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14 Junho 2013

"Nos EUA da euforia pré-crise, a lenta evolução dos rendimentos dos pobres e remediados acumpliciou-se à vertiginosa expansão do crédito para impulsionar o consumo das famílias. Amparado na 'extração de valor' ensejada pela escalada dos imóveis, o gasto dos consumidores alcançou elevadas participações na demanda", escreve Luiz Gonzaga Belluzzo, professor titular do Instituto de Economia da Unicamp, professor titular do Instituto de Economia da Unicamp, em artigo publicado na revista Carta Capital, 13-06-2013.

Eis o artigo.

No afã de encontrar uma opinião conservadora inteligente a respeito do Quantitative Easing de Ben Bernanke, tropeço em imponentes mediocridades. No final da caminhada só encontro refrigério nos artigos de Martin Wolf.

Na quarta-feira 5, em artigo reproduzido pelo jornal Valor Econômico, Wolf fez uma avaliação das ações não convencionais do Federal Reserve. “Quem critica o Fed tão incisivamente é desprovido de imaginação ou indiferente ao que teria acontecido se o Fed e outros BCs não agissem. Isso não significa que a normalização será fácil. A prolongada queda dos rendimentos dos títulos pode estar de fato no fim.”

Para ele, a necessidade imperiosa da intervenção quantitativa para evitar outra grande depressão não elimina os riscos envolvidos na “volta à normalidade” – desconfio que essa expressão possa ser utilizada para o capitalismo de todos os tempos, para não falar dos tempos tormentosos que governam os nossos dias.

Wolf afasta de pronto as preocupações com os riscos de uma hiperinflação. Mas corretamente aponta para as dificuldades envolvidas nas alterações dos preços dos ativos marcados a mercado, diante de uma provável elevação das taxas de juro longas, aquelas determinadas pelas expectativas dos gestores da riqueza líquida.

Os rendimentos dos títulos de dez anos do governo americano – o benchmark do mercado – mal conseguem manter-se na casa de 2% ao ano, após permanecerem abaixo dessa marca por algumas temporadas. Essa reação ainda moderada dos yelds ocorreu depois dos pronunciamentos do presidente do Fed a respeito do possível encolhimento das intervenções nos próximos anos.

Wolf teme que a retração do Fed, em concomitância com a contração fiscal determinada pela legislação vigente, poderá causar uma redução acentuada da taxa de crescimento da economia. Ele admite que, nos últimos meses, as famílias americanas estejam mais inclinadas a reduzir seu superávit. Mas outras fontes de demanda – o superávit em conta corrente (ou seja, os déficits dos estrangeiros) e o investimento das empresas – não dão sinais de reagir. “Nenhuma das alternativas parece iminente, embora a segunda opção pareça mais provável que a primeira”, escreve o jornalista inglês.

Martin Wolf desconfia que a trajetória da economia americana esteja umbilicalmente atrelada à formação de grandes bolhas, como as que ora se formam na bolsa de valores e nos preços dos demais ativos financeiros, aí incluídos os bonds do governo. E isso não é culpa do Quantitative Easing do Fed, senão das características estruturais da economia americana e do restante do planeta que “deram forma aos excessos anteriores à crise”.

Nos EUA da euforia pré-crise, a lenta evolução dos rendimentos dos pobres e remediados acumpliciou-se à vertiginosa expansão do crédito para impulsionar o consumo das famílias. Amparado na “extração de valor” ensejada pela escalada dos imóveis, o gasto dos consumidores alcançou elevadas participações na demanda.

Enquanto isso, as empresas americanas cuidaram de intensificar a estratégia (palavra precisa, neste caso) de separar em territórios distintos a formação de nova capacidade, a expansão do consumo e a captura dos resultados. As empresas ampliaram expressivamente a posse dos ativos financeiros como forma de alterar a estratégia de administração dos lucros acumulados e do endividamento. O objetivo de maximizar a geração de caixa encurtou o horizonte empresarial.

A expectativa de variação dos preços dos ativos financeiros passou a exercer um papel muito relevante nas decisões das empresas. Os lucros financeiros superaram com folga os lucros operacionais. A gestão empresarial foi, assim, submetida aos ditames dos ganhos patrimoniais de curto prazo e a acumulação financeira impôs suas razões às decisões de investimento, aquelas geradoras de emprego e renda para a patuleia.

As grandes empresas deslocaram a produção manufatureira para as regiões em que prevaleciam baixos salários, câmbio desvalorizado e alta produtividade. Dessas praças exportaram manufaturas baratas para os países de origem ou de sua influência. Embalados pela expansão dos gastos das famílias, realizaram lucros e acumularam caixa (em geral nos paraísos fiscais). O deslocamento das empresas americanas cavou alentados déficits em conta corrente na economia territorial da pátria mãe.

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