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05 Janeiro 2012

A Secretaria de Estado autoriza a revista La Civiltà Cattolica a publicar um artigo elogiando a Comunidade. Mas com inúmeros cortes no texto original, com relação aos pontos de desacordo. Aqui estão eles, um por um.

A reportagem é de Sandro Magister, publicada em seu sítio, Chiesa, 29-12-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Santo Egídio: Perfil de uma comunidade cristã. Esse é o título de um artigo da revista La Civiltà Cattolica sobre a comunidade fundada em Roma em 1968 por Andrea Riccardi, publicado justamente nestes dias em que ele se tornou ministro do governo italiano.

Os pareceres do artigo também são elogiosos com relação à "diplomacia silenciosa" praticada pela Comunidade. E só isso já causa surpresa, já que as provas da La Civiltà Cattolica são revisadas pelo segunda seção da Secretaria de Estado, isto é, pelo Ministério das Relações Exteriores do Vaticano, onde a diplomacia da Santo Egídio continua sendo considerada mais um obstáculo do que uma ajuda à atividade institucional da Santa Sé no mundo.

O artigo é de autoria não de um dos "escritores" da revista quinzenal dos jesuítas de Roma, mas sim do Pe. Andreas R. Batlogg, diretor da revista Stimmen der Zeit dos jesuítas alemães: uma revista notoriamente mais "liberal" da coirmã romana e mais alinhada, no caso, com outras publicações da Companhia de Jesus como a norte-americana America, a francesa Études ou a milanesa Aggiornamenti Sociali.

Antes da La Civiltà Cattolica, o artigo tinha sido publicado na edição de setembro da Stimmen der Zeit, com o título Die Optimisten von Sant’Egidio, em vista do encontro internacional de oração pela paz – o 25º da série, todas as vezes em lugares diferentes – organizado pela Comunidade em Munique entre os dias 11 a 13 daquele mês.

E a versão original alemã era muito mais longa do que a que foi publicada depois na Itália com cortes notáveis, aqui e ali bastante significativos. Fruto de tesouradas dadas pelos jesuítas de Villa Malta – a sede da La Civiltà Cattolica – e/ou também pela Secretaria de Estado vaticana. Na prática, das 16 páginas alemães, passou-se para 11, além disso menos densas, da versão italiana.

Assim, desapareceu completamente o pequeno capítulo alemão intitulado "Os preferidos do papa?" (Die besonderen Lieblinge des Papstes?), no qual era muito exaltada a relação entre a Santo Egídio e João Paulo II.

Também foi drasticamente redimensionada o vínculo entre a Comunidade e os encontros de Assis. Na versão alemã, há um pequeno capítulo inteiro sobre "A aventura de Assis" (Das Abenteuer Assis), em que se aplaude ao chamado "espírito de Assis" (der Geist von Assisi), caro à Santo Egídio, mas não a Bento XVI, enquanto na versão italiana o pequeno capítulo não existe, e tudo é resolvido em um par de linhas: "Teve ressonância mundial, em 1986, a oração pela paz em Assis, que também ocorreu pelo envolvimento da Comunidade".

O curto capítulo sobre "Andrea Riccardi, o rosto da Santo Egídio" foi publicado cortado pela metade na passagem do alemão para o italiano. E ainda mais despedaçado foi o breve capítulo sobre a diplomacia da Comunidade. A definição de Santo Egídio como a "ONU do Trastevere", cunhada pelo jornalista italiano Igor Man e que entrou em uso corrente, citada enfaticamente pela Stimmen der Zeit, desaparece na La Civiltà Cattolica.

Resta o paradoxo de que um texto revisado e aprovado pela Secretaria de Estado vaticana contenha um substancial elogio do papel diplomático desempenhado pela Santo Egídio.

No passado, isso nunca tinha acontecido. Basta pensar em um precedente sobre o Moçambique, isto é, o país que foi reivindicado pela Comunidade como teatro do seu primeiro grande sucesso diplomático em 1992. Em um aprofundado artigo de oito páginas sobre "O Moçambique depois de 25 anos de independência", que foi publicado na La Civiltà Cattolica do dia 16 de dezembro de 2000 com a assinatura do jesuíta José Augusto Alves de Sousa (que foi por 40 anos missionário nesse país), não há nem a menor indicação a um papel pacificador desempenhado pela Santo Egidio nessa situação.

Voltando ao presente, o artigo da La Civiltà Cattolica chegou em um momento em que parece ser particularmente gratificante para a Comunidade, tanto no campo político quanto eclesiástico.

A data de publicação do artigo foi na verdade o dia 19 de novembro, dois dias depois da nomeação do fundador da Comunidade, Riccardi, a ministro para a cooperação internacional e a integração. A sua biografia no site oficial do governo italiano o apresenta como "uma das personalidades nacionais de maior destaque, conhecido no campo internacional".

Uma notoriedade internacional, a de Riccardi, que pode ser evidenciada também pela sua presença nos telegramas diplomáticos confidenciais postos online pelo WikiLeaks.

Neles, entre todos os ministros do atual governo italiano, Riccardi é o quarto por número de citações: 14, sem contar as 7 do seu irmão Luca, que também é um dos líderes da Santo Egídio. Superam-no apenas o presidente do conselho Mario Monti, com 18 citações, o ministro do Meio Ambiente, Corrado Clini, com 25, e o ministro das Relações Exteriores, Giulio Terzi di Sant'Agata, ex-embaixador, que tem uma centena: sempre menos, no entanto, daquelas dirigidas à Comunidade de Santo Egídio como um todo, 127.

Com relação à Igreja, depois, o artigo da La Civiltà Cattolica chegou enquanto o ex-assistente eclesiástico da Santo Egídio, o bispo de Terni, Vincenzo Paglia (com três citações no WikiLeaks), está na corrida, mesmo que talvez em um nível mais midiático do que real, para a sede cardinalícia vacante do Patriarca de Veneza.

Parecem ser mais reais as chances do atual assistente eclesiástico da Comunidade, Monsenhor Matteo Zuppi (com mais de 20 citações no WikiLeaks), ex-pároco da Basílica de Santa Maria em Trastevere. Ele poderia ser o novo bispo auxiliar de Roma à espera de ser nomeado nas próximas semanas.

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