Legionários de Cristo, em crise e endividados, fecham oito centros educativos

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Por: André | 25 Março 2014

Os Legionários de Cristo reconhecem que se encontram “gravemente endividados”. Por esta razão fecharão centros vocacionais, juntarão administrações de seus territórios eclesiásticos e fecharão o centro econômico Integer, através do qual administravam seus bens.

A reportagem é de Eugenia Jiménez e publicada no jornal mexicano Milenio, 23-03-2014. A tradução é de André Langer.

No documento que resume análise feita no Capítulo Geral, evento de reestruturação que terminou em fevereiro, assinala que a dívida que os Legionários de Cristo tem “é administrável” com planos de amortização que foram sendo implementados.

Fechamento de centros

Reconheceram que a maior parte dessa dívida foi assumida para financiar a abertura e o desenvolvimento de obras educativas em Santiago (Chile), Córdoba (Argentina), Colfax (Califórnia) e Porto Alegre (Brasil).

Dois centros fechados são os noviciados de Dublin (Irlanda) e Cornwall (Canadá) e os outros são o Centro de Humanidades de Salamanca (Espanha) e o Centro de Estudos Superiores de Thornwood (Nova York).

De seus colégios, fundações, empresas, associações e universidades, a congregação recebia 2,3 bilhões de pesos ao ano em doações, e até dois anos atrás contava com um fundo de investimento em Luxemburgo.

Não obstante, explica o documento, nas últimas décadas as obras de apostolado tiveram uma expansão e um crescimento acelerado que “em muitos casos foi desordenado e desigual por falta de sistemas e procedimentos adequados, e por falta de investimentos em pessoal e recursos”.

O texto detalha que antes da expansão “não se previu uma diminuição das margens de operação das instituições educativas devido a um ambiente cada vez mais secularizado, a uma redução generalizada nas taxas de natalidade e a uma crescente oferta educativa de outras entidades, entre outras causas”.

Reestruturação do IEF

O delegado apostólico Velasio de Paolis, quando iniciou seu trabalho, questionou o trabalho do Grupo Integer Ethical Funds (IEF), que contava com um orçamento de um milhão e 250 mil euros destinado à promoção de colégios e universidades dos Legionários de Cristo.

Entre as tarefas do Grupo IEF estava o apoio às áreas de recursos humanos, informação financeira e arrecadação de fundos, mas alguns dos funcionários leigos recebiam salários de até 200.000 pesos mensais.

De Paolis qualificou o Grupo IEF de “estrutura corporativa emaranhada e rebuscada”, que opera à margem do direito canônico ao conceder uma autoridade ampla aos seculares, inclusive acima dos diretores territoriais dos Legionários de Cristo.

Por isso, na revisão financeira decidiram prescindir dos seculares que trabalhavam nesta organização.

Além disso, estabeleceram uma única autoridade reintegrando uma parte das equipes do Grupo Integer nos níveis geral, territorial e local, sobretudo com aqueles que são religiosos.

Unir administrações

Outra medida para superar sua crise econômica, causada em parte pelos escândalos do seu fundador Marcial Maciel, será reunir os territórios administrativos da Alemanha com a França e Atlanta com Nova York, assim como a separação do território da Itália dos centros de formação de Roma.

Diante da crise, os territórios estabeleceram nos últimos anos medidas de diminuição de gastos de operação, venda de imóveis e pós-graduação de projetos de investimento. “Falta-nos ainda potencializar mais a geração de outras fontes de ingressos que permitam a sustentação estável de nossas casas de formação e de apostolado”, admitiram os legionários em seu relatório.

Para evitar que se repetisse a perda de fundos econômicos, indicaram em seu documento conclusivo do Capítulo Geral que se prestaria particular atenção ao financiamento e sustentabilidade na hora de avaliar projetos, obras ou novos territórios ou comunidades.

Em 2011, já fecharam nos Estados Unidos a Universidade de Sacramento e o Colégio Apostólico Imaculada Conceição.

Fechamento e venda de imóveis na Espanha

Em 27 de janeiro de 2011, uma carta assinada por Jesús María Delgado, diretor territorial para a Espanha dos Legionários de Cristo, revelou a difícil situação econômica pela qual passava a congregação na Península Ibérica.

A carta assinalava que as equipes administrativas no continente europeu se centraram em otimizar recursos e processos gerenciais através de um projeto chamado “Centro de Serviços Compartilhados”, que inclui o “Plano de liberação de recursos” para vender os ativos imobiliários não utilizados nesse continente.

Nos últimos três meses foram vendidas seis propriedades na Espanha. Adicionalmente, dois colégios que funcionavam separados na zona norte de Madri – Moraleja e El Encinar – juntaram-se para operar no mesmo espaço.

O Seminário Menor de Valência juntou-se com o de Ontaneda-Cantábria, deixando livres suas instalações para onde, em setembro de 2012, se mudou o Colégio Cumbres que funcionava em um prédio no centro valenciano.

Também projetaram acondicionar as instalações do antigo seminário para receber os estudantes e permitir com isso a venda do prédio desalojado.

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