Filme de Pasolini nasceu depois de um encontro fracassado com Roncalli

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01 Setembro 2014

Não é só da amizade de Pier Paolo Pasolini com o padre Giovanni Rossi – fundador da associação Pro Civitate Christiana – que deriva e nasceu O Evangelho segundo São Mateus, mas também de São João XXIII. Ou, melhor: de um encontro fracassado de Pasolini com ele, o Papa Roncalli.

A reportagem é de Domenico Agasso Jr., publicada no sítio Vatican Insider, 30-08-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O relato é do cardeal Loris Francesco Capovilla – ex-secretário de João XXIII – em uma entrevista em vídeo realizada pelo Mons. Dario Edoardo Viganò, diretor do Centro Televisivo Vaticano, que foi exibida nesse domingo durante um congresso dedicado ao 50º aniversário da célebre obra do artista de Casarsa pela Mostra Internacional do Cinema de Veneza.  

Pasolini tinha uma admiração tão grande por João XXIII que lhe dedicou o filme à sua memória, mas, no dia 4 de outubro de 1962, preferiu não encontrá-lo. Eis como ocorreram os fatos.

Naquele dia, ele estava em Assis, como convidado da Cidadela, por ocasião de um debate sobre cinema. Ele deveria falar sobre o roteiro e as filmagens do seu Accattone, mas, à tarde, espalhou-se o boato de que o pontífice, em visita a Loreto, decidira de surpresa concluir o seu dia justamente ali, em Assis. Logo, as ruas se encheram de pessoas, e o congresso foi suspenso para permitir que todos pudessem prestar homenagem ao Papa Roncalli.

O padre Rossi e os outros sacerdotes perguntaram a Pasolini se ele queria se juntar a eles, mas ele recusou o convite e passou a tarde na sala que lhe havia sido disponibilizada pela associação da Umbria, lendo o primeiro livro que caiu em suas mãos: era o Evangelho segundo Mateus. Em cada sala da Cidadela havia uma edição dos Evangelhos, que começa justamente com o texto de Levi, o cobrador de impostos que se tornou seguidor de Jesus.

O padre Rossi e os outros padres voltaram no fim da noite. "Pier Paolo, espero que lhe agrade saber: quando o papa nos deu a sua bênção, pensamos em você", disse o padre Rossi ao retornar para a sede, depois do jantar.

"Obrigado. Na realidade, hoje, eu também pensei em vocês", respondeu Pasolini. "Vou fazer um filme sobre o Evangelho de Mateus. Decidi isso depois de ler, deitado na cama, o livrinho que eu encontrei na mesa de cabeceira. Mas vocês vão ter que me ajudar, eu não sou um crente. E também sou marxista", respondeu o poeta de Casarsa.

Capovilla explicou que não se tratava de uma frase de circunstância, mas de um pedido sincero: "Pasolini disse ao padre Andrea Carraro: 'Não quero fazer nada que possa ofender a fé de vocês', e por isso foi à Terra Santa".

"Ele aceitou – acrescenta Capovilla – todas as observações e os conselhos dos biblistas que ele tinha consultado."

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