"O seminário não é um refúgio de deficiências psicológicas ou um refúgio porque eu não tenho a coragem de seguir em frente na vida"

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16 Abril 2014

Às 12 horas dessa segunda-feira, na Sala Clementina do Palácio Apostólico, o Santo Padre Francisco recebeu em audiência a Comunidade do Pontifício Colégio Leoniano de Anagni.

O discurso foi publicado pelo jornal L'Osservatore Romano, 15-04-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Caros irmãos bispos, sacerdotes e seminaristas,

Saúdo todos vocês que formam a comunidade do Pontifício Colégio Leoniano de Anagni. Agradeço ao reitor pelas palavras que me dirigiu em nome de todos. Uma saudação especial a vocês, caros seminaristas, que quiseram vir a Roma a pé! Corajosos! Essa peregrinação é um símbolo muito bonito do caminho formativo de vocês, a ser percorrido com entusiasmo e perseverança, no amor de Cristo e na comunhão fraterna.

O "Leoniano", como seminário regional, oferece o seu serviço a algumas dioceses do Lácio. No rastro da tradição formativa, ele é chamado, no hoje da Igreja, a propor aos candidatos ao sacerdócio uma experiência capaz de transformar os seus projetos vocacionais em fecunda realidade apostólica. Como todo seminário, também o de vocês tem o objetivo de preparar os futuros ministros ordenados em um clima de oração, de estudo e de fraternidade. É essa atmosfera evangélica, essa vida plena do Espírito Santo e de humanidade que permite que aqueles que nela imergem se assimilem dia a dia os sentimentos de Jesus Cristo, o seu amor pelo Pai e pela Igreja, a sua dedicação sem reservas ao Povo de Deus.

Oração, estudo, fraternidade e também vida apostólica: são os quatro pilares da formação, que interagem. A vida espiritual, forte; a vida intelectual, séria; a vida comunitária e, no fim, a vida apostólica, mas não em ordem de importância. Todas as quatro são importantes. Se faltar uma, a formação não é boa. E essas quatro interagem. Quatro pilares, quatro dimensões sobre as quais um seminário deve viver.

Vocês, caros seminaristas, não estão se preparando para fazer um ofício, para se tornarem funcionários de uma empresa ou de um órgão burocrático. Temos muitos, muitos padres no meio do caminho. É uma dor que eles não tenham conseguido chegar à plenitude: eles têm algo dos funcionários, uma dimensão burocrática, e isso não faz bem à Igreja. Eu recomendo: estejam atentos para não cair nisso! Vocês estão se tornando pastores à imagem de Jesus, o Bom Pastor, para ser como Ele e na pessoa d'Ele no meio do seu rebanho, para apascentar as suas ovelhas.

Diante dessa vocação, nós podemos responder como Maria ao anjo: "Como isso é possível?" (cf. Lc 1, 34). Tornar-se "bons pastores" à imagem de Jesus é algo grande demais, e nós somos tão pequenos... É verdade! Eu pensava nestes dias na Missa Crismal da Quinta-feira Santa e senti isso, que com esse dom tão grande que nós recebemos, a nossa pequenez é forte: estamos entre os menores dos homens. É verdade, é grande demais, mas não é obra nossa! É obra do Espírito Santo, com a nossa cooperação.

Trata-se de oferecer a si mesmos, como argila a se moldar, para que o oleiro, que é Deus, a trabalhe com a água e o fogo, com a Palavra e o Espírito. Trata-se de entrar naquilo que São Paulo diz: "Não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim" (Gl 2, 20). Só assim é possível ser diáconos e presbíteros na Igreja, só assim se pode apascentar o povo de Deus e guiá-lo não pelos nossos caminhos, mas pelos caminhos de Jesus ou, melhor, pelo Caminho que é Jesus.

É verdade que, no início, nem sempre há uma total retidão de intenções. Mas eu ousaria dizer: é difícil que haja. Todos nós sempre tivemos essas pequenas coisas que não estavam em retidão de intenção, mas isso, com o tempo, se resolve, com a conversão de cada dia. Mas pensemos nos Apóstolos! Pensem em Tiago e João, que queriam se tornar, um, o primeiro-ministro e o outro, o ministro da economia, porque era mais importante.

Os Apóstolos ainda não tinham essa retidão, pensavam em outra coisa, e o Senhor, com tanta paciência, fez a correção da intenção, e, no fim, era tal a retidão da sua intenção que eles deram a vida na pregação e no martírio. Não se assustem! "Mas eu não tenho certeza se quero ser padre por promoção...". "Mas você ama Jesus?" "Sim." "Fale com o seu pai espiritual, fale com os seus formadores, reze, reze, reze, e você vai ver que a retidão da intenção seguirá em frente."

E esse caminho significa meditar todos os dias o Evangelho, para transmiti-lo com a vida e a pregação; significa experimentar a misericórdia de Deus no sacramento da Reconciliação. E nunca abandonar isso! Confessar-se, sempre! E assim vocês vão se tornar ministros generosos e misericordiosos, porque vão sentir a misericórdia de Deus sobre vocês.

Significa alimentar-se com fé e com amor da Eucaristia, para alimentar o povo cristão com ela; significa ser homens de oração, para se tornar voz de Cristo que louva o Pai e intercede continuamente pelos irmãos (cf. Hb 7, 25). A oração de intercessão, a que faziam aqueles grandes homens – Moisés, Abraão – que lutavam com Deus pelo povo, aquela oração corajosa diante de Deus.

Se vocês – mas eu digo isso do coração, sem ofender! – se vocês, se alguns de vocês não estão dispostos a seguir por esse caminho, com essas atitudes e essas experiências, é melhor que tenham a coragem de buscar outro caminho. Há muitos modos, na Igreja, para dar testemunho cristão, e muitos caminhos que levam à santidade.

No seguimento ministerial de Jesus, não há lugar para a mediocridade, aquela mediocridade que sempre leva a usar o santo povo de Deus em vantagem própria. Ai dos maus pastores que apascentam a si mesmos e não o rebanho! – exclamavam os profetas (cf. Ez 34, 1-6), com quanta força! E Agostinho toma essa frase profética no seu De Pastoribus, que eu recomendo que vocês leiam e meditem.

Mas ai dos maus pastores, porque o seminário, digamos a verdade, não é um refúgio para tantas limitações que possamos ter, um refúgio de deficiências psicológicas ou um refúgio porque eu não tenho a coragem de seguir em frente na vida e busco um lugar que me defenda. Não, não é isso.

Se o seminário de vocês fosse isso, ele se tornaria uma hipoteca para a Igreja! Não, o seminário é justamente para seguir em frente, em frente nesse caminho. E quando ouvimos os profetas dizerem "ai!", que esse "ai!" lhes faça refletir seriamente sobre o futuro de vocês.

Pio XI, uma vez, disse que era melhor perder uma vocação do que arriscar com um candidato inseguro. Ele era alpinista, conhecia essas coisas.

Caros amigos, obrigado pela visita de vocês. Agradeço-lhes por terem vindo a pé. Acompanho-os com a minha oração e a minha bênção, e os confio à Virgem, que é a Mãe. Nunca esqueçam-na! Os místicos russos diziam que, no momento das turbulências espirituais, é preciso se refugiar sob o manto da Santa Mãe de Deus. Nunca sair de lá! Cobertos com o manto. E, por favor, rezem por mim!

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