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20 Fevereiro 2013

Aqueles que conhecem Joseph Ratzinger concordam em afirmar que o fato de ter escolhido uma data próxima da Quaresma (com um providencial encontro de cardeais-testemunhas) está perfeitamente alinhado com o espírito que sempre o caracterizou. E as próprias palavras no Ângelus seriam uma confirmação disso.

A reportagem é de Maria Teresa Pontara Pederiva, publicada no sítio Vatican Insider, 19-02-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O papa, no domingo, falou da "Quaresma, tempo de conversão e de penitência em preparação à Páscoa", mas também de "Igreja, mãe e mestra", que "chama todos os seus membros a se renovarem no espírito, a reorientar-se decisivamente para Deus, renegando o orgulho e o egoísmo", e, enfim, de "uma luta, um combate espiritual, porque o espírito do mal naturalmente se opõe à nossa santificação e tenta nos fazer desviar do caminho de Deus".

Justamente sobre Quaresma (ou, melhor, sobre a "Semana Santa") há um pequeno ensaio de meditações no mesmo estilo assinado por Joseph Ratzinger e Karl Rahner, publicado pela editora Queriniana, da Bréscia. Os teólogos Ratzinger e Rahner se confrontaram e, depois, se dividiram em muitos pontos, mas sempre se apreciaram e se estimaram.

Editado em 1973 na edição italiana (o original é de 1969), o texto foi publicado novamente (Rahner faleceu em 1984) em 2006, após a eleição de Ratzinger ao pontificado. E aqui encontramos outra expressão cara a ele (que também retomou nas breves palavras do dia 11 de fevereiro passado): o "barco de Pedro", embora bastante difundido, mas que ele associa mais frequentemente a situações de "perigo". Falando da espera do Sábado Santo, ele escrevia assim:

"Há uma cena do Evangelho que antecipa de maneira extraordinária o silêncio do Sábado Santo e parece ser mais uma vez o retrato do nosso momento histórico. Cristo dorme em um barco, abatida pela tempestade, está por afundar. O profeta Elias já havia ridicularizado uma vez os sacerdotes de Baal, que inutilmente invocavam em voz alta o seu deus, para que fizesse descer o fogo sobre o sacrifício, exortando-os a gritar mais forte, caso o seu deus estivesse dormindo. Mas Deus realmente não dorme? O escárnio do profeta não toca, no fim, também aos crentes do Deus de Israel, que viajam com ele em um barco que está prestes a afundar? Deus está dormindo enquanto as suas coisas estão por afundar, não é essa a experiência da nossa vida? A Igreja, a fé, não se assemelham a um pequeno barco que está prestes a afundar, que luta inutilmente contra as ondas e o vento, enquanto Deus está ausente?

Os discípulos gritam no desespero extremo e sacodem o Senhor para despertá-lo. Mas ele se mostra surpreso e reprova a sua pouca fé. Mas é diferente para nós? Quando a tempestade passar, perceberemos de quanta insensatez a nossa fé estava carregada. Porém, ó Senhor, não podemos deixar de te sacudir, Deus que estás no silêncio e dorme, e te gritar: 'Desperta-te, não vês que afundamos? Acorda e não deixa durar eternamente a escuridão do Sábado Santo, deixa cair um raio da tua Páscoa também sobre os nossos dias."

Era nesse "raio" de Páscoa que Bento XVI parecia pensar no dia 11 de fevereiro passado, neste início da Quaresma.

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