José Saramago na oração inter-religiosa desta semana

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13 Novembro 2015

Neste espaço se entrelaçam poesia e mística. Por meio de orações de mestres espirituais de diferentes religiões, mergulhamos no Mistério que é a absoluta transcendência e a absoluta proximidade. Este serviço é uma iniciativa feita em parceria com o Prof. Dr. Faustino Teixeira, teólogo, professor e pesquisador do PPG em Ciências da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora e com Paulo Sérgio Talarico, artista plástico de Juiz de Fora.

Quantos anos tenho?

Tenho a idade em que as coisas são vistas com mais calma,

mas com o interesse de seguir crescendo.

Tenho os anos em que os sonhos começam a acariciar com os dedos

e as ilusões se convertem em esperança.

Tenho os anos em que o amor, às vezes, é uma chama intensa,

ansiosa por consumir-se no fogo de uma paixão desejada.

E outras vezes é uma ressaca de paz, como o entardecer em uma praia.

Quantos anos tenho?

Não preciso de um número para marcar,

pois meus anseios alcançados, as lágrimas que derramei pelo caminho

ao ver minhas ilusões despedaçadas…

Valem muito mais que isso

O que importa se faço vinte, quarenta ou sessenta?!

O que importa é a idade que sinto.

Tenho os anos que necessito para viver livre e sem medos.

Para seguir sem temor pela trilha,

pois levo comigo a experiência adquirida e a força de meus anseios.

Quantos anos tenho? Isso a quem importa?

Tenho os anos necessários para perder o medo

e fazer o que quero e o que sinto.

José Saramago

José Saramago (1922 – 2010): Foi escritor, teatrólogo, jornalista, dramaturgo e poeta português. Por seus trabalhos recebeu o Nobel de Literatura de 1998, e foi agraciado, em 1995, com o Prêmio Camões, o mais importante prêmio literário da língua portuguesa. É o único escritor de língua portuguesa que já recebeu o Nobel de Literatura. É autor, entre outros, de Memorial do Convento (1982); O Evangelho segundo Jesus Cristo (1991); As Intermitências da Morte (2005); A Viagem do Elefante (2008); Caim, O Caderno e O Caderno II (2009); Claraboia (2011); e Alabardas, alabardas, Espingardas, espingardas (2014). Este último, não acabado, pois estava escrevendo no ano de sua morte.

*Fonte da imagem: prefaciocultural.wordpress.com

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