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Por: Jonas | 08 Agosto 2013

Para o jornalista francês Christophe Ventura, “não são mais os trabalhadores manuais orientados pelas grandes organizações sindicais e políticas que pesam na dinâmica das relações sociais, mas os estudantes, os técnicos, trabalhadores intelectuais mobilizados na economia dos serviços (setor terciário), o telemarketing, etc. Esses formam os novos batalhões de classes média-baixas urbanas e precárias que têm acesso aos ganhos públicos e ao emprego, mas de maneira intermitente”. O artigo é publicado no sítio Outras Palavras, 06-08-2013. A tradução é de Cristiana Martin.

 
Fonte: http://goo.gl/SSsDwl  

Eis o artigo.

Desde 2011, diversos choques contestatórios percorrem o mundo em diferentes regiões: sul da Europa, mundo árabe, América do Norte – Canadá e Estados Unidos – Turquia, América do Sul e Ásia.

Além das especificidades de cada um, todos esses movimentos partilham de pontos comuns: eles se ampliam, rejeitam as políticas de austeridade, a corrupção e criticam os sistemas políticos e as ações (e até a falta delas) dos Estados.

Nesse contexto, os partidos políticos, principalmente os do governo (tanto os de direita como os de esquerda), são interpelados e vilipendiados – para não dizer jogados ao descrédito público. Esta “crise da política tradicional” ja foi largamente comentada e analisada.

É provável que tenha atingido seu paroxismo na Itália, onde engendrou uma nova situação: aumento generalizado (sociológico e territorial) da abstenção eleitoral; desaparecimento, nesse contexto, da esquerda proveniente do movimento operário abaixo do limiar de credibilidade; erosão dos partidos do sistema; enrijecimento ideológico das direitas; escorregão neoliberal das forças social-democratas; emergência do movimento social/eleitoral anti-partidos tradicionais Movimento Cinco Estrelas – (M5S); multiplicação de movimentos sociais locais (contra projetos inúteis, por uma redefinição da democracia local, etc). (1)

Em uma obra não traduzida – Finale di partito (2) (Fim de Partido [3]) – o intelectual e cientista político italiano Marco Revelli se interroga a respeito destes fenômenos contemporâneos. Ele analisa, em particular, essa crise de confiança dos cidadãos nos partidos políticos.

Para ele, a forma partidária herdada da segunda revolução industrial casa harmoniosamente com a organização dos grandes sistemas de produção – as fábricas – “centralizados e burocratizados, mecanizados e padronizados, rígidos e rigorosamente territorializados, pensados pela programação e planejamento de um longo período”. Tratava-se então de operar na conscientização e na integração políticas de novas massas de trabalhadores recentemente passados do estado de multidões camponesas, linguísticas e culturais ao estado de classe operária. Essa tarefa necessitava, no contexto de emergência do capitalismo industrial, de uma referência de organização vertical, adaptada às estruturas econômicas e sociais e baseada no princípio de delegação e de representação. Tratava-se de organizar a luta no seio das unidades de produção que engendravam as relações de produção territorializadas. Assim, “o partido de massa era (...) o microcosmo no qual se refletia o microcosmo social paralelo (…). Ele era destinado a refletir, no espaço parlamentar, o jogo conflituoso (e de negociação) entre os grupos sociais unidos” e a oligarquia. Neste contexto, o “representante” beneficiava da confiança do “representado”, com quem ele partilhava a proximidade territorial e, por vezes, o espaço de trabalho. Assim, a “máquina política” respondia à máquina capitalista.

O partido inspirava-se igualmente, por sua organização, no modelo de Estado e de administração que ele ambicionava conquistar.

O fim do modelo fordista de produção, a internacionalização e a segmentação de cadeias produtivas, o “livre” comércio, a financeirização da economia capitalista, a emergência da economia desmaterializada e de serviços foram, segundo o autor, o início de uma desestruturação progressiva e irreversível dos modos de organização do trabalho e de modelos de classes.

