Timothy Dolan, a estrela deste Consistório

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19 Fevereiro 2012

Teologicamente, todos os cardeais podem ser iguais, mas, em termos de atração enquanto celebridades, alguns são obviamente mais iguais do que outros. Cada consistório, quando um papa introduz novos membros ao clube mais exclusivo da Igreja, tende a ter a sua própria "estrela de rock" – aquele novo cardeal que está acima de todos os demais no medidor de burburinhos.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada no sítio National Catholic Reporter, 17-02-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Em fevereiro de 2001, quando João Paulo II criou o imenso número de 42 novos cardeais, essa estrela de rock era Óscar Rodríguez Maradiaga, de Honduras, um poliglota bonito e jovem que parecia ser o novo rosto da Igreja na América Latina. Em março de 2006, no primeiro consistório de Bento XVI, era Stanislaw Dziwisz, da Polônia, o antigo secretário pessoal de João Paulo II, porque o evento foi sentido como uma celebração da vida e do legado do falecido papa.

Desta vez, a estrela de rock do consistório é, bastante obviamente, Timothy Dolan, de Nova York.

Em certa medida, isso foi determinado por um par de forças externas. Uma delas é que Dolan chega em meio a um confronto de alto risco entre os bispos norte-americanos e a Casa Branca, o que significa que só a presença de Dolan já tem seu valor noticioso. A outra é que Bento XVI indicou Dolan para conduzir uma reflexão espiritual a todos os cardeais do mundo em uma sessão a portas fechadas nesta sexta-feira, 17 de fevereiro, um sinal tão óbvio do favor papal quanto se possa imaginar.

Além disso, o charme ofensivo de Dolan chega em um momento particularmente bom em Roma, coincidindo com uma multiplicação de escândalos de vazamentos de notícias do Vaticano e de percepções de indecentes disputas internas dentro dos corredores do poder.

O veterano comentarista Massimo Franco publicou um artigo no jornal Corriere della Sera desta sexta-feira, o jornal mais influente do país, notando a ironia de que a política secular perenemente irascível da Itália foi atenuada pelo novo governo do tecnocrata Mario Monti, enquanto o Vaticano se aqueceu – fazendo com que o Vaticano pareça, como Franco disse, "mais italiano do que a Itália, e não no melhor sentido da palavra".

Nesse contexto, a imagem de um novo cardeal norte-americano hiperamigável que quase surge como um embaixador do Up With People! [organização juvenil internacional conhecida por suas produções musicais e artísticas] é, do ponto de vista vaticano, um alívio bem-vindo.

No entanto, isso é mais do que mera circunstância. Dolan é, inegavelmente, uma força da natureza, especialmente em um consistório em que a maior parte dos novos cardeais são autoridades vaticanas que se sentem muito mais confortáveis atuando nas sombras.

Enquanto a reação norte-americana a Dolan pode ser condicionada por onde nos situemos nas guerras culturais, o entusiasmo por ele em Roma e entre os observadores da Igreja de outras partes do mundo muitas vezes tem pouco a ver com os detalhes de suas posições políticas, sejam de tipo eclesiásticas ou seculares. Ao contrário, trata-se do que ele parece simbolizar – uma Igreja mais aberta, esperançosa, à vontade na conversa com o mundo em geral.

A imagem radiante e imponente de Dolan foi espalhada pela imprensa italiana ao longo dessa semana, geralmente retratando o contraste entre a sua terrena personalidade de "um cara normal" e o estereótipo italiano de enfadonho príncipe eclesiástico.

A Panorama, popular revista italiana, é típica. Ela publicou uma reportagem sobre Dolan, intitulada: "Um cardeal fiel à Igreja e ao beisebol", com uma foto de Dolan segurando uma camiseta esportiva do Mets.

Em uma nota menos frívola, o analista vaticano Paolo Rodari disse à Panorama que Dolan é "um dos melhores intérpretes do sonho ratzingeriano de uma nova evangelização, capaz de expansão sobretudo no Ocidente secularizado".

Você não precisa ser doutor em vaticanologia, no entanto, para captar o burburinho que rodeia Dolan. Nestes dias, Roma está repleta de cerca de 1.000 nova-iorquinos, espalhados por quatro hotéis e ao redor do Vaticano (Dolan, é claro, fez questão de visitar esses hotéis para dizer "oi" nas noites de quarta e quinta-feira).  O interesse da imprensa pelos seus eventos públicos diminuiu a atração pelos outros novos cardeais, mesmo quando não há praticamente nenhuma promessa de notícia de verdade.

Nessa quinta-feira, 16 de fevereiro, por exemplo, Dolan foi à Rádio do Vaticano de manhã para gravar seu programa de rádio semanal em Nova York, até então chamado Uma conversa com o arcebispo, agora rebatizado de Uma conversa com o cardeal Dolan. Seus convidados foram o novo cardeal Thomas Collins, de Toronto, e o arcebispo italiano Claudio Maria Celli, presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais.

Esse não foi um debate contundente e do estilo "encontro com a imprensa". Em grande parte, Dolan e seus convidados falaram sobre o significado espiritual das missas que estão celebrando, a ênfase de Collins na lectio divina (uma abordagem espiritual da Bíblia), e assim por diante.

No entanto, inúmeros jornalistas acamparam do lado de fora da Rádio do Vaticano, e alguns até subiram a uma sala do andar de cima, do lado de fora do estúdio, só para ver Dolan de relance fazendo o que estava fazendo.

Tanto antes quanto depois do programa, Dolan se disponibilizou para atender os repórteres que queriam perguntar sobre as notícias do dia e às equipes das estações de rádio de Nova York que precisavam de declarações recentes. Seu senso de humor, como sempre, estava em exibição.

Ele disse que estava preocupado com o discurso que deveria fazer em italiano nessa sexta-feira e, quando um repórter de TV perguntou por que, ele deixou escapar: "Porque eu falo como um aluno do primeiro ano".

(Na realidade, o italiano de Dolan não é tão ruim. Eu ouvi uma conversa nessa sexta-feira entre Dolan e uma autoridade do Vaticano em que eles começaram em italiano e passaram para o inglês. Eu daria a vitória por pontos a Dolan em termos de nível de conforto no idioma alheio).

Os norte-americanos, é claro, já estão acostumados agora com a afabilidade de Dolan e com a sua infinita disposição para responder a perguntas da mídia – o que inclui uma notável capacidade de dizer a mesma coisa uma e outra vez, mas fazê-la soar como nova e como algo dito apenas para você todas as vezes.

Para os observadores da Igreja de outras partes do mundo, no entanto, essa semana foi reveladora.

Nessa sexta-feira, fui atraído por uma acalorada discussão entre vários correspondentes vaticanos da Itália, de outras nações europeias e da América Latina, cujo tema era: Dolan poderia ser papa? O consenso era de que esse é uma possibilidade remota, mas o fato da própria conversa fala por si mesmo.

Um espanhol pareceu captar o sentimento do grupo e talvez um pouco da reação romana mais geral acerca de Dolan.

"Eu não consigo pensar que esses cardeais podem eleger um papa caubói", disse – e, pela primeira vez, esse europeu não quis dizer "caubói" pejorativamente, mas sim no sentido de alguém que daria uma saudável sacudida no Vaticano.

Em seguida, ele acrescentou: "Mas vocês conseguem imaginar como seria divertido se eles o fizessem?".

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