Christoph Theobald: o Concílio Vaticano II e a proclamação de um Evangelho de liberdade em tempos plurais

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23 Mai 2012

Christoph TheobaldO professor Dr. Christoph Theobald, importante teólogo jesuíta de origem alemã e que desde 1970 vive na França, estará presente no XIII Simpósio Internacional IHU – Igreja, Cultura e Sociedade: a semântica do Mistério da Igreja no contexto das novas gramáticas da civilização tecnocientífica.

Professor de Teologia Fundamental e Dogmática nas faculdades jesuítas do Centre Sècvres (Paris), ele falará no simpósio sobre a temática 'as grandes intuições do Concílio Vaticano II: desafios e possibilidades de aproximações às gramáticas atuais'.

Além de professor, Theobald é diretor da revista Recherches de Science Religieuse e colaborador em diversas redes de reflexão teológica. Dentre seus escritos, destacam-se as seguintes obras: A revelação (2002), Transmitir um Evangelho de Liberdade (2007), ambas publicadas no Brasil por Edições Loyola, e O cristianismo como estilo: uma maneira de fazer teologia na pós-modernidade (2007).

Theobald nasceu na cidade de Colônia, em 1946, num período dificílimo para a Alemanha, devido às consequências da Segunda Guerra Mundial. A sua própria família sofreu na carne os terrores da guerra: dois irmãos morreram durante bombardeios e sua mãe sobreviveu de forma miraculosa.

Em entrevista publicada pela revista IHU On-Line, em 2009, o teólogo lembra que, durante seus estudos secundários, a descrença em Deus foi algo que o marcou profundamente. “Éramos apenas dois ou três que acreditavam em Deus e praticavam a religião e, preocupados com isso, procurávamos então saber por quê”. Esse encontro com pessoas descrentes contrastava com sua educação provinda de uma família marcadamente religiosa, em que o pai era católico e a mãe, luterana.

Em 1970, Theobald foi para a França, onde cursou Teologia no Instituto Católico de Paris. Nesse período conheceu os jesuítas e em 1978 se tornou membro da Companhia de Jesus. Falando sobre sua opção vocacional, o teólogo recorda que, além da educação familiar cristã e da experiência com os descrentes, o encontro com a teologia paulina foi um fator decisivo para seu ingresso entre os jesuítas. “Ele [São Paulo] foi, para mim, a figura bíblica que me identificou com a verdade do Evangelho. É, sem dúvida, um grande teólogo e, na França, encontrei-me com a amplitude e grandeza de seu pensamento. Isso me marcou profundamente”, afirma Theobald.

Em sua tese de doutorado, Theobald abordou o pensamento de Maurice Blondel (1861-1949) e a problema da modernidade a partir do contexto teológico-eclesial. No dizer do teólogo, também em entrevista à IHU On-Line, o pensamento blondeliano “ajudou-me a compreender melhor os cacifes da crise modernista. Sua análise da interpretação neoescolástica da doutrina católica, taxada de ‘extrinsecismo’, põe em relevo os dois maiores defeitos deste sistema: a exterioridade entre as verdades da fé e nossa humanidade, e a utilização abusiva do argumento de autoridade para ultrapassar esta exterioridade. O ‘historicismo’, que é oposto, preconiza a historicização radical do cristianismo, mas corre o risco de fazer desaparecer o sentido do absoluto ou de identificá-lo com a totalidade da história.”

A partir do trabalho de Blondel, Theobald se interessou “pela história da exegese crítica e do dogma, e pelo ponto crítico de ‘contato’ no seio da hermenêutica teológica, entre as ciências humanas sob a forma das ciências religiosas, de um lado, e da inteligência da fé, do outro”. Nesse sentido, pode-se dizer que o pensamento blondeliano foi importante para o desenvolvimento de sua reflexão teológica sobre a posição do cristianismo na modernidade.

Entretanto, a partir do contexto contemporâneo e pós-moderno, o teólogo esclarece que a matriz blondeliana já não era o suficiente para responder às novas questões emergentes, como sobre o “pluralismo radical das convicções axiais da humanidade e a consciência que esta toma de sua precariedade radical e de sua ‘miraculosa’ capacidade de resistir ao mal”. Diante dos novos cenários de mundo, Theobald destaca seu interesse pela filosofia reflexiva de Jean Nabert (1881-1960).

Como teólogo e escritor, Theobald tem contribuído em diversas redes de reflexão teológica, como na Concilium. Nesse itinerário, destaca-se sua participação na equipe que redigiu a primeira história do Concílio Vaticano II. “Foi na Concilium que eu conheci Giuseppe Alberigo [1926-2007], que me integrou na equipe internacional, formada pelo Instituto per le scienze religiose de Bolonha para redigir a primeira história do Vaticano II”. Ainda nas palavras de Theobald, “a historicização progressiva do Concílio e as controvérsias sobre sua recepção, o jogo de oposição entre as duas revistas internacionais, Concilium e Communio, marcaram muito os debates dessa época que eu reli por diversas vezes”.

Theobald defende, a partir das releituras do Concílio, uma mudança na estrutura eclesial. Para ele, a Igreja ainda é uma realidade abstrata e distante do povo. “A Igreja precisa atuar terra a terra, bem próxima da comunidade em sua vida cristã real. Penso que Deus dá a cada comunidade aquilo de que ela necessita para viver e disso decorre que se aborde a complexidade do ministério na vida da Igreja”.

E nessa perspectiva de mudança, o próprio Concílio continua sendo, para Igreja, uma referência: “Há um modo de proceder que o Concílio nos deixa como herança. Em particular, um certo modo de escutar a Palavra, de discernir os sinais dos tempos, de ter acesso à interioridade. Graças a esse tripé, por assim dizer, o Concílio poderá continuar sendo uma graça e uma bússola para os novos tempos" (IHU Online).

A nota é de Luís Carlos Dalla Rosa, doutor em Teologia.

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