"Eu creio em um Jubileu feito para os últimos." Entrevista com Matteo Zuppi

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11 Dezembro 2015

No próximo sábado, Dom Matteo Zuppi, para todos simplesmente "Pe. Matteo", toma posse na sua nova diocese, Bolonha, na Itália. Aos 60 anos, ex-assistente eclesiástico da Comunidade de Santo Egídio e bispo auxiliar de Roma, padre de rua e incansável animador de iniciativas sociais em favor dos necessitados, Zuppi passou o dia da Imaculada entre os presos do presídio Regina Coeli.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada no jornal La Repubblica, 09-12-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Pe. Matteo, o que dizem os encarcerados sobre o Jubileu?

Eles vivem com uma grande expectativa. Eles compreenderam bem o que é a misericórdia. Para eles, o Jubileu é uma ocasião de reabilitação. Muitos têm uma ficha judiciária que deixa poucas esperanças. Eu falei para eles o que o papa disse, ao comparar as portas das celas deles à Porta Santa. Até mesmo as grades podem realmente se tornar experiência de libertação.

Além dos presos, você também esteve perto dos doentes.

Há pouco tempo estive em uma casa de família da Villa Glori, da Cáritas, desejada pelo Pe. Di Liegro. Lá, encontram-se pessoas para as quais a doença condiciona toda a vida. Mas a misericórdia é, para elas, experiência de cura.

Misericórdia é realmente o coração deste pontificado?

Sim, e é uma palavra que dá a entender, 50 anos depois do Concílio, como olhar para o mundo. A misericórdia é o que permite que o coração realmente mude.

Nessa terça-feira, Francisco lembrou outra porta, a que há 50 anos os Padres do Concílio Vaticano II escancararam ao mundo.

Todos os papas, de modos diversos, viveram o Concílio e as suas instruções. Lembro-me de cinco anos atrás, quando Bento XVI, na carta apostólica Porta Fidei, desejava que a temporada do Concílio revivesse em uma nova primavera. E, assim, hoje, Francisco nos restitui plenamente esse desejo. Tudo no rastro das palavras de Paulo VI, que recordou como o Concílio pediu que se olhasse para o mundo, para a humanidade, com simpatia.

No sábado, você entra na diocese de Bolonha. Com você, deseja que estejam presentes representantes de todas as religiões.

É um sinal de partilha necessário e, ao mesmo tempo, habitual para mim, no rastro da encíclica Laudato si', que exprime a preocupação de uma casa onde todos vivam sem concorrência nem inveja.

Que sinal você desejou dar ao optar por morar não no arcebispado, mas na casa do clero?

Eu sempre vivi junto com outros. Morar em uma casa onde vivem outros sacerdotes, para me, é uma oportunidade de debate em um caminho no qual eu sinto a necessidade de compartilhar.

Recentemente, foi relatado que o bispo de Ferrara, Luigi Negri, teria dito que faria você ver "o que é bom para a tosse"...

Negri me telefonou logo depois da publicação daquelas palavras. Ele me esclareceu e, na segunda-feira, na reunião da Conferência Episcopal, nós nos abraçamos.

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