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08 Janeiro 2012

O melhor do barroco europeu unido às tradições populares dos guarani sul-americanos. Uma obra-prima da "inculturação" do Evangelho, idealizado pelos jesuítas do século XVII e reproposto hoje por músicos locais. Uma lição para as Igrejas da Velha Europa.

A análise é de Sandro Magister, publicada em seu sítio, Chiesa, 04-01-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Os anjos músicos da ilustração ao lado estão esculpidos nas paredes absidais de uma igreja em ruínas, em uma localidade remota do Paraguai.

É a igreja daquela que foi uma das mais extraordinárias Reduções edificadas pelos jesuítas nos séculos XVII e XVIII, em um vastíssimo território que pertence hoje ao Paraguai, Argentina, Brasil e Bolívia: a Redução de Trinidad.

Lá, os anjos músicos não eram pura decoração. A música – sobretudo a música sacra – era parte constitutiva da missão dos jesuítas e da vida da população local, convertida ao catolicismo.

E era música de altíssima qualidade. Assim como as esplêndidas arquiteturas barrocas das igrejas das Reduções. A de Trinidad (foto abaixo) era obra de Gian Battista Primoli, o maior arquiteto jesuíta operante no sul da América, na primeira metade do século XVIII.

Os guarani que habitavam aquelas terras eram uma povo semiprimitivo. Mas os jesuítas não rebaixara, a mensagem evangelizadora a um nível tosco e elementar, presumindo, com isso, adaptá-lo aos seus ouvintes. Fizeram o contrário. Ofereceram a esse povo o que de mais elevado e belo havia no cristianismo, seja nos conteúdos, quanto nas formas. Haviam vislumbrado nos guarani um talento musical inato e uma extraordinária atração pelo belo. E, portanto, conjugaram o melhor das artes e da música do barroco europeu com a sensibilidade e as tradições musicais e artísticas daquelas terras até então inexploradas.

E veio disso um dos exemplos mais impressionantes de "inculturação" do Evangelho que a expansão do cristianismo já produziu em dois milênios.

Essa extraordinária criatividade musical era conhecida. Os anjos músicos dos baixos-relevos de Trinidad eram um indício disso. Mas foi só a partir de 1972, graças a um afortunado achado de antigas partituras em um lugar remoto da Bolívia, que essa música não é mais um mistério.

O jesuíta Domenico Zipoli foi, talvez, no século XVII, o criador mais genial desse gênero musical novo, que fundiu o mais refinado barroco europeu com as ressonâncias da tradição vocal e instrumental guarani, em níveis de qualidade que eram iguais ou até superavam a música sacra que se cantava nas catedrais da Europa.

O filme A Missão, dirigido por Roland Joffé e interpretado por Robert De Niro e Jeremy Irons, Palma de Ouro em Cannes em 1986, fez com que um grande público ouvisse algumas maravilhas sonoras das Reduções. Mas hoje essa música está conhecendo um reflorescimento, graças sobretudo a músicos locais que voltam a executá-la, não só na América Latina, mas também em outras partes do mundo. O maestro paraguaio Luis Szarán (foto) é o mais comprometido com essa obra. Ele viaja com frequência para a Itália, onde colabora com vários coros e grupos-concerto.

Mas para saber mais sobre essa fascinante aventura, basta ler o artigo publicado no L'Osservatore Romano no dia 28 de dezembro de 2011.

O autor é Gianpaolo Romanato, professor de história da Igreja da Universidade de Pádua e membro do Pontifício Comitê de Ciências Históricas, mas também autor de importantes estudos sobre as Reduções, das quais muitas vezes visitou as impressionantes ruínas. É sua a foto dos anjos músicos.

A redescoberta dessa magnífica época musical não vale só por diletância ou por gosto exótico. Dela, tem-se a lição que o professor Romanato diz na linha conclusiva do seu texto:

"Uma lição que também pode ensinar algo para pobre e cansada música litúrgica das nossas antigas igrejas da Europa".

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