Quem tem medo da teologia da libertação? Artigo de Christian Albini

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11 Outubro 2013

Que consciência haveria da dimensão da fé que envolve a libertação dos pobres sem a provocação que veio da reflexão liberacionista?

A análise é do teólogo leigo italiano Christian Albini, em artigo publicado no blog Sperare per Tutti, 07-10-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

A teologia da libertação ainda dá medo na Igreja Católica. O setembro eclesial foi marcado, dentre outras coisas, pela "reabilitação" da teologia da libertação com as intervenções de Gustavo Gutiérrez na Itália, amplamente apresentados até no L'Osservatore Romano. O clímax veio com a concelebração de Gutiérrez na missa matutina do Papa Francisco e a audiência privada entre os dois.

Esses fatos superam uma longa época de suspeita por parte da hierarquia católica contra essa corrente teológica que desposou e promoveu a opção pelos pobres. Muitas vozes católicas, no entanto, tentaram várias vezes conferir uma adversidade por parte de Bergoglio contra a teologia da libertação com argumentos pouco consistentes e desmentidos pelos acontecimentos.

Em particular, quem está empenhado nessa direção é Sandro Magister, com notícias que também foram desmentidas. A realidade é que a teologia da teologia da libertação não é uma teologia marxista, como os seus adversários a retratam, mas sim uma realidade variada e ampla com elementos extremistas. São estes últimos que foram rejeitados por Bergoglio, como documenta também o recente livro de Nello Scavo (La lista di Bergoglio), em que se relatam estas suas palavras:

"A ditadura tinha a tendência de considerar essas referências como algo puramente revolucionário, marxista, de esquerda, como uma rendição do Evangelho à esquerda. Como eu declarei antes, sim, havia alguns que ensinavam teologia com uma hermenêutica marxista, algo que a Santa Sé nunca aceitou; e outros que não, buscavam, ao invés, uma presença pastoral entre os pobres, a partir de uma hermenêutica do Evangelho. Os dirigentes da ditadura demonizavam toda a teologia da libertação, tanto os padres que seguiam a interpretação marxista – que eram poucos na Argentina, se comparada a outros países –, quanto os padres que simplesmente viviam a sua vocação sacerdotal entre os pobres. Eles colocavam todos no mesmo balaio."

Na última conversa com Scalfari (La Repubblica, 1º de outubro de 2013), o Papa Francisco confirmou essa atitude respondendo a uma pergunta sobre os teólogos da libertação:

"Eles certamente davam um seguimento político à sua teologia, mas muitos deles eram crentes e com outro conceito de humanidade."

São afirmações não deveriam deixar espaço para erros de interpretação, ainda mais que, sobre as posições de Gutiérrez, há anos a Congregação para a Doutrina da Fé e os bispos peruanos não têm mais destaques a mover e nunca o censuraram depois de um percurso de esclarecimento.

Porém, o jornal Avvenire [dos bispos italianos] e Magister deram espaço a uma intervenção do bispo Filippo Santoro, que fala da libertação dos pobres como uma exigência intrínseca ao Evangelho que a Igreja acolhe, sem fazer nenhuma referência à teologia da libertação, como se fosse irrelevante. Porém, que consciência haveria dessa dimensão da fé sem a provocação que veio da reflexão liberacionista?

A sensação é de que há aqueles que querem fazer de tudo para torná-la inócua e mantê-la às margens. Um dos papéis da teologia, também dizia Giuseppe Colombo, por muito tempo à frente da Faculdade Teológica de Milão, é o de ser voz crítica dentro da Igreja Católica, que invoca e solicita. Uma invocação que talvez incomode.

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