O dom doloroso dos Camilianos

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Por: Jonas | 16 Janeiro 2014

Os superiores dos religiosos camilianos estão reunidos em Roma para refletir sobre os últimos episódios que envolveram a direção da ordem em uma história feia, com o desejo de transparência sobre o ocorrido e de realizar a limpeza necessária, como quer o papa Francisco para a Igreja. E, sobretudo, para entender como proceder no futuro, em um contexto no qual a saúde tornou-se muito complicada, que requer muita consultoria externa, e no qual as circunstâncias mudaram muito. Sem descartar a possibilidade de rever a necessidade das estruturas da ordem.

A reportagem-entrevista é publicada pela Agência Zenit, 14-01-2014. A tradução é do Cepat.

Os fatos

“A ordem que há 400 anos se dirige aos enfermos, confiou a uma inquietante pessoa, Paolo Oliverio, a gestão da Ordem fundada por São Camilo de Lelis. Através de cúmplices da Guarda de Finança, que acabaram presos, Oliverio organizou um falso interrogatório de dois padres camilianos para tê-los longe do Capítulo Geral e, assim, evitar que votassem contra (a reeleição) do padre Salvatore”. Foi assim que, ontem, RAI 2 descreveu a situação, em um serviço. Segundo um artigo do jornal italiano Il Corriere della Sera, Oliverio era um colaborador dos serviços secretos que se colocou por conta própria para realizar seus negócios ilegais.

A agência Zenit conversou com o porta-voz dos Camilianos, o irmão Carlos Mangioni.

Vítimas de um administrador desonesto

“Nós somos vítimas totais desta pessoa porque desapareceram mais de dez milhões de euros”, disse o porta-voz. Além disso, porque causou “sofrimento no instituto e também uma desorientação”. Ao ponto que “alguns sacerdotes anciãos, ao ver o que dizia o telejornal, ficaram imóveis sem poder nem sequer se levantar da cadeira, foi um choque muito forte”, disse.

Desejo de transparência

“Nós desejamos saber a verdade e isso significa a limpeza que o papa Francisco” deseja, disse. “Desejamos que a verdade venha à luz e estamos prontos para retomar com um novo entusiasmo o caminho indicado por São Camilo e encarnado ao longo da história por tantas figuras iluminadas. Por quatro séculos vivemos assim e queremos continuar desse modo”.

A cúpula em Roma

“A Consulta geral, os superiores maiores e os delegados da Ordem dos ministros dos enfermos estão reunidos, desde domingo 12 até amanhã, quarta-feira, dia 15, para refletir sobre os eventos relacionados ao Superior Geral, o padre Renato Salvatore, e juntos e com coragem tomar as devidas medidas operativas”.

“Esperaremos até amanhã à tarde para saber as conclusões”, disse frei Carlos, e precisou que “ontem presidiu a reunião o padre Sebastiano Paciolla; hoje, dom José Rodriguez Carballo, e amanhã, quarta-feira, o cardeal João Braz de Aviz”, respectivamente, subsecretário, secretário e prefeito da Congregação para os Institutos Consagrados e as Sociedades de Vida Apostólica.

“Queremos saber a verdade e também o grau de responsabilidade do Padre Geral e claramente esta é uma ocasião preciosa para a ordem no que diz respeito a sua gestão futura”. Isso, disse, “porque Oliverio não é o único leigo que colabora com a ordem. Há centenas e centenas de leigos que colaboram como consultores”.

A necessidade de consultores externos no mundo atual da saúde

“Hoje a saúde é um mundo muito complicado. Nós não podemos saber de tudo. Por isso, acercamo-nos de leigos e consultores. Desta vez, aproximou-se de nós um consultor desonesto, que tinha conquistado a nossa confiança com poderes e autorizações para poder movimentar nossas contas”.

Paolo Oliverio tinha que recuperar 17 milhões de euros que a Região Campana deviam ao hospital de Casoria. Durante muitos anos, não conseguíamos destravar essa situação. Dirigimo-nos ao Padre Geral pedindo ajuda e ele nos enviou Paolo Oliverio. E Oliverio conseguiu resgatar esse dinheiro, e ficou em suas mãos todo esse dinheiro”.

Ou seja, esse dinheiro não foi para o Padre Superior? Perguntou-lhe na agência Zenit. “Não, Não. São dez milhões que terminaram em contas de outros países e há um pedido internacional para entender onde foram parar esses milhões”, respondeu o porta-voz.

Resultados do processo penal trará clareza

“Esperamos o resultado do processo, porque talvez o Padre Geral tenha sido muito simples, imprudente, mas não queremos processar ninguém.  Contudo, esperamos que surja um resultado judicial que traga clareza”.

Rever as estruturas da ordem?

“Estamos em 40 países do mundo e nunca tivemos casos desse tipo. Talvez este caso tenha ocorrido porque o mundo da saúde se tornou muito complexo, também para nossa preparação e isso nos leva a nos abrirmos para profissionais. Por outro lado, agora, talvez nós iremos precisar implantar uma sadia prudência e isto está sendo avaliado na reunião”.

“Talvez seja o momento – apontou o porta-voz – de rever as estruturas da Ordem. Nós nascemos há mais de 400 anos e até 100 anos atrás não tínhamos nenhuma estrutura própria. Por 300 anos a ordem trabalhou nos hospitais públicos, em nível domiciliar no território”.

O porta-voz recordou que “em 1900 inicia-se a primeira estrutura, a Casa de Cura São Camilo de Cremona, e a finalidade era dupla: permitir a nossos religiosos irmãos exercitar o ministério, porque os irmãos tinham dificuldade de trabalhar nas estruturas públicas. O outro objetivo era apoiar as missões através destas obras. Isto funcionou por uns 90 anos, hoje não funciona mais”.

A mudança na legislação econômica

O irmão Carlos reconheceu, entretanto, que nas missões serve dinheiro para construir, ainda que atualmente a problemática tenha mudado: “Quando se vai a uma terra de missão como Benim, na qual não há nada, é claro que as estruturas da ordem dos países ‘ricos’ sustentam estas missões. Só que hoje, pelas leis atuais, torna-se muito difícil manter as terras de missão, porque não se pode fazer transitar dinheiro de obras comerciais para obras não comerciais”.

No quarto centenário, um dom doloroso

“Esse problema, nós o tomamos como um dom doloroso em nosso quarto centenário, que nos permite ver tantas coisas, o governo da ordem, a autonomia de uma só pessoa em tomar decisões, etc. Com dor, mas com abertura para uma visão diferente de governo”. E concluiu que “com a cabeça alta, podemos dizer que a ordem, presente em quarenta países do mundo, sempre teve como único interesse o serviço ao enfermo”.

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