Bergoglio promove o seu ''pequeno Francisco'' a arcebispo de Madri

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01 Setembro 2014

Uma Igreja menos envolvida em confrontos com a política, que organize menos marchas de defesa e promoção daqueles valores chamados inegociáveis cuja definição não agrada ao papa – "Eu nunca compreendi a expressão 'valores inegociáveis'. Os valores são valores, e ponto final. Não posso dizer que, entre os dedos de uma mão, haja um menos útil do que o outro", dissera ele ao Corriere della Sera em março passado – e seja mais ativo no fronte dos últimos. Essa é a missão que Francisco conferiu ao novo arcebispo de Madri, escolhido pessoalmente por ele, Dom Carlos Osoro Sierra, 69 anos, transferido da viva e muito florida diocese de Valência, que há anos vive um aumento das vocações e (em contraste com o resto do país) vê as igrejas encherem-se ano após ano.

A reportagem é de Matteo Matzuzzi, publicada no jornal Il Foglio, 30-08-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Osoro Sierra está nos antípodas do arcebispo cessante, o cardeal Antonio María Rouco Varela, nomeado há 20 anos por João Paulo II à frente da Igreja madrilenha, e porta-bandeira, na última década, das grandes batalhas contra o então primeiro-ministro, o socialista José Luis Rodríguez Zapatero.

O seu sucessor, ao invés, olha mais para as periferias sociais e existenciais, a ponto de ter sido definido no seu país – em tempos nada suspeitos – como o "pequeno Francisco", por uma sintonia quase total com a agenda do pontífice argentino.

Apreciado pelos seus dotes pastorais e administrativos, em março passado, foi eleito vice-presidente da Conferência Episcopal Espanhola, número dois de Dom Ricardo Blázquez Pérez, que havia derrubado justamente Rouco Varela da frente do órgão que reúne os bispos ibéricos.

Dada a idade do cardeal madrilenho (78 anos completados há poucos dias), há muito tempo se falava da sua substituição, e em dezembro passado os jogos pareciam feitos, a ponto que os informadíssimos meios de comunicação religiosos locais já davam por instalado o novo arcebispo em concomitância com a Epifania ou mesmo antes da Páscoa.

Depois, alguma coisa mudou, especialmente depois de uma audiência (inicialmente adiada devido a um mal-estar da época que tinha afetado Francisco) entre o papa e o cardeal Antonio Cañizares Llovera, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.

Ele era o favorito à cátedra episcopal da capital espanhola, até porque – destacavam alguns monsenhores acostumados aos assuntos da Cúria –, depois de ter sido primaz da Espanha e prefeito de Roma, voltando para casa, podia ser apenas Madri. Ao invés, Francisco escolheu de forma diferente: Cañizares volta, sim, à pátria, como desejava, mas a Valência.

O pedido de transferência apresentada pelo purpurado encontrava-se há muito tempo sobre a mesa do papa. Os bem informados lembram que, ainda em dezembro de 2008, quando Bento XVI chamou Cañizares propondo-lhe para presidir o dicastério que lida da liturgia e dos sacramentos, o prelado espanhol aceitara com a condição de que o mandato de cinco anos fosse único e não renovável. Isto é, um "pacto" para poder voltar para casa, uma vez que se esgotasse a tarefa de pôr ordem nos ritos segundo as diretrizes do pontífice hoje emérito.

A renúncia deste último e a substituição no sólio de São Pedro em 2013, depois, atrasaram os procedimentos. Contra a hipótese de nomear Cañizares para Madri, parece que também estava a constatação de que as relações entre ele e Rouco Varela não eram idílicas: com a nomeação do "pequeno Ratzinger" – assim é apelidado o já ex-prefeito do Culto Divino pela sua identidade de pontos de vista (quase) total em termos de liturgia com Bento XVI – teria sido abertamente repudiada a conduta do arcebispo cessante, que, não por acaso, apontava para o atual primaz da Espanha, Dom Braulio Rodríguez Plaza (que ficou sem púrpura no último consistório), ou ao bispo de Sevilha, Dom Juan José Asenjo Pelegrina, como possíveis sucessores chamados a receber o báculo das suas mãos.

Permanece vago, no entanto, o cargo de prefeito da Congregação para o Culto Divino. Há meses, fala-se, no âmbito da reforma da Cúria Romana (que ainda não verá a luz até meados de 2015), de uma possível fusão com a Congregação para as Causas dos Santos, hoje regida in prorogatio pelo cardeal Angelo Amato, que já superou os 75 anos de idade, limite canônico, mas não vinculante, para a aposentadoria.

Mais de um, até mesmo dentro da consulta especial dos nove purpurados que, há um ano e meio, estuda a nova estrutura de governo vaticano, propuseram que se voltasse à situação anterior a 1969, quando o Papa Paulo VI suprimiu a antiga Congregação dos Ritos – instituída por Sisto V em 1588 – que unificava justamente o Culto Divino e os Santos.

Repropor esse esquema também permitiria reduzir escritórios e – acima de tudo – púrpuras no Vaticano, enviando de volta bispos e sacerdotes para as dioceses. Não é de se excluir, além disso, que Francisco queira esperar pelo Sínodo Extraordinário sobre a família, programado para Roma em outubro próximo, que vai dizer muito sobre uma das funções próprias do dicastério dirigido até hoje pelo cardeal Cañizares, ou seja, sobre a disciplina dos sacramentos.

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