Na Itália, os pobres estão cada vez mais pobres

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Por: Caroline | 18 Fevereiro 2014

Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatísticas italiano (Istat), em 2012, o desemprego nacional atingia 10,7% da população e hoje supera os 11%. Nas regiões do sul, como a Calábria e Campânia, ele alcançou o índice de 19,3%.

A reportagem é de Elena Llorente, publicado por Página/12, 13-02-2014. A tradução é do Cepat.

Os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. As leis do mais bruto capitalismo parecem ter ganhado novo brilho na Itália, em decorrência da crise econômica que iniciou em 2009 e que, de acordo com as previsões mais otimistas do governo para este ano, não apresenta sinais de melhora. Segundo dados do Istat, em 2012 quase cinco milhões de pessoas viviam em condições de “pobreza absoluta” (no ano 2000 eram 2,9 milhões), sobretudo no sul da península. Aos índices fornecidos pelo Istat podem ser somados aos dados do banco central italiano, o Banco da Itália, que diz que 10% das famílias mais ricas possuíam, em 2012, quase a metade da riqueza total do país. Isso indica que o aumento da riqueza total líquida foi de 46,6% para os ricos (há dois anos a porcentagem era de 45,7%).

Não se trata apenas de um tedioso malabarismo numérico. Trata-se de seres humanos, de famílias com um ou dois filhos que não podem pagar a luz, os impostos, o aluguel, nem comprar o que necessitam para viver normalmente. Talvez porque um dos membros da família já não tenha mais emprego fixo ou talvez porque o pai ficou sem trabalho, aumentando a taxa de desemprego nacional, que já é por si mesma altíssima, pois supera o 11% do desemprego geral e os 36% para os jovens.

Colocando um pouco de lado os dados, deve-se lembrar da impressionante quantidade de suicídios que assombram a sociedade italiana, como o caso de um pai que matou seus filhos e depois se suicidou porque não sabia como mantê-los; ou um idoso que matou sua esposa e depois atirou contra si mesmo em decorrência das suas dificuldades econômicas; ou um aposentado que se matou porque perdeu sua casa para o governo; ou mesmo o caso de um pequeno empresário que se atirou do alto de um prédio porque não podia fazer o pagamento de seus funcionários.

O relatório do Istat intitulado “Nós Itália. Cem estatísticas para entender o país em que vivemos” informa que em 2012, cerca de 9,6 milhões de indivíduos viviam em condições de “pobreza relativa” (no ano 2000 eram 2,7 milhões), entendendo-se por isso que essa parcela da população vive com uma renda média inferior a média nacional, que deveria estar próxima a mil euros. A “pobreza absoluta” – que inclui aqueles que podem comprar apenas os bens e serviços alimentares inclusos na “cesta básica” e aqueles que não podem nem ao menos adquirir estes itens - atinge a 6,8% das famílias, o equivalente a 4,8 milhões de pessoas. O panorama mais desolador apresenta-se no sul do país, como aponta o Istat, onde a pobreza absoluta chega a 17,3% da população e a pobreza relativa alcança 19,9%. A situação mais grave é vivida pelas famílias residentes na Sicília, Apúlia, Calábria e Campânia onde praticamente um quarto delas está em situação de pobreza.

Entretanto há um dado curioso entre todos esses. Ao contrário do que se poderia imaginar ao visualizar o tradicional mapa italiano do norte rico e do sul mais pobre, a maior desigualdade na distribuição da riqueza está justamente na região do sul, na Campânia, mais especificamente na região de Nápoles, reino absoluto da máfia conhecida como Camorra. E ainda que o informe estatístico não entre nestas questões particulares, sabe-se que a Camorra vive principalmente do comércio de roupas e de objetos de luxo de marcas famosas falsificados, e também da extorsão dos comerciantes e empresários que atuam em seu território, além do tráfico de drogas, em especial da cocaína e o haxixe. E, para realizar este tipo de comércio, utiliza a mão de obra de jovens desempregados, que não vêm outra perspectiva e, principalmente, o trabalho de imigrantes africanos e asiáticos que não têm outra fonte de renda e que aceitam ganhar poucas moedas ao invés de voltar aos seus países de origem, onde viviam em piores circunstâncias. Por isto, é possível ver nas ruas de muitas cidades italianas, jovens negros que expõem em pedaços de pano estirados no chão, carteiras e bolsas de marcas famosas a preços acessíveis e que, ao verem algum carro da polícia, jogam tudo rapidamente em uma sacola e fogem. Os senhores que comandam este tráfico ganham milhões e, obviamente, não pagam impostos. Esta é, com certeza, uma das razões importantes da diferença abismal entre ricos e pobres na Campânia.

E a tudo isto, soma-se o altíssimo índice de desemprego que em 2012, a nível nacional, alcançou o índice de 10,7% (e que hoje supera os 11%) e em regiões do sul, como a Calábria e Campânia, alcançou o alarmante índice dos 19,3%. As mulheres, além disto, têm sido mais castigadas que os homens, principalmente as mais jovens, cujo desemprego atinge o 37,5%; 3,8% a mais que o desemprego juvenil masculino.

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