A erosão da homogeneidade sociológica e da classe de trabalhadores e o aumento do nível educacional tinham gerado a aparição da “política líquida” (4), espelho e produto da diversificação de fluxos econômicos e sociais na esfera política. Nós assistimos assim à uma “liquefação do corpo eleitoral” vindo da fragmentação de “pertencimentos sociais estáveis”. Para Marco Revelli, “o partido político ‘clássico’ (…) era a forma mais adaptada para responder à uma demanda social tipicamente “materializada” (…) de eleitores mecanicamente agregados em grupos relativamente homogêneos de populações largamente definidas por seus papéis produtivos respectivos e caracterizados por um nível médio ou baixo de escolaridade. Tratava-se da forma própria de representação na modernidade industrial”.

Agora, a família de trabalhadores é múltipla e as novas gerações vindas dos anos 1970, 1980 e 1990 têm características sociopolíticas diferentes. Não são mais os trabalhadores manuais orientados pelas grandes organizações sindicais e políticas que pesam na dinâmica das relações sociais, mas os estudantes, os técnicos, trabalhadores intelectuais mobilizados na economia dos serviços (setor terciário), o telemarketing, etc. Esses formam os novos batalhões de classes média-baixas urbanas e precárias que têm acesso aos ganhos públicos e ao emprego, mas de maneira intermitente.

Mesmo que sociologicamente minoritários, muito mais fragmentados e heterogêneos que seus “descendentes”, “mais aculturados e zelosos por sua própria independência, mais insubmissos à relação comando-obediência”, eles constituem os grupos mais ativos nas mobilizações sociais e os mais diretamente associados às novas formas sócio-econômicas desencadeadas pela mutação do capitalismo e de suas contradições. Ainda assim, neste contexto, “sua instrução elevada é correlacionada às formas de ações políticas não convencionais” (5), à rejeição dos quadros organizacionais e ideológicos das formas políticas existentes, à reivindicação de uma ação “apolítica” – uma vez que, na verdade, seus slogans e valores são hiper-políticos (probidade, respeito da vontade popular, reivindicação em favor dos serviços públicos e de bens comuns, limitação do poder monetário, demanda de uma nova ordem da sociedade, etc.). Seria uma forma “sub-política” da política ou da forma “política da segunda modernidade”. (6)

Qualquer que ela seja, para o autor, sabe-se que o “controle monopolístico do espaço público pelos partidos está terminado”. Assim como o Estado nacional, que imitaram na sua organização, os partidos exercerão uma “soberania limitada” na sociedade.

Nesta, vários poderes coabitam atualmente: o poder financeiro, o poder político (rebaixado e vítima de uma crise de confiança), o poder midiático (amplamente controlado pelo financeiro), o poder do corpo social (capaz de interferir esporadicamente com o poder político e de perturbar o consenso das oligarquias), o cyberpoder (que mobiliza o conjunto de atores de um campo inédito).

Na sua parte, os novos atores da contestação serão a questão de uma amarga e determinante batalha ideológica futura entre direita e esquerda.

Nesta sequência, uma nova dialética entre os partidos políticos da transformação e os novos movimentos da sociedade deve imperativamente se inventar.

Notas:

1. Sobre todos estes assuntos, ler o site www.democraziakmzero.org

2. Marco Revelli, Finale de partito , Giuli Einaudi editore, Turin, 2013.

3. Este título é um jogo de palavras construído a partir da expressão “Finale di partita”(Fim da partida) que é igualmente o título de uma peça do dramaturgo Samuel Beckett.

4. O conceito de “vida líquida” foi teorizado pelo sociólogo e filósofo Zygmunt Bauman. Este último continua pouco conhecido na França ou em alguns países onde suas obras foram, apesar de tudo, traduzidas. Nós citamos, entre outros: O custo humano da mundialização (Hachette, Paris, 1999), A vida em migalhas (Hachette , Paris, 2003), A Vida Líquida (Rouergue, Chambon, 2006) e A decadência dos intelectuais. Dos legisladores aos intérpretes (Actes Sud, Arles, 2007). Sobre seu pensamento, ler Ignacio Ramonet, “Para um outono quente na Espanha?”.

5. Citação pelo autor do cientista político estadunidense Ronal Inglehart

6. Segundo as expressões do sociólogo alemão Ulrich Beck retomados pelo autor.

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