''Deus consola sempre'': as palavras do Papa Francisco aos jesuítas coreanos

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17 Agosto 2014

Nessa sexta-feira, o Papa Francisco decidiu se encontrar com os jesuítas da Sogang University, de Seul. E o fez de surpresa, comunicando à comunidade apenas 24 horas antes. O papa entrou e foi acolhido por um grande aplauso. Todos se apresentaram um por um no fim, mas no início também por tipologia de atividades: os jovens em formação, depois os noviços e depois aqueles que lidam com o apostolado espiritual, o apostolado juvenil. Foi verdadeiramente uma grande festa.

A nota é do jesuíta italiano Antonio Spadaro, diretor da revista La Civiltà Cattolica, publicada no blog Cyberteologia, 15-08-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto

O papa desfrutou muito desse clima e, então, depois de algumas poucas palavras introdutórias de saudação, o papa falou. Falou de improviso, absolutamente de improviso, obviamente, e foi um discurso simples e poderoso, todo centrado em uma palavra – consolação – que, para nós, jesuítas, é uma palavra fundamental: a consolação espiritual. Ele disse que nós somos ministros de consolação, que às vezes na Igreja experimentam-se cansaço, às vezes feridas, às vezes as pessoas experimentam feridas também por parte de ministros da Igreja. E repetiu aquela expressão que ele tinha me comunicado na entrevista sobre a Igreja como um "hospital de campanha". Ele a repetiu, a confirmou. Essa é a sua visão da Igreja.

Assim, a tarefa para nós, jesuítas – mas eu diria, mais em geral, dos ministros do Evangelho, dos sacerdotes, dos religiosos –, é a de sermos pessoas de consolação, que dão paz às pessoas, que aliviam as feridas. E ele repetiu isso de vários modos e com acentos muito intensos, de que a transcrição não dá conta.

Ele não falou da sua visita em geral, mas se referiu a uma situação particular, porque, durante o encontro com os jovens em Solmoe, uma moça cambojana fez referência ao fato de que o seu país não tem um santo canonizado. Na realidade, há um mártir, o primeiro bispo, sobre cujas virtudes heroicas há um processo em andamento.

O papa ficou profundamente tocado pelo fato de uma moça tão jovem ter se feito uma pergunta desse tipo. Além disso, nós já vimos isso no encontro. Isso o tocou profundamente e ele o repetiu, porque havia um jesuíta coreano que vive no Camboja. Portanto, havia também jesuítas que vivem em outros lugares.

Aqui estão as palavras que o papa disse, de maneira totalmente simples e informal, que eu transcrevo a partir da gravação do seu discurso que eu fiz com o meu iPhone.

Eis o discurso.

Há uma palavra que me toca muito: consolação. Consolação: a presença de Deus em qualquer modalidade sua. O nosso Santo Padre Inácio sempre tenta confirmar a decisão da reforma de vida ou da eleição de um estado de vida através do segundo modo de "eleição": a consolação. Consolação é uma palavra bonita para quem a recebe. Mas é difícil dar consolação.

Quando eu leio o livro da Consolação do profeta Isaías, eu leio que é um trabalho próprio de Deus o de consolar, consolar o seu povo. Quando alguém vive um limite doloroso, se souber fazer isso com amor, torna-se uma semente de consolação para essa pessoa.

O povo de Deus precisa de consolação, precisa ser consolado, o consuelo. Eu acho que a Igreja é um hospital de campanha neste momento. O povo de Deus nos pede para ser consolado. Tantas feridas, tantas feridas que precisam de consolação... Devemos ouvir as palavras de Isaías: "Consolai, consolai o meu povo!".

Não há feridas que não possam ser consoladas pelo amor de Deus. Nós devemos viver desta maneira: buscando Jesus Cristo de modo a levar esse amor a consolar as feridas, a tratar das feridas.

Nesta noite, um grupo de jovens representou a parábola do filho pródigo. Ela representa bem qual é a atitude de Deus diante das nossas feridas.

Deus consola sempre, espera sempre, esquece sempre, perdoa sempre.

Há muitas feridas na Igreja. Feridas que muitas vezes provocamos nós mesmos, católicos praticantes e ministros da Igreja.

Não castiguem mais o povo de Deus! Consolem o povo de Deus! Muitas vezes, a nossa atitude clerical provoca o clericalismo, que faz tanto mal à Igreja. Ser sacerdote não dá o status de clérigos de Estado, mas de pastor. Por favor, sejam pastores e não clérigos de Estado. E quando estiverem no confessionário, lembrem-se de que Deus não se cansa nunca de perdoar. Sejam misericordiosos!

Agradeço muito a vocês!

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