Síria: ''O risco é de uma fuga em massa'', afirma jesuíta

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26 Janeiro 2012

Na Síria, assim como no Iraque, o sentimento dominante é que uma guerra civil seria prejudicial principalmente para os cristãos, que emigrariam em massa.

A afirmação é do padre jesuíta Paolo Dall'Oglio, em entrevista a Maria Laura Conte e Martino Diez, do sítio da Fundação Oasis. O trecho a seguir foi publicado no jornal La Repubblica, 25-01-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O texto integral da entrevista será publicado nas Notícias do Dia do sítio do IHU nesta sexta-feira, 27 de janeiro.

Eis a entrevista.

Padre Dall'Oglio, como o senhor descreve a situação do país onde vive há 30 anos?


O território parece estar dividido irregularmente entre regiões onde predomina o movimento de oposição e aquelas em que o Estado mantém o controle e é apoiado pelas populações. Há duas grandes ilhas, Damasco e Aleppo, firmes nas mãos do governo, mas a sua extensão vai se reduzindo. A região montanhosa entre o mar e o rio Orontes está quase inteiramente sob o controle do governo: é habitada principalmente por minorias muçulmanas, alauítas e ismaelitas, e cristãs, bizantinas, tanto ortodoxas quanto católicas, e maronitas.

Quanto à realidade global do país, uma grande parte da população continua sendo incapaz de tomar uma posição e permanece neutra, de fato. Independentemente das filiações religiosas, ainda é maciça a adesão popular ao poder constituído, também por causa da forte ligação dos sírios à unidade nacional e à recusa de se deixar reduzir à referência identitária confessional. No entanto, algumas regiões estão nas mãos do "exército livre", embora não estavelmente.

O senhor considera que seja factível o nascimento de uma nova forma de democracia consensual?

A sensação, nos dois campos, é que se chegou ao impasse, a situação foi estimulada até a militarização do conflito. Mas nenhuma das duas partes tem os meios para aniquilar a outra.

Isso lhe lembra perigosamente o Iraque?


Há características em comum e diferenças. O fenômeno dos sequestros é muito preocupante. A sensação, no que se refere à maior parte da população cristã, é duplo: de um lado, é a de ser triturados em um conflito que é, em última análise, entre muçulmanos, e, de outro lado, muitos se sentem solidários com a Síria dos Assad. Ela havia assegurado um nível de laicidade do Estado. Mas também deve ser relevada uma presença dos cristãos nos movimentos de oposição. Contudo, como no Iraque, o sentimento dominante é que uma guerra civil seria deletéria justamente para os cristãos, que provavelmente emigrariam em massa.

Há posições diferentes entre os cristãos?

Compreendem-se as razões de quem teme o nascimento de uma república islâmica sunita. Outros, porém, insistem na possibilidade de que a revolução abra espaços à democracia. Mas é enganador dividir o campo entre democráticos e antidemocráticos, pró-regime e antirregime. A realidade é mais complexa. A Síria é hoje o palco de um vasto conflito regional. Aqui está em jogo a tensão entre EUA e Rússia, Turquia e Irã, sunitas e xiitas, concepção laica do Estado e visão religiosa da sociedade, e, em nível interno, assistimos ao surgimento de especificidades geográficas. Por isso, as possibilidades de alimentar o conflito são quase infinitas.

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