuis escondiam 250 milhões de pequenos objetos plásticos. E que em torno de 500 toneladas de plástico dissolvem-se nas ondas. Uma corrida para a morte, dada a velocidade com que os humanos destroem o meio ambiente em comparação à lentidão da renovação do Mar de Ulisses, em que vivem segundo dados da Comissão, 6% das espécies marinhas. "As coisas não podem continuar assim", afirmou a Comissária Damanaki faz um mês em Atenas em uma conferência internacional sobre a poluição do Mediterrâneo por resíduos plásticos.

Atacar o problema na sua raiz (monitoramento, educação, punição, redução dos objetos que podem ser jogados no mar, como os sacos de plástico)  pode não ser suficiente segundo as estimativas de Bruxelas, que também avalia que o mesmo acontece com outros mares e oceanos e não apenas com o martirizado Mediterrâneo. "O Fundo Europeu da Pesca oferece a oportunidade de desenvolver projetos para a conservação do ambiente marinho", diz Damanaki. "Por exemplo, pescar as embalagens plásticas".

A ideia, não é uma iniciativa legislativa, tampouco um plano que a Comissão pretenda impor os governos, é apenas uma sugestão para a utilização dos recursos do Fundo Europeu da Pesca. A Espanha, por exemplo, tem 1,13 milhões de euros disponíveis no fundo para o período 2007-2013.

A administração pesqueira espanhola apóia a iniciativa que “permite diversificar a atividade pesqueira em determinados períodos como o período de proibição e supõe uma renda suplementar para o grupo de pescadores e um inegável benefício ambiental". Além disso, o Ministério do Meio Ambiente reconhece que “os pescadores têm uma vasta experiência e profundo conhecimento do ambiente marinho e, nesse sentido, podem ser peças-chave para agir sobre este tipo de novas atividades”.

A indústria de reciclagem de plásticos da Alemanha, França e Dinamarca, aplaudem o projeto e já estão se mobilizando. "No ano passado pagou-se na França, com o apoio do Fundo, 375 euros por tonelada de plástico recuperados e se recolheram 1.000 toneladas", disse Oliver Drewes, porta-voz Damanaki.

Os resíduos foram inadvertidamente capturados pelas redes de pesca, as quais agora, a Associação Europeia de Reciclagem de Plásticos (EuPC) quer, com a ajuda da Comissão e seus subsídios à pesca, ver os pescadores convertendo-se em “pescadores” voluntários do lixo marinho.  Haveria ainda disposição de recursos do Fundo para a compra de redes especiais necessárias para a coleta desse lixo, redes que custam de 16.000 a 40.000 euros, dependendo do seu tamanho.

A nova rede é uma adaptação projetada da rede concebida para controlar vazamentos de óleo. "A rede é totalmente feita de plástico", diz Alexandre Dangis, diretor do EuPC, no site da organização. "Não captura peixes e é 100% reciclável”. A malha é uma invenção de Thiery Thomazeau, um antigo pescador francês, que calcula que ela pode recolher entre duas e oito toneladas de detritos flutuantes, dependendo do tamanho do equipamento. Segundo ele, "o projeto criará novas oportunidades para jovens pescadores que passam por um momento difícil financeiramente e duvidam do futuro desta profissão", declarou.

No próximo dia 20, nas águas da delicada Saint-Jean Cap-Ferrat (Riviera Francesa), onde a indústria de reciclagem européia de plásticos realizará a sua reunião anual, será lançado o projeto piloto, que também será desenvolvido em três outras localidas na costa do Atlântico. Na operação serão utilizados barcos adaptados para essa tarefa, cuja coleta será transportada para usinas de reciclagem.

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