Eliseo Verón, renovador da semiologia, morre na Argentina

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Por: André | 22 Abril 2014

Ex-professor de universidades francesas, o argentino Eliseo Verón morreu em Buenos Aires na manhã da terça-feira, 15 de abril, aos 78 anos, em decorrência de um câncer. Autor de cerca de 20 obras, foi um dos pioneiros nos estudos em comunicação, na França e na América Latina.

A reportagem está publicada no jornal francês Le Monde, 16-04-2014. A tradução é de André Langer.

Eliseo Verón nasceu em Buenos Aires no dia 12 de junho de 1935. Fez os estudos de filosofia na Universidade de Buenos Aires. Após a licenciatura (1961), obtém uma bolsa que lhe permite encontrar o laboratório de antropologia social do Collège de France, com Claude Lévi-Strauss. Discípulo desse último, Eliseo Verón traduz para o espanhol sua Antropologia Estrutural. Frequenta também o seminário de Roland Barthes na Escola Prática de Altos Estudos.

De volta à Argentina, Eliseo Verón ensina no Departamento de Sociologia da Universidade de Buenos Aires até a intervenção dos militares, que chegam ao poder com o golpe de Estado em 1976.

O jovem professor continua sua carreira universitária na França. É diretor de estudos associado na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais. Dirige o Departamento de Ciências da Informação e da Comunicação na Universidade de Paris 8, em Vincennes, depois em Saint-Denis, até 1995. Ensina também em Bayonne e em Bordeaux, sem, no entanto, perder o contato com o seu país: preside a Associação Argentina de Semiótica.

Suas obras tornam-se referências tanto de um lado como do outro do Atlântico, num momento em que semiólogos, sociólogos e antropólogos rivalizam para dar suas cartas de nobreza aos estudos sobre a comunicação. Assim, Construir o acontecimento (éditions de Minuit, Paris, 1981) investiga a cobertura da imprensa francesa do acidente da central nuclear de Harrisburg.

O discurso do peronismo

Sua tese intitulada La sémiosis sociale: Fragments d'une théorie de la discursivité (Presses Universitaires de Vincennes, 1988) é um clássico. Ele retorna a ela em sua última obra, A semiose social 2 (Paidos, Buenos Aires, 2013). Com Jean-Jacques Boutaud, publica Sémiotique ouverte: Itinéraires sémiotiques en communication (Lavoisier, Paris, 2007).

Eliseo Verón estava interessado na comunicação política, propondo especialmente uma análise histórica do discurso peronista, Perón ou morte: os fundamentos discursivos do fenômeno peronista, em colaboração com Silvia Sigal (Legasa, Buenos Aires, 1986). Ele não desdenhou a análise da “telenovela” nem a comunicação empresarial, prodigalizando seus conselhos a diversas marcas francesas.

Após sua aposentadoria em 1995, retornou à Argentina, onde continuou a ensinar e sobretudo a escrever muito. Na época do conflito entre o jornal Clarín e o governo Kirchner, ele assumiu a defesa do jornal. Contudo, ele criticava a pretensão de objetividade jornalística e encontrou qualidades no ex-presidente Néstor Kirchner. Isso não o impedia de pensar que “o peronismo figurasse entre as piores coisas que aconteceram à Argentina”.

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