A supressão da Companhia de Jesus e as controvérsias teológicas

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27 Fevereiro 2014

De todas as oposições feitas aos jesuítas e entre aquelas que os levaram à supressão, talvez a mais prejudicial veio de dentro da Igreja. Uma precursora para esta rivalidade interna na Igreja foi a controvérsia “De Auxilis”, ocorrida no século XVI entre os jesuítas e os dominicanos. De certa forma a disputa jansenista ecoa esta controvérsia. O cerne da crise era a questão de como a graça divina operava com o livre-arbítrio humano, especialmente no que ela o ajuda, daí o nome “De Auxilis”. Os dominicanos diziam que os jesuítas cediam demais ao livre-arbítrio, e assim tendiam em direção ao pelagianismo. Por sua vez, os jesuítas reclamavam que os dominicanos não salvaguardavam suficientemente a liberdade humana, e pareciam consequentemente tender para o lado do calvinismo.

A nota foi publicada pelo sítio Jesuit Restoration, 22-02-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Em geral, pensa-se que a controvérsia começou no ano de 1581. O jesuíta Prudêncio de Montemayor defendia certas teses sobre a graça as quais foram, intensamente, atacadas pelo dominicano Domingo Baûez. A controvérsia continuou durante anos, passando por três fases: a de Lovaina (Bélgica), a da Espanha e a de Roma.

Em Lovaina, estava o famoso Michel Baius cujas proposições foram condenadas pela Igreja. O jesuíta (depois cardeal) Francisco de Toledo, autorizado pelo Papa Gregório XIII, obrigara Baius, em 1580, a se retratar de seus erros na presença de toda a universidade. Por isso Baius concebeu uma aversão profunda pelos jesuítas determinando-se por ter uma revanche.

Uma comissão foi estabelecida pelo Papa Clemente VIII para pôr fim à controvérsia teológica. Entre 1594 e 1597, 12 relatórios foram submetidos: pelas três universidades de Salamanca, Alcalç, e Sigüenza; por seis bispos (Miguel Salon) (frei agostiniano), Castro (Cânonigo de Toledo) e Luis Coloma, Superior Geral dos agostinianos em Valladolid. Clemente VIII ordenou aos Superiores dos dominicanos e dos jesuítas a comparecerem com alguns de seus teólogos diante da comissão, explicar suas doutrinas e aparar as diferenças. Em obediência a este comando ambos os superiores, no dia 22-02-1599, começaram, diante da comissão, a travar uma série de conferências que duraram o ano todo. Bellarmino, feito cardeal em março, foi admitido a participar nas sessões. Ocorreram 68 sessões ao todo (1602-1605).

Clemente VIII morreu em 05-03-1605, e após o breve reinado de Leão IX, Paulo V ascendeu ao trono papal. Em sua presença, 17 debates foram travados.

Por fim, depois de 20 anos de discussão pública e privada, e depois de 85 conferências na presença dos papas, a questão não foi resolvida, porém um fim foi dado às disputas. O decreto do papa, comunicado em 05-09-1607, tantos aos dominicanos quanto aos jesuítas permitiu a cada uma das partes defender sua própria doutrina, condenou-os por censurar ou condenar a opinião contrária, e ordenou-lhes a esperar, como filhos leais da Igreja, a decisão final da Sé Apostólica. No entanto, esta decisão não foi anunciada.

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