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08 Setembro 2012

"O Brasil precisa decidir se quer ser um fornecedor de commodities e produtos de baixo valor agregado ou se pretende se tornar uma nação com capacidade de competir, de igual para igual, com as grandes potências", afirma Albano Chagas Vieira, presidente do conselho diretor do Instituto Aço Brasil, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 08-09-2012.

Eis o artigo.

O Brasil vive um momento decisivo. Após a estabilização monetária, o país apresentou avanços notáveis, que o elevaram à condição de sexta economia do mundo.

Ao mesmo tempo, a democracia se consolidou e a distribuição de renda melhorou, com benefícios para toda a população. Vivemos em um país estável, política e socialmente, e temos uma renda per capita como nunca tivemos.

Entretanto, nos últimos anos, um problema grave vem se aprofundando: a desindustrialização.

O fenômeno está cada vez mais nítido: estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, publicado na 13ª edição do boletim Radar, revela que a reprimarização da pauta de exportações do Brasil é um fato consolidado.

De acordo com o estudo, entre 2007 e 2010 a participação das commodities primárias na pauta de exportações brasileiras saltou dez pontos percentuais (41% para 51%), depois de ter estacionado no patamar dos 40% nos anos 1990.

Hoje, o Brasil exporta mais produtos primários, em termos absolutos. Exatamente como ocorreu durante todo o período colonial e perdurando, após a independência, até o amadurecimento da indústria nacional.

O Brasil precisa decidir se quer ser um fornecedor de commodities e produtos de baixo valor agregado ou se pretende se tornar uma nação com capacidade de competir, de igual para igual, com as grandes potências.

Em junho, a produção industrial brasileira registrou redução de 5,5% na comparação com o mesmo período de 2011, o que representou a maior queda nos últimos 32 meses, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas.

As causas do processo em curso estão diretamente relacionadas à falta de competitividade da indústria nacional e também são conhecidas: carga tributária excessiva, encargos trabalhistas que não existem em nenhum outro lugar no mundo, burocracia, câmbio, juros e custo da energia entre os mais altos do mundo.

As consequências desse fenômeno são muito sérias, porque afetam todos os setores da economia nacional, com um efeito cascata de enorme potencial de destruição.

Um exemplo é o que está acontecendo na siderurgia. A desindustrialização agravou o consumo doméstico de aç. Hoje, ele situa-se no patamar de 140 quilos per capita ao ano. Se não revertemos o processo e não investirmos maciçamente em infraestrutura, iremos assistir o retorno do consumo para o patamar de cem quilos per capita ao ano, em vez de crescer para 200, como é desejável.

As siderúrgicas instaladas no Brasil empregam 137 mil pessoas, com um fator multiplicador na geração de empregos na cadeia produtiva de 23,57 vezes. Ou seja, são 3,2 milhões de empregos indiretos e induzidos pelo setor do aço.

Se as causas são conhecidas, as soluções para o problema se apresentam naturalmente: redução nas tarifas de energia, queda nos juros e no spread bancário, redução da carga tributária e medidas de incentivo para promover a atividade industrial.

É justo reconhecer que o governo brasileiro tem adotado algumas medidas - os juros têm caído, há um movimento para reduzir o custo energético e incentivos pontuais têm sido concedidos.

O processo de desindustrialização requer, neste momento, uma política econômica que motive o empresariado e o faça acreditar que a indústria brasileira será o verdadeiro motor do desenvolvimento nacional.

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