Porque o Patriarca de Constantinopla não quis dar a bênção ao Papa Francisco

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Por: André | 02 Dezembro 2014

Por que o patriarca de Constantinopla não quis dar a bênção ao Papa Francisco? Porque se todos puderam ver o incrível gesto do Bispo de Roma, no sábado, com a cabeça inclinada e pedindo a bênção, poucos foram aqueles que notaram que na realidade o Patriarca de Constantinopla “tocou” a cabeça, recusando-se a dar a bênção ao Papa para, finalmente, beijá-lo na cabeça, num gesto de afeto.

 
Fonte: http://bit.ly/1A8DJ3K  

A reportagem é de Isabelle de Gaulmyn e publicada no sítio do jornal católico francês La Croix, 01-12-2014. A tradução é de André Langer.

Um pedido inaudito

Foi por timidez? Relutância? Não. Sem dúvida nenhuma, o Patriarca Bartolomeu foi pego de surpresa com o pedido. Ele é inaudito: uma maneira para o sucessor de Roma, quase mil anos depois do grande cisma de 1054, significar que ele se recusa a colocar-se acima das outras Igrejas cristãs e de considerar que a Igreja católica sozinha detém a Verdade. Isso lembra o gesto imprevisto, em 1975, do Papa Paulo VI ajoelhando-se diante do metropolita Meliton, enviado do Patriarca Dimitrios, para beijar-lhe os pés.

A incompreensão do poderoso Patriarca de Moscou

Portanto, nesse sábado, 29 de novembro, o Patriarca Bartolomeu não hesitou por um segundo: não podia responder positivamente ao pedido da bênção. O gesto teria ido longe demais em relação aos outros patriarcas ortodoxos, mais hostis a Roma, e teria provocado especialmente a ira e a incompreensão do poderoso patriarca de Moscou. Já a condenação do conflito ucraniano, na declaração comum de Bartolomeu e Francisco, fez ranger os dentes do lado da capital russa...

Ruptura com a Dominus Iesus

Gesto inútil? Não, porque ele resume, por si só, a concepção de ecumenismo desenvolvido pelo Papa Francisco em um discurso fundamental, no domingo, durante a liturgia comum. Um texto que abre uma nova etapa no diálogo ecumênico, 14 anos após a declaração Dominus Iesus do cardeal Ratzinger.

Desejando acabar com uma aproximação estritamente teológica, o Papa Francisco definiu, com efeito, o que ele quis dizer com o primado de Pedro, ponto de tropeço entre a Igreja católica e as Igrejas ortodoxas, com duas palavras: nem submissão, nem absorção.

Nem submissão, nem absorção

Claramente, a Igreja católica não busca impor a jurisdição universal do Papa em todas as partes. Ela não quer mais absorver os ortodoxos, fazendo-os entrar na Igreja católica (uniatismo).

Em 2000, a Dominus Iesus, reconhecendo a Igreja católica como única Igreja que goza da plenitude da Salvação, feriu profundamente as “Igrejas irmãs” ortodoxas. Para o Papa Francisco, essas reservas não fazem sentido, e os obstáculos teológicos não devem entravar o retorno a uma plena comunhão: isso é possível no momento em que a confissão de fé for a mesma.

Igrejas nacionais e autocéfalas

Mas então, o que resta a fazer para chegar à comunhão e acabar com uma milenar separação entre o Ocidente e o Oriente? Que a Igreja ortodoxa esteja disposta a responder a este pedido. Esse não é o caso, uma vez que está, hoje, mergulhada em seus problemas nacionais, como mostra a deriva política da Igreja de Moscou, e dilacerada pelos conflitos entre as diferentes autocefalias de cada Igreja nacional. A recusa, discreta mas firme, do Patriarca Bartolomeu ao pedido de Francisco, não quis significar outra coisa.

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