A escalada de violência na Terra Santa. Entrevista com David Neuhaus

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Por: André | 15 Julho 2014

Após o assassinato de três jovens israelenses e um palestino, no dia 02 de julho, a tensão está no seu auge na região: o exército israelense parece prestes a desencadear um ataque contra o Hamas na Faixa de Gaza. Para o padre David Neuhaus, jesuíta e vigário patriarcal para a comunidade católica de fala hebraica em Israel, esta escalada da violência é um drama absurdo, um escândalo e um apelo.

A entrevista é de Jean-Claude Bésida e Duarte Mesquita da Cunha e publicada na revista francesa Famille Chretienne, 08-07-2014. A tradução é de André Langer.

Eis a entrevista.

Qual é o significado do que está acontecendo nesse momento em Israel?

Essas mortes de jovens são a expressão trágica do ciclo de violência em que vivemos. Infelizmente, a violência não parou com a morte dos três jovens israelenses ou as represálias que se seguiram.

Estes três jovens foram um ícone para o público israelense durante 18 dias. Sua imagem foi fortemente impressa no imaginário israelense e a descoberta dos cadáveres foi muito violenta. Eles são o terrível ícone da violência que já dura décadas. E, claro, eu enfatizo que essa violência não termina com sua morte, porque houve outras mortes depois.

Será que vai ter uma solução para esta guerra sem fim entre israelenses e palestinos?

Estou absolutamente convencido de que existem meio para sair dessa situação. Mas o problema que se coloca é a recusa desses meios. O discurso alimenta a violência. Nossos povos ainda não estão prontos para ouvir esse discurso (de paz), e, especialmente, os nossos líderes políticos, que alimentam um discurso da violência.

Tivemos a alegria de acolher o Papa Francisco há um mês, e ele destacou as alternativas. Nós não podemos viver constantemente num ciclo de violência. É uma escolha, uma escolha consciente que os nossos líderes políticos devem fazer.

Como você avalia as políticas?

Eu não tenho certeza de que eles estão cumprimento seu dever. Eles se encontram numa irresponsabilidade total. O problema é que seu discurso se baseia na divisão do mundo em um campo dos ímpios (os outros) e um campo dos santos (nós). É um cenário um pouco "hollywoodiano", escrito por nossas elites políticas. Cada qual acredita que a verdade está do seu lado. Cada qual tem a certeza de ser a vítima. Ora, eu acho que nós deveríamos estar prontos para ver a humanidade do outro. Quando encontramos a humanidade do outro, um tipo de discurso que demoniza o outro não é mais possível.

Nós tivemos, assim mesmo, alguns pequenos momentos de graça. Penso na reação de uma das mães, que teve impressionante coragem quando ouviu que um jovem palestino foi morto para vingar seu filho. Ela disse: “Tal ato é abominável: somos todos seres humanos”. Graças a Deus, é uma pequena luz.

É possível imaginar que um dia a paz seja possível na Terra Santa?

Nossa tarefa como homens de religião e, especialmente, para nós que fazemos parte da Igreja aqui é manter um discurso que não demoniza, mas procura a verdade da humanidade do outro. Graças a Deus, alguns falam essa linguagem. Por enquanto, eles continuam a ser uma pequena minoria, ao passo que o outro discurso, o da guerra, domina. Mas alguns são os guardiões de um discurso verdadeiro. Não se deve desesperar. Um dia as pessoas vão acordar. E então será possível manifestar a realidade da nossa terra.

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