Chegaram as notícias robóticas. As agências de notícias começam a utilizar robôs como redatores

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Por: André | 09 Julho 2014

Estamos acostumados a ver os robôs como meros brinquedos. Cada vez mais capazes, é verdade: alguns cozinham, outros servem como barman ou guia turístico em hotéis de luxo, ou dançam, sobem paredes, carregam todo o peso quando se vai a passeio pelo campo (de minas); mas, ao final, todos eles são brinquedinhos que estão se preparando para o futuro. No entanto, sua presença está aumentando de modo mais subterrâneo, especialmente em segmentos industriais, onde os robôs se dedicam há muito tempo às tarefas mais mecânicas, liberando os seres humanos dessa escravidão. Liberando-os também de seus salários, como diria o detetive Spooner.

 
Fonte: http://bit.ly/1znO24V  

A reportagem é de Rafael Claudín e publicada no sítio mexicano Sinembargo, 04-07-2014. A tradução é de André Langer.

Pois bem, também estão se adentrando em tarefas a priori mais criativas. Assim, de acordo com a Poynter, a agência Associated Press (AP) anunciou na semana passada suas intenções de deixar nas mãos de robôs boa parte dos artigos que produz. A AP contratou os serviços da Automated Insights, o que lhe permitirá multiplicar o número de peças que produz e, portanto, o dinheiro que ganha com elas. Segundo o editor-executivo Lou Ferrara, passarão a produzir 4.400 artigos com robôs em vez dos 300 artigos humanos por trimestre.

A nova mecânica, literalmente, de trabalho da agência começou este mês. Os robôs utilizarão dados proporcionados pela Zachs Investment Research e produzirão todas as peças de vulto. Em teoria, o novo sistema servirá para que os jornalistas, os humanos, possam dedicar-se a escrever reportagens de maior calado, deixando os artigos menos comprometidos aos seus companheiros robôs.

Uma moda na imprensa americana

A agência não é a primeira a passar à prática das notícias robóticas, como recorda PopSci. A Forbes utiliza um algoritmo da companhia Narrative Science para produzir boletins financeiros, particularmente sobre companhias que vão bem na Bolsa de Valores. O Los Angeles Times, pelo que parece, utiliza um sistema similar para dar notícias sobre terremotos e homicídios. Desconheço em que ponto está o Japão neste sentido, mas se nos Estados Unidos está tão avançado, no arquipélago nipônico deverão restar poucos jornalistas humanos.

 
Fonte: http://bit.ly/1znO24V  

A questão é a seguinte: o que vamos fazer com os milhares de jornalistas que anualmente saem das universidades? Serão como os psicólogos argentinos, transformados em camareiros com grandes dotes de conversação? A teoria é que poderão dedicar-se a escrever “de verdade”, embora tenham que fazê-lo para o jornal do bairro. Ou da comunidade de vizinhos. A prática, por outro lado, costuma ser muito mais dura que a teoria, de modo que não parece que tenham um futuro muito promissor.

Talvez não seja honesto criticar agora a fascinante robótica, porque, de repente, pode me afetar mais de perto. Pensemos na parte positiva desta medida. Parece que a principal tarefa, até agora, dos redatores robóticos são as notícias financeiras e esportivas. A quantidade de dados que estão à disposição robótica de forma imediata lhes dá uma bagagem que nós, claramente, não temos. Mas, além disso, pensemos, por exemplo, no estado atual do jornalismo esportivo espanhol. O sensacionalismo e a gritaria da última década não lhe caíram muito bem.

A ninguém escapa que cairia bem um pouco de sensatez robótica.

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