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14 Janeiro 2012

A expressão criada pelo pesquisador Kevin Ashton há 13 anos começa a ganhar forma: as coisas conectam-se entre si através da Internet e tomam decisões sem consulta. Fantasia ou realidade?

A reportagem é de Mariano Blejman, publicada no jornal Página/12, 11-01-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Algum tempo atrás, a empresa de roteadores Cisco divulgou um infográfico em que mostrava as bondades do que começa a se chamar de "a Internet das coisas", cada vez com mais barulho. Dispositivos conectados entre si, conversando sem que nós, mortais, saibamos, nos demos conta ou tomemos alguma decisão a respeito.

Seremos mais ou menos humanos se as nossas coisas se comunicam e tomam decisões sem nos perguntar? Como isso vai afetar a forma de pensar dos seres humanos? Não só carros, aviões ou trens conectando seus motores à Internet, mas também informações sobre o pedágio, cafeteiras, geladeiras, sapatos, camisetas, qualquer coisa conectada, inclusive animais, que não são coisas, mas que por enquanto ainda não sabem navegar.

Segundo a Cisco, em 2008, a quantidade de "coisas" conectadas à Internet passou a ser maior do que a quantidade de pessoas que habitam a Terra. A Cisco estima que, em 2020, a quantidade de coisas conectadas à Internet vai chegar a a 50 bilhões de objetos. As possibilidades são ilimitadas, desde que se padronize rapidamente a nova versão do IPv6, que tem a quantidade suficiente de IPs para cada grão de areia do deserto do Saara. Isso é o que se costuma dizer.

A empresa Sparked monitora vacas, Corventis monitora doentes cardíacos, mas isso é outra coisa: coisas falando. A teoria futurista da infografia da Cisco mostra como é possível sincronizar todos os artefatos cotidianos. Por exemplo, diante de um engarrafamento no caminho para o trabalho, os objetos podem se comunicar para modificar o funcionamento do relógio despertador (para se acordar mais cedo do que o definido, por exemplo) e pôr a cafeteira para funcionar minutos antes que o trem chegue no horário. Mas o carro também pode avisar o despertador que não tem gasolina e que é preciso adiantar o café da manhã em alguns minutos. Essas coisas à la Stanley Kubrick.

A questão é que isso já não tanto futurologia como há um ou dois anos: haveria sensores microscópicos com conexão à Internet para medir a salinidade da água e para medir as mudanças climáticas com uma certa antecipação. A quantidade de tráfego gerado por uma única casa poderia ser, em poucos anos, maior do que a quantidade de tráfego gerado em toda a Internet há apenas dois ou três anos.

Pois bem, essa não é a única forma pela qual os artefatos se conectarão entre si. Em alguns casos, nem sequer será preciso a Internet para conectar artefatos que funcionam de forma inteligente. Algumas horas atrás, foi apresentado no CES 2012 (Consumer Electronic Show), em Las Vegas, um sistema que serve para monitorar todas essas coisas que se costuma perder dentro de casa: chaves, carteira, bolsa. Ele foi desenvolvido por uma empresa chamada Cobra Electronics, juntamente com outra chamada Phone Halo, e funciona da seguinte maneira: coloca-se um marcador físico (algo como um chaveiro) no artefato que se costuma perder. Depois, busca-se com um aplicativo desenvolvido para o iPhone, já que o marcador se conecta ao telefone por Bluetooth e tem posicionamento satelital por GPS. Supõe-se que o que o GPS não encontra, o Bluetooth sim. O dispositivo se chama Cobra Tag G5 e usa um sistema de "smart bluetooth" para avisar quando o telefone se separa muito das chaves, e questões como essa.

É verdade que pôr um "marcador" dentro de uma carteira pode ser um pouco incômodo, mas é apenas uma questão de que os artefatos se tornem cada vez menores. Questão de tempo. O aplicativo desenvolvido pela Cobra Tags não precisa estar exclusivamente perto do telefone: pode-se comunicar por e-mail com o usuário ou mostrar uma posição no Google Maps onde alguém deixou a sua carteira.

Essa não é a única coisa que está sendo mostrada no CES nesse sentido de conectar artefatos: a LG apresentou uma nova geladeira que tem um "administrador de saúde", uma ferramenta pela qual o refrigerador controla e mantém a dieta familiar, envia os recibos por e-mail e avisa quando alguns produtos estão acabando.

A Samsung também apresentou uma geladeira inteligente com aplicativos na porta. A piada era: "A geladeira irá tuitar 'Ah, só me resta um único ovo'?". Também foi apresentado no CES um helicóptero que faz transmissão ao vivo por wifi chamado Wi Spy, ou seja, serve para espionar os vizinhos (já que, se você perde o sinal, perde a conexão).

Não se trata apenas de que os objetos se conectem entre si, mas sim de que tomem decisões que poderiam ser importantes para os seres humanos (nós). Eles poderão ser programados para tomar decisões políticas? Por exemplo, se poderia pedir que a geladeira só compre alimentos orgânicos. Alguns dias atrás, conheceu-se a patente do Google Autonomous Car, um carro projetado pelo gigante buscador que poderia dirigir sozinho pelas ruas, com a ajuda de informações georreferenciais, GPS, mapas e sensores de velocidade e de movimento. Consultado sobre o projeto em setembro, o ex-CEO Eric Schmidt disse em uma conferência que os carros do Google "poderiam dirigir melhor do que um ser humano... quando ele está bêbado".

Como se autoproclama o pioneiro britânico tecnológico Kevin Ashton, pesquisador do MIT, ele é um dos mentores da expressão "Internet das coisas", e a expressão surgiu, segundo ele, em uma apresentação que ele fez para a Procter & Gamble em 1999. Mas há outro pesquisador que escreveu sobre a "Internet das coisas": chama-se David Orban e ele costuma dar conferências por todo o mundo, contando como a quantidade de endereços de Internet disponíveis é de 10 elevado a 36, e a quantidade de átomos é de 10 elevado a 80. Ou seja, os átomos não poderão ter um IP próprio e deverão compartilhar a conexão à Internet. Pelo menos até que haja uma nova versão de endereços de Internet.

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