Quando os conservadores têm medo de acabar como Ottaviani

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21 Outubro 2014

"Esperamos não acabar como o cardeal Ottaviani!" O paralelo histórico nada auspicioso circulou nesse domingo entre os padres sinodais que também não gostam de ser chamados de conservadores nem de tradicionalistas ("Pode ser considerada como tradicionalista a Familiaris consortio de João Paulo II?").

A reportagem é de Maria Antonietta Calabrò, publicada no jornal Corriere della Sera, 20-10-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Isto é, justamente no dia seguinte à aprovação da Relatio Synodi, que marcou um indubitável sucesso deles, já que em três pontos cruciais aconteceu o que eles queriam. De fato, o documento final "rejeitou" a posição do cardeal Walter Kasper sobre o tema da comunhão aos divorciados em segunda união (em vista de futuros aprofundamentos) e, mais ainda, a notável "abertura" aos casais gays contida no esboço inicial.

Mas, apesar disso, o clima que se respirava nesse domingo na frente conservadora era um misto de satisfação e de preocupação. Acima de tudo, porque faltam um ano para o compromisso com o Sínodo que vai votar as orientações definitivas, e, em 12 meses, o grupo dos purpurados que se engajaram na batalha poderia se "dispersar".

E, segundo, porque o papa é como uma gota que fura a pedra: ele não desiste. O cardeal Ottaviani ocupava a posição que hoje tem o prefeito para a Doutrina da Fé, a vanguarda da frente "tradicionalista" no Sínodo, Gerhard Ludwig Müller.

Ottaviani era o líder do grupo "conservador" no tempo do Vaticano II (Coetus Internationalis Patrum), mas, no início de 1968, "perdeu", a sua guerra contra Paulo VI e teve que deixar a Cúria. Müller, nomeado por Bento XVI e editor da opera omnia de Ratzinger, poderia ser em breve nomeado arcebispo na Alemanha.

"É como se Obama tivesse perdido as eleições de meio de mandato", explica uma fonte de renome. "Agora, o Papa Francisco poderia pôr a mão no gabinete: a Cúria é para o papa, e não o papa para a Cúria". Mesmo o mais combativo dos conservadores atuais, Raymond Leo Burke, está prestes a deixar o cargo de prefeito do Supremo Tribunal da Signatura Apostólica. "Mas não vão me reduzir ao silêncio", confidenciou ele a amigos.

No fim da concelebração para Paulo VI, o pontífice recebeu o abraço de todos os cardeais, mas nem Müller nem Burke foram cumprimentá-lo. Bergoglio, ao contrário, encontrou-se pessoalmente nos últimos dias com o arcebispo de Bolonha, Carlo Caffara, um dos cinco autores do livro em que se desenvolvem teses contrárias às de Kasper.

O papa apreciou que, em uma entrevista de TV, para negar a "leitura" antipapista que lhe foi dada, Caffara disse: "Eu preferiria que se dissesse que o arcebispo de Bolonha tem um amante, em vez de um pensamento contrário ao do papa: nasci e morrerei papista".

Por fim, o cardeal sul-africano Fox Napier, arcebispo de Durban, que se engajou na batalha contra as uniões gays, mostra otimismo publicamente. Nesse domingo, ele tuitou: "Coincidência ou ato de Deus? No dia 18 de outubro (de 1964) os Mártires ugandeses foram canonizados pelo Beato Paulo VI! A causa do martírio? A questão ainda é objeto de debate na Uganda!".

A referência é ao fato de que alguns dos mártires se recusaram a consentir com os desejos homossexuais do rei, que ordenou, depois, a sua morte.

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