A nova evangelização e o Sínodo: uma grande reflexão sobre a Igreja

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23 Junho 2012

Nem irenismo nem catastrofismo: a próxima assembleia do Sínodo dos Bispos sobre a nova evangelização, que se realizará em Roma entre os dias 7 e 28 de outubro próximo, poderia ocorrer em uma atmosfera quase conciliar. Julgando-se pelas 80 páginas, subdivididas em 169 paráfragos do Instrumentum laboris publicados nessa quarta-feira, síntese das inúmeras respostas aos Lineamenta, publicados no dia 2 de fevereiro de 2011, provenientes de todo o mundo e de todos os protagonistas da Igreja (70% dos episcopados, dos superiores dos religiosos e das religiosas, leigos, movimentos e serviços responderam), o exercício sinodal poderia ser um retorno ao essencial da fé e da Igreja.

A reportagem é de Frédéric Mounier, publicada no jornal La Croix, 20-06-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Levando-se em conta a diversidade das situações culturais, políticas ou eclesiais vividas pela Igreja no mundo, os redatores romanos do texto tentaram extrair uma visão realista, mas confiante, das dificuldades encontradas localmente, não apenas para a chamada “nova” evangelização, mas também para a evangelização propriamente dita.

Em suma, desdobram sem tabus o tema do Sínodo: "A nova evangelização para a transmissão da fé cristã". E o fazem na linha, reafirmada, do Vaticano II, do qual se celebrará simultaneamente o cinquentenário, dos magistérios dos papas sucessivos, sem esquecer o Catecismo da Igreja Católica, do qual também se festejam os 20 anos.

A priori, esse Sínodo deveria superar as fronteiras das velhas e cansadas cristandades do Norte. Porque as jovens Igrejas do Sul também estão confrontadas com os males evocados pelo texto: regressão de fé, burocratização dos temas, importantes dificuldades na transmissão da fé. "Ficamos surpresos ao constatar que a nova evangelização interessa evidentemente a todas as Igrejas, e não apenas às do Norte", disse o arcebispo Nikola Eterovic, secretário-geral do Sínodo.

Esse Sínodo não deverá se contentar em cantar os louvores aos novos movimentos, a propósito dos quais os redatores consideram útil aprofundar os laços com a Igreja. Indo além dessas aparências, a Igreja reconhece a queda das vocações e, portanto, a necessária "análise da evolução da identidade do sacerdote". No Sínodo, a Igreja se interrogará sobre o lugar central das paróquias e da sua indispensável evolução, talvez como "comunidade de comunidades", "sentinelas capazes de ouvir as pessoas e as suas necessidades". Também refletirá, durante essas semanas sinodais, sobre a "credibilidade e sobre a escuta da mensagem evangélica" em uma "autocrítica que o cristianismo é convidado a fazer sobre si mesmo".

Acima de tudo, os participantes no Sínodo são convidados a refletir a partir das "modificações profundas da percepção que o ser humano tem de si mesmo e do mundo", sabendo que a nova evangelização não poderia se reduzir a "estratégias comunicativas eficazes nem uma seleção dos destinatários", ou a uma "atualização de práticas pastorais". Porque a Igreja "não é uma empresa", mas sim "um corpo".

São levadas em consideração as evoluções culturais, migratórias, políticas e também religiosas do mundo. Reconhecendo um "renascimento religioso", os redatores advertem contra uma renovação "ingênua e emotiva" de tom "agressivo e proselitista".

No fundo, os organizadores do Sínodo convidam a um retorno ao núcleo central da fé: "O encontro com Jesus Cristo, ao mesmo tempo íntimo, pessoal, público e comunitário". Três pontos salientes se reúnem no texto: a identidade do sacerdote, o papel dos catequistas e a iniciação cristã. Como "todos os textos lamentam a insuficiência numérica do clero, que consequentemente não consegue assumir de modo sereno e eficaz a gestão desta transformação do modo de ser Igreja", os autores afirmam "a necessidade de pensar uma organização local da Igreja que integre sempre mais, a par da figura dos presbíteros, figuras laicais na animação das comunidades".

Quanto aos catequistas, o convite é que a assembleia sinodal, "assumindo a reflexão já iniciada nessas décadas, se interrogue sobre a possibilidade de configurar, para o catequista, um ministério estável e instituído dentro da Igreja".

Por fim, o texto reafirma, seguindo os Lineamenta, que "o futuro rosto do cristianismo no mundo, sobretudo no Ocidente, dependerá do modo como a Igreja souber gerir a revisão em acto das suas práticas batismais e da capacidade da fé cristã de falar às culturas hodiernas". E insiste, desde o batismo dos recém-nascidos até os catecúmenos, passando pelo "primeiro anúncio", sobre uma feliz "diferenciação das práticas".

No geral, trata-se de reagir à "apostasia silenciosa" de muitos, que nasce de muitos fatores conjuntos: o "enfraquecimento da fé", uma "burocratização excessiva das estruturas eclesiásticas", "celebrações litúrgicas formais e ritos repetidos quase por hábito, privados da profunda experiência espiritual", sem esquecer "o contratestemunho de alguns dos seus membros: infidelidade à vocação, escândalos, pouca sensibilidade pelos problemas do homem contemporâneo e do mundo atual".

A priori, como nas assembleias sinodais anteriores, o papa deverá estar presente durante os debates. Mas essa atenção destacada não dispensaria dispensar a Igreja do necessário trabalho de continuidade e de avaliação. Esta última, em particular segundo os vários superiores-gerais de ordens e congregações religiosas, acostumados com os sínodos, não está sempre à altura das expectativas.

No entanto, desde que João Paulo II, no dia 3 de março de 1983, em Porto Príncipe (Haiti), usou pela primeira vez o termo "nova evangelização", o canteiro de obras nunca deixou de se desenvolver. Até a criação, por parte de Bento XVI, de um novo dicastério dedicado a esse tema, no dia 28 de junho de 2010, e a abertura do Ano da Fé, previsto pelo papa para o dua 11 de outubro, exatamente no início do Sínodo.

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