Cruz cubana dos migrantes é doada pelo papa a Lampedusa

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17 Dezembro 2015

Uma cruz feita de dois feixes de remos unidos, imagem do sofrimento dos tantos migrantes que viveram o drama da morte no mar. A obra foi doada ao papa no fim da sua visita a Cuba, em setembro passado, pelo presidente Raúl Castro. Por sua vez, Francisco presenteou o crucifixo para a arquidiocese de Agrigento, que, nessas últimas semanas, vai levá-lo em peregrinação até a paróquia de San Gerlando, em Lampedusa, onde encontrará colocação definitiva no dia 17 de janeiro. A obra é do artista cubano Alexis Leyva Machado, mais conhecido como Kcho.

A reportagem é de Francesco Gagliano, publicada no sítio da Radio Vaticana, 14-12-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"Eu sou uma criatura insular, nasci em uma ilha menor do que a de Cuba, a Isla de la Juventud, e essa é uma 'condenação' da minha vida. Eu trago o mar dentro de mim e sempre tive um pensamento especial pela viagem e pela imigração, em nível universal. É um tema extremamente delicado e, para mim, muito sensível, e ninguém jamais pensa nisso. Só Sua Santidade Francisco introduziu esse problema na agenda dos políticos. Ainda em 2011, eu tinha montado uma mostra na Bienal de Veneza sobre esse tema. Então, me senti coenvolvido pessoalmente quando o pontífice, dois anos depois, trouxe à atenção do mundo essa emergência."

Eis a entrevista.

Por que a viagem e a migração fascinam você? O que suscitam em você?

Sou fascinado pela viagem em todas as suas formas, física, espiritual, mental e até moral. Lembro-me de um dia de dois, três anos atrás. Eu estava em Milão, para a preparação de uma mostra e fiquei sabendo que tinha acontecido mais uma tragédia no mar em Lampedusa: no dia seguinte, nos jornais, na televisão, falava-se muito pouco disso. Todos davam mais importância às últimas novidades da moda, ao que acontecia na Via della Spiga. Ninguém falava disso. O único que o fez foi o papa. O meu trabalho, em todos esses anos, fala justamente sobre isso: a viagem, aquela que se é obrigado a fazer para salvar a vida e que, às vezes, custa a vida. Quando essas pessoas entram no mar, fazem isso para encontrar algo diferente, para buscar a paz, uma paz que nunca conheceram antes, porque perderam o trabalho, a família, os afetos, aquela segurança que todos nós desejamos. Então, eu acho que é importante falar disso, dar voz a essas pessoas, dar a conhecer ao mundo que também existe essa realidade, não só aquela que vivemos nas nossas cômodas existências.

Qual é a relação entre a sua arte e a religião?

A minha mãe e a minha avó eram muito religiosas. O meu pai se chama Ignacio de Loyola. Toda a minha família é profundamente fiel. Além disso, eu venho de um país, Cuba, de maioria católica. Eu não posso me definir como católico, mas, do meu jeito, eu me sinto religioso, aquela religiosidade cubana secular que foi introduzida com a Revolução, a atenção para com o próximo. Eu acredito que a religiosidade é muito importante e, acima de tudo, eu acredito que a humanidade, sem espiritualidade, não pode ir a lugar algum. Eu sempre pensei que Deus está em toda a parte, que se manifesta em todas as coisas e, especialmente, nas outras pessoas, no espírito dos homens, nas relações que se estabelecem entre os homens, para mim isso é muito importante. Quando Francisco disse que o mundo não pode se esquecer dos migrantes, especialmente porque eles são os filhos de Deus, eu me senti mais perto dele do que nunca. Por fim, eu acho que não importa qual é o Deus em que se crê, qual é a religião que seguimos. O importante é que nunca se deixe de mostrar atenção ao próximo: essa, para mim, é uma mensagem realmente importante. Como "criador", como artista, eu sinto que devo comunicar isso de todas as maneiras possíveis.

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