Girardi, um teólogo em 1968

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02 Março 2012

Houve um tempo, durante 1968, em que muitos católicos imaginaram poder desempenhar um papel autônomo significativo – naquela época, dizia-se "de vanguarda" – dentro do movimento de contestação. Foram anos de altas taxas utópicas, em que a Cruz era desfraldada ao lado da Foice e do Martelo, e a "teologia da libertação" parecia uma concorrente credível da ideologia marxista.

A reportagem é de Dario Fertillo, publicada no jornal Corriere della Sera, 29-02-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Havia uma grande necessidade de modelos religiosos e, ao mesmo tempo, revolucionários naqueles anos: como o padre colombiano Camilo Torres, morto durante uma ação de guerrilha; e como, em um contexto totalmente diferente, o oferecido por Giulio Girardi, sacerdote salesiano , filósofo e teólogo.

Justamente ele, um dos fundadores da "teologia da libertação" e promotor do movimento Cristãos pelo Socialismo, é chorado nesta quarta-feira, 29 de fevereiro, pelos seus amigos e seguidores após sua morte aos 86 anos.

Uma vida vivida aventurosamente, a do Pe. Girardi, perito do Concílio Vaticano II na qualidade de especialista em marxismo e em ateísmo contemporâneo, depois expulso, em 1969, da Universidade Salesiana de Roma após "divergências ideológicas" por ter defendido a necessidade de uma estreita colaboração entre marxistas e católicos.

Naqueles tempos que já pareciam estar sob o brasão do eurocomunismo e do compromisso histórico, Giulio Girardi pareceu ser um profeta, exceto que, tendo chegado muito cedo, teve que pagar o preço por isso: expulso de várias universidades religiosas, depois da congregação salesiana e, por fim, suspenso a divinis.

Tudo isso não o levou a retrações nem a compromissos: os seus inúmeros livros (um acima de todos: Cristianesimo, liberazione umana, lotta di classe [Cristianismo, libertação humana, luta de classes]) se moveram sempre no mesmo sulco, embora o campo fosse minado.

A Europa também começou a parecer-lhe estreita: colaborou com o movimento sandinista na Nicarágua, tornou-se membro do Tribunal Russell sobre a América Latina, acabou até frequentando os ambientes do regime cubano. As duras réplicas da história não confirmaram as suas teorias, mas ninguém – mesmo entre os seus adversários – jamais lhe acusou de incoerência.

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