''Dos estupros ao feminicídio, a culpa é sempre das vítimas'': os novos pregadores do ódio

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05 Janeiro 2013

Mulheres que "pretendem ter uma vida autônoma, trabalhando" e que "se lamentam se são violentadas, talvez quando pediram uma carona de minissaia". São elas o objeto dos ataques de um bando selvagem de internautas ultracatólicos, às vezes com simpatias neonazistas, que disseminam na rede pílulas de uma cultura retrógrada que chega até a justificar o feminicídio. E que, como demonstra o caso do pároco de San Terenzo, na Itália, consegue fazer prosélitos. Virtuais, mas não só.

A reportagem é de Marco Pasqua, publicada no jornal La Repubblica, 28-12-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A principal forja do ódio sexista contra as mulheres se chama Pontifex e, desde que foi criado, em setembro de 2008, propagandeou teses homofóbicas, racistas, muitas vezes antissemitas e até mesmo negacionistas. E onde a chamada "mulher moderna" é atacada por bispos (quase sempre eméritos e, muitas vezes, repudiados pela própria hierarquia eclesiástica), ou pelos próprios gestores da plataforma, que também se servem das redes sociais para difundir as suas ideias malucas (não por acaso, no dia 27 de dezembro, despontaram perfis no Facebook que elogiavam o padre Piero Corsi).

A alma dessas páginas é Bruno Volpe, 50 anos, obcecado pelos homossexuais (aos quais ele muitas vezes define como "doentes") e simpatizante do fórum neonazista Stormfront, recentemente fechado pela polícia. Natural de Bari, nunca desmentiu ter sido preso por perseguição, no verão de 2011, depois de ter atormentado uma garota.

Para veicular as suas teses, ele se serve muitas vezes de rostos conhecidos, mesmo do mundo da televisão e da política, que, aceitando ser entrevistados, se prestam – muitas vezes inconscientemente – a dar brilho ao site: de Assunta Almirante a Albano Carrisi, de Roberto Gervaso a Aldo Biscardi.

Mas são os prelados aqueles que, mais frequentemente, ele utiliza para ofender as mulheres. "Algumas vezes, há uma falta de prudência por parte das vítimas", argumentou, por exemplo, Dom Arduino Bertoldo, bispo emérito de Foligno. "Se uma mulher caminha de modo particularmente sensual ou provocante, ela tem alguma responsabilidade no evento, e quero dizer que, do ponto de vista teológico, tentar também é pecado. Mesmo aqueles que, caminhando ou vestindo-se de modo provocante, desperta reações excessivas ou violentas peca em tentação".

Por isso, defende o próprio Volpe em um dos seus editoriais, as "reações agressivas" são "favorecidas por espetáculos objetiva e moralmente desordenados", como quando "uma moça bonita pede uma carona à noite e de minissaia, e depois é estuprada".

Mesmo diante dos assassinatos, o Pontifex vai muito além do paradoxo, defendendo que "a culpa nunca está de um lado só. Cuidado para não beatificar ou santificar todas as mulheres mortas". Segundo o site, "a onda de violências estourou desde quando a mulher pretendeu ter um excesso de vida autônoma, muitas vezes não se importando com a família, com os deveres conjugais e chegando até a libertinagem sexual".

Por isso – é o que defende outro monsenhor – "a mulher deve se inspirar em Maria e na Imaculada Conceição, abandonando a tendência à libertinagem". O bispo emérito de Senigallia, Oddo Fusi, está convencido de que "o trabalho é secundário. Na crise de valores atual, depende muito do fato de que a mulher saia muitas vezes de casa e reivindique uma independência desenfreada do marido e vá trabalhar".

A mesma tese se encontra na Salpan, revista eletrônica de aprofundamento dos "assuntos que mais interessam ao mundo católico atual". Aqui se afirma que "antepor o emprego, o trabalho, aos filhos ou ao marido é quase contra a natureza e certamente contra a ordem estabelecida por Deus". Mas o ataque às mulheres dos ultracatólicos também ocorre utilizando a questão do aborto, causa daquilo que é impropriamente definido como o "Holocausto silencioso". A pílula abortiva RU-486 é renomeada como "pesticida humano".

Nas páginas do site Bastacristianofobia, são relançadas entrevistas com moças "que sobreviveram ao aborto" (o que determinaria, em nível mundial, "o maior genocídio da história") e, naturalmente, ataca-se a Lei 194. No post "As mulheres e a moda", publicado no site PreghiereGesùeMaria (um site que tem como objetivo a "salvação de todas as almas através da difusão da Palavra de Deus"), dirige-se um apelo a todas as mulheres, para que voltem a ser um tesouro de modéstia e de pudor, um anjo de conforto", deixando de ser "provocantes" e de "pôr em movimento os sentidos e os instintos".

Alguns, como os animadores do site PontiLex, tentam se opor a estes regurgitos medievais. Nos últimos anos, foram apresentadas denúncias e foram enviadas dezenas de indicações ao Escritório Nacional Antidiscriminação (UNAR), da Itália, exigindo o fechamento do Pontifex: "Mas ninguém jamais fez nada", diz Sandro Storri, à frente de uma pequena rede virtual nascida para combater os odiadores ultracatólicos.

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