Vaticano sempre ficou do lado de padres nos casos de abuso, diz arcebispo

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27 Junho 2014

O arcebispo de Adelaide, na Austrália, disse que o Vaticano ativamente impediu que bispos tomassem medidas contra os padres abusadores durante a década de 1990 e disse ter levado em consideração o fato de recorrer ao papa ou até de renunciar à sua posição.

A reportagem é de Dan Box, publicada no jornal The Australian, 25-06-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Prestando depoimento no dia 25 de junho à Comissão Real para Respostas Institucionais ao Abuso Sexual de Crianças, Philip Wilson disse que a poderosa Congregação para o Clero do Vaticano "sempre ficou do lado dos padres" acusados de abuso sexual infantil.

"Houve um fenômeno em que os bispos, particularmente nos EUA, tentavam lidar com esses casos que envolviam abusos, e a Congregação para o Clero consistentemente dificultava as coisas para eles na tentativa de fazer isso", disse o arcebispo Wilson.

"A Congregação para o Clero sempre ficou do lado dos padres, e as instruções que ela dava aos bispos eram de que o que eles tinham feito devia ser posto de lado, e o padre devia ser autorizado a voltar para o ministério", disse ele.

A comissão está investigando o caso de um padre supostamente abusador, John Gerard Nestor, a quem o arcebispo Wilson impediu de trabalhar publicamente durante o seu cargo anterior como bispo da diocese de Wollongong, em Nova Gales do Sul.

O Pe. Nestor recorreu dessa decisão à Congregação para o Clero, que inicialmente derrubou-a, "devido à falta de conformidade, de procedimento, com as normas do Código de Direito Canônico".

Dom Wilson disse que esperava essa decisão, que levou dois anos para ser tomada, e que já tinha planejado apelar a uma autoridade superior dentro do Vaticano.

"Eu também estava preocupado com a ideia de que eu seria obrigado a restaurar o Pe. Nestor ao ministério, quando eu acreditava em consciência que fazer isso seria um risco para as crianças", disse o arcebispo Wilson à comissão.

"Como eu estava no dever de consciência nesse caso, eu levaria o assunto até o papa, se fosse preciso", disse.
 
"Eu me envolvi tão fortemente com esse assunto que, no caso improvável de que ele me obrigasse a restaurar o Pe. Nestor ao ministério, eu sabia que eu não seria capaz de fazer isso e, em consciência, não teria outra opção a não ser renunciar."

No fim, depois de outro processo de apelação que durou vários anos, o Vaticano revogou a sua própria decisão anterior, e o Pe. Nestor foi finalmente forçado a abandonar o sacerdócio.

 

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