O sistema midiático, como controle social por parte do poder, acabou, afirma Castells

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13 Dezembro 2012

Há já muito tempo, o debate sobre o fim dos jornais impressos e sobre os modelos econômicos de apoio dos jornais digitais anima discussões técnicas, análises mais ou menos aprofundadas e está no centro das preocupações dos jornalistas, editores e empresários do mundo da informação. Para ser compreendida e, portanto, analisada com a devida atenção, a questão deveria ser dividida em três partes: a transição do medium, do papel ao digital; a crise econômica global; o problema da sustentabilidade das publicações digitais.

A reportagem é de Antonio Rossano, publicada no sítio do Festival Internacional de Jornalismo, que será realizado em Perúgia, na Itália, em abril de 2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

São três aspectos de algo que normalmente é percebido pelos operadores como um fenômeno unívoco, mas distintiamente separados e fundamentados, cada um, no seu próprio setor de competência. A questão da transição do papel ao digital foi definida, em várias ocasiões, como uma "reviravolta epocal", comparada muitas vezes à revolução cultural, econômica e social determinada pela invenção da imprensa de tipos móveis.

A crise econômica global é algo sistêmico, estrutural, que transcende o mundo da informação e abrange qualquer atividade econômica do mundo ocidental. Certamente, é uma das causas da diminuição dos investimentos publicitários, juntamente com outros fenômenos igualmente importantes para o mundo da informação, como, por exemplo, a fragmentação do público em uma multiplicidade de meios e de lugares reais ou virtuais, como as redes sociais.

O problema da sustentabilidade das publicações digitais ultrapassa o limite daquilo que é normalmente identificado como uma questão de modelo de negócios. E não é só uma questão de incapacidade dos editores de identificar uma nova forma de fazer informação, de reinventar o conceito de "jornal" com base nas especificidades do meio digital ou identificar o seu novo princípio identitário na sobrecarga de informação que caracteriza a rede internet. A verdade é que mudou todo o ecossistema informativo, o modo de fruir as notícias, de buscá-las, de encontrá-las, o tempo dedicado a elas, o seu valor econômico absoluto.

Mas, para além desses três aspectos substanciais, apenas mencionados por exigências narrativas, Manuel Castells identifica um quarto, determinante, a seu ver, que diz respeito à evolução da sociedade e, como tal, irreversível. A reviravolta, para Castells, é a crise econômica, por ele definida como "a primeira crise global, não global": as redes do poder, políticas e econômicas, nos países ocidentais, através dos meios de comunicação de massa, difundem a ideia de que o crise é global para poder fazer com que as populações paguem as contas dos crimes econômicos, políticos e sociais que foram perpetrados por eles através dos bancos e das especulações financeiras.

Mas a crise não é global, pois aflige exclusivamente os países ocidentais que representam no máximo 30% da população mundial (pensemos nas economias emergentes, todas em crescimento, como os países que integram a sigla BRIC Brasil, Rússia, Índia, China). E é nesse cenário que, para Castells, o sistema midiático, como o conhecemos, ou seja, como expressão do controle social por parte das redes de poder, acabou:

"O monopólio da comunicação de massa acabou, e essa é a mudança mais importante na história da comunicação. As pessoas hoje são capazes de criar redes de comunicação horizontais de modo multimodal, sem nenhum controle de governos ou empresas. Sim, há tentativas de controlar, mas há alguns fatores que o impedirão: a) em todos os Estados, há uma proteção jurídica para a livre expressão; b) as pessoas podem reagir, mudando, por exemplo, as regras; c) as pessoas são capazes de contornar o controle e sempre encontram o modo de comunicar na internet. Mesmo na China".

E é justamente através da rede internet que puderam se desenvolver movimentos internacionais como os Indignados espanhóis, o Occupy Wall Street nos EUA e também as revoluções da Primavera Árabe.

Castells afirma que o jornal impresso não tem futuro, não porque esteja vinculado por um improvável (para ele) determinismo tecnológico, mas sim ainda na ótica da mudança do cenário político-social que foi o campo no qual o jornal impresso, como medium, se afirmou: "O nosso mundo é online. Cerca de 97% de todas as informações existentes no planeta estão digitalizadas. Os jornais que não se adaptarem à era digital estão condenados, independentemente dos sistemas 'ludistas' que podem testar. Na realidade, a maior parte dos jornais europeus são subvencionados pelos governos e pelos partidos políticos ou são propriedade de empresas, mesmo que em perda, com o único propósito de manter a própria influência política atual".

E sobre a questão da sobrevivência do jornal impresso, Castells não tem dúvidas: "É uma questão de tempo. Quando a atual geração das pessoas com 60 anos acabar, não haverá nenhum jornal impresso sem subvenções. Mas a informação e o jornalismo prosperarão no mundo da comunicação virtual, que os editores deverão compartilhar com os blogueiros e com os outros habitantes da rede".

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