Canadá tem 1.246 projetos de mineração ativos na América Latina

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Por: André | 06 Julho 2012

O Canadá, líder mundial do setor mineral e com uma forte presença na América Latina, pretende continuar sua expansão no continente, apesar do amplo rechaço de organizações ambientalistas, acadêmicos e comunidades originárias. No dizer do primeiro ministro desse país, Stephen Harper, “olhando para o futuro, vemos a indústria mineradora canadense crescendo na América Latina, algo que será bom para a prosperidade mútua e será prioridade do nosso governo”.

A reportagem é de Odalys Troya Flores, chefe da Redação América do Sul de Prensa Latina, e está publicada no sítio boliviano Bolpress, 05-07-2012. A tradução é do Cepat.

Apesar das denúncias e dos protestos contra essas empresas na região, assegurou durante a Cúpula das Américas em Cartagena de Indias, na Colômbia, que é uma prioridade para o seu governo aumentar e fortalecer a participação de companhias mineradoras canadenses no continente. “No futuro próximo vemos um maior investimento canadense em recursos naturais nas Américas; isto é algo que será bom para a nossa prosperidade e é uma prioridade para o nosso governo... Encontramos a maneira de converter os ativos minerais em fundamento sustentável para o desenvolvimento equitativo, e estamos dispostos a cooperar como sócios estratégicos com os países das Américas”, afirmou Harper na reunião continental.

De acordo com diversas fontes, mais de 80% das companhias inversoras no setor da mineração metálica neste continente são do Canadá. Estas empresas, muitas delas transnacionais, se instalaram nos últimos 20 anos, quando governos neoliberais da região permitiram a entrada livre aos investimentos estrangeiros através de processos de privatização. O geólogo da Universidade da Costa Rica e especialista em avaliação ambiental Allan Astorga considera que muitas dessas companhias saíram de seu país em busca de recursos inexplorados, mas em particular por causa do endurecimento das normas que regulam a atividade mineradora no Canadá.

Após duas décadas de exploração, a suposta prosperidade econômica que as mineradoras canadenses trariam aos países implicados e, em particular às comunidades onde se assentaram, dista muito do esperado, segundo denúncias, contaminação, destruição de florestas, saque de minerais, poucos lucros e mais pobreza fazem parte da herança que estas companhias deixam atrás de si.

O historiador e ecologista canadense Daviken Studnicki-Gizbert, professor da Universidade McGill, em Montreal, garante que “as crescentes atividades mineradoras do Canadá converteram-se em uma ameaça ambiental na América Latina. Existem mais de 1.500 empresas mineradoras canadenses, que operam em todo o continente, a tal ponto que a mineração passou a ser o elo mais importante entre o Canadá e a região”.

Studnicki-Gizbert advertiu sobre os conflitos gerados pela extração de minerais a céu aberto e o uso de territórios pelas multinacionais, em particular pelos 1.246 projetos de mineração canadenses ativos na América Latina. As exploradoras também mantêm um ritmo gradual ascendente. Os impactos socioeconômicos, sanitários e ambientais de grande envergadura que esta indústria provoca, ao qual se deve acrescentar a fuga de riquezas, são as principais causas do rechaço popular.

Studnicki-Gizbert assinala que há 20 anos havia uma dúzia de projetos canadenses na América Latina, mas na década de 1990 a crise da dívida obrigou os países a reativar a mineração e hoje existem 1.246 projetos canadenses ativos na região, os quais pareciam ser a esperança para muitas comunidades. Pelo contrário, além de serem altamente perigosos, a maioria dos postos de trabalho criados são temporários, pois duram enquanto o mineral não se esgota ou dependem das oscilações do mercado.

Dezenas de povoados do continente, onde esteve assentado algum desses projetos, permanecem na pobreza extrema e com potenciais riscos para a saúde de seus habitantes devido aos altos níveis de contaminação, consequência do mau manejo de químicos utilizados nesta atividade.

O Observatório de Conflitos Minerais da América Latina contabiliza ao menos 162 conflitos minerais por exploração de ouro em toda a região. Na última década, o preço do ouro passou de 270 dólares para entre 1.600 e 1.800 dólares a onça. Para extrair cada grama de ouro são necessários dois ou três gramas de mercúrio, que é jogado nos rios. E as comunidades conhecem bem suas consequências. Neste filão de riquezas, as pessoas mais pobres são as mais exploradas, em particular as crianças, tanto laboral como sexualmente, de acordo com a organização não governamental Save The Children.

As mineradoras Osisko Minning Corp., Goldcorp, Barrick Gold, Fortuna Silver Inc., First Majestic Silver são apenas algumas das envolvidas em conflitos.

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