A semântica do sacrifício na obra da salvação

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01 Setembro 2012

Luiz Carlos SusinO frei capuchinho Luiz Carlos Susin é presença confirmada no XIII Simpósio Internacional IHU. Igreja, Cultura e Sociedade: a semântica do Mistério da Igreja no contexto das novas gramáticas da civilização tecnocientífica, que ocorrerá de 2 a 5 de outubro, na Unisinos (São Leopoldo). Ele coordenará o minicurso A semântica do sacrifício na obra da salvação.

Susin, que é mestre e doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, atua no PPG da Faculdade de Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS. Também atua como docente na Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana – Estef, em Porto Alegre. Como escritor, é autor e organizador de inúmeras obras, dentre as quais podem ser destacadas Teologia para outro mundo possível; A criação de Deus; e O homem messiânico: uma introdução ao pensamento de Emmanuel Lévinas.

No artigo Da religião do sacrifício à religião da fraternidade, publicado na revista Teocumicação (vol. 40, n. 3, 2010), Susin apresenta um interessante estudo sobre a relação entre religião e violência, implicando o conceito de sacrifício. Na introdução do artigo, o teólogo afirma que não há por que negar a relação de religião com violência. Em suas palavras, “há uma opinião corrente, fundada em fatos repetidos ao longo da história humana, de que a religião produz violência, e da pior espécie: a violência sagrada, em nome de alguma divindade, inclusive, o ‘deus’ bíblico e cristão”.

Diante dessa constatação, Susin apresenta e desenvolve a tese “de que não é propriamente a religião que precisa de violência, mas é a violência que precisa de religião e se erige em religião”. Ou seja, “o poder de domínio sobre outros e de viver da vida de outros, que é sempre a essência da violência entre os vivos, quando se trata do ser humano, precisa se ungir de religião para se legitimar”.

Como essa relação entre violência e religião implica a ideia de sacrifício? De acordo com Susin, “sobretudo em situações extremas, como a guerra, é necessária uma motivação, uma invocação, uma unção absolutamente sagrada para justificar a possibilidade de morrer ou de matar, de mandar morrer ou de mandar matar. [...] Somente se pode aceitar a morte própria ou de outro, sofrida ou infligida, quando algo maior, mais sagrado do que ela, possa integrá-la. Pode-se aceitar a violência da morte ou infligi-la a outros em favor de uma pátria ou de uma instituição se estas forem suficientemente sagradas a ponto de valer o sacrifício do que há de mais precioso, a vida. Em vez de assassinato ou de violência, fala-se então de ‘sacrifício’”.

Desse modo, prossegue o teólogo, “a palavra ‘sacrifício’ encerra o que há de mais refinado em termos de metamorfose da violência em ação sagrada. O sacrifício é o coração e o maior enigma da história das religiões. Há, nas religiões, protestos e revoluções ‘antissacrificiais’, mas há uma capacidade poderosa de retorno do sacrifício em novas metamorfoses”.

Diante desse contexto sacrifical, pergunta Susin: “haveria um lugar em que possamos nos abrigar desta face monstruosa da violência erigida em divindade ou, o que dá no mesmo, da divindade que diviniza de forma monstruosa a maior violência?” A resposta, segundo o autor, é positiva. Tal perspectiva se encontra no próprio cerne da fé cristã, a partir da novidade de Jesus, que indica a superação do sacrifício. A partir da eucaristia, Jesus inaugura a religião da fraternidade. “A religião eucarística de Jesus é libertadora e inclusiva; é a religião da confraternização sem exclusão que supera a religião do sacrifício”.

Entretanto, essa possibilidade de libertação, inaugurada por Jesus, não significa superação definitiva de retorno da dinâmica do sacrifício arcaico, como expressão de justificação de ações de violência. “O cristianismo, em sua fonte, é a superação radical do sacrifício, mas, ao longo da história, novas metamorfoses do sacrifício surgem no nele”.

Desse modo, é a “volta às fontes e a renovação de sua experiência na confraternização universal, testada pelos excluídos, que legitimam a originalidade do cristianismo e um sentido realmente cristão para a palavra sacrifício”. Daí o sentido de uma religião da fraternidade como superação de uma religião do sacrifício.

A nota é de Luís Carlos Dalla Rosa, doutor em Teologia.

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