'Fukushima só deixará de ser um perigo dentro de vários anos'

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27 Agosto 2013

Luis Echávarri (nascido em Bilbao, Espanha, em 1949), engenheiro de formação, está no mundo atômico há quatro décadas. Foi conselheiro do Conselho de Segurança Nuclear espanhol, candidatou-se à presidência da Agência Internacional de Energia e desde 1997 é diretor da Agência Nuclear da OCDE.

A reportagem é de Elena G. Sevillano, publicada no jornal El País, e reproduzida pelo Portal Uol, 24-08-2013.

Como tal, acompanha diariamente a crise atômica provocada depois do tsunami que assolou o Japão em 2011. "Fukushima só deixará de ser um perigo daqui a vários anos", diz ao telefone. Prudente em suas respostas, ele tranquiliza sobre a emergência declarada por um vazamento durante a desmontagem da central nuclear.

Eis a entrevista.

Devemos no preocupar com o que está acontecendo em Fukushima?

Depende. O que está ocorrendo ali é que não se chegou a ter um controle efetivo total das atividades e das emissões de radiação. Desse ponto de vista, temos de nos preocupar. Mas não porque isso possa ter efeitos na saúde que escapem da zona da central. Fala-se em água muito contaminada que pode ter ido para o oceano, mas o poder de diluição do oceano é imenso. Sim, será preciso ter cuidado com espécies aquáticas, peixes migratórios. Foram estabelecidos controles para garantir a supervisão do que se pesca.

Está fora de controle, como disseram alguns?

Não. Falamos de uma central que tem três núcleos que se fundiram e destruíram toda a parte ao redor, que é inacessível. Há uma zona ali onde não se pode entrar. Isso significa que não foi possível montar um sistema de refrigeração fechado, no qual se controla a água que entra e vai se reciclando. Estão refrigerando à base de um circuito aberto, colocando água que refrigera, mas se contamina, e depois é preciso ver o que fazer com ela. É uma quantidade muito grande. Fizeram tanques. É uma situação difícil, muito difícil. Um dos tanques falhou e isso tem consequências radiológicas.

Poderia ter sido evitado? O vazamento foi detectado horas depois, ao ver as poças...

Poderiam ter montado sistemas com uma instrumentação mais adequada. Agora talvez fosse muito mais urgente dispor da refrigeração antes. É difícil julgar à distância. Quem deve julgar se foram feitos todos os esforços é o regulador japonês. De longe, assim, parece que se poderia ter feito mais, que se poderia ter estabelecido um controle de níveis de radiatividade imediata. Mas a situação não é fácil.

Poderá haver mais vazamentos em outro dos 350 tanques gêmeos?

Um princípio universal em segurança nuclear é que, quando há um incidente, é preciso repassar todas as instalações semelhantes. Isso já está sendo feito.

A Tepco reconhece que está há dois anos filtrando água contaminada para o mar, 30 bilhões de becqueréis de substâncias radiativas.

É uma unidade muito pequena. A água que saiu agora não tem césio, que é o elemento que tem vida mais longa, porque tinha sido filtrado. Desde o início consideramos inevitável que grande parte da água que está sendo utilizada acabasse no mar, seja através de vazamentos ou pelas águas freáticas. Era utópico pensar que nesse acidente não haveria vazamentos. É uma central que está ao lado do mar e sofreu um acidente. É preciso fazer controles. E a informação que temos é que não mudaram os níveis de radiatividade do mar devido ao vazamento desse tanque.

Quanto tempo passará até que Fukushima deixe de representar um perigo?

Vários anos. Será o momento em que não haja mais necessidade de refrigerar o núcleo com um sistema aberto. Então deixará de haver perigo de que a radiatividade possa se descontrolar. Isso se falarmos de riscos para o exterior; se nos referirmos à desmontagem de Fukushima, estamos falando em 30 ou 40 anos.

Armazenar a água em tanques foi a melhor opção? Muitos lembraram o sarcófago de Chernobyl

Com Chernobyl há uma diferença abissal. Ali o problema era o núcleo. Ao cobri-lo, se acabou o problema. Aqui continua havendo muito calor residual e é preciso refrigerar. O que se faz com a água? Talvez pudessem ter feito grandes piscinas... Mas o tempo urge. É preciso confiar que tentaram fazê-lo o melhor possível. São 350 tanques e um falhou.

Era previsível que isso acontecesse? É pior do que se pensou?

Esta é uma opinião pessoal: poderia ser pior. A situação é dificílima e não há soluções milagrosas. Toda a contaminação que há, todos os núcleos degradados aos quais não se tem acesso, são fonte de incerteza e de problemas. Que ninguém busque a perfeição porque não existe. Agora, que não pareça que aqui não acontece nada; não, aqui aconteceu uma barbaridade. A preocupação depois de dois anos e meio do acidente é que não está totalmente controlado.

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