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07 Dezembro 2015

Há dois anos, Yeb Sano, o principal negociador climático do governo filipino, rompeu em lágrimas em frente aos diplomatas do mundo em Varsóvia enquanto o tufão Haiyan assolava a sua cidade natal Tacloban, matando milhares de pessoas.

Ele chegou esta semana a Paris para a COP21 como um homem mudado. Não mais um diplomata de destaque, ele veio a pé depois de completar uma peregrinação de 58 dias, com um percurso de 1.500 quilômetros que se iniciou em Roma. Ele é agora assessor do arcebispo de Manila.

A reportagem é de John Vidal, publicada por The Guardian, 04-12-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

As políticas das alterações climáticas são limitadoras, segundo ele. “Fico feliz em não estar preso no lado de dentro das salas de negociações o tempo todo. Hoje, sinto fazer parte de uma luta mais ampla e posso dizer o que quero. Ninguém deve se iludir de que uma única conferência como esta vai mudar muita coisa. As verdadeiras mudanças vão acontecer nas comunidades. Na maioria dos países em desenvolvimento, as pessoas escutam os sacerdotes e as igrejas muito mais do que escutam os políticos e prefeitos”, declarou. 

Yeb Sano se juntou aos líderes religiosos de vários países em desenvolvimento num pedido para que os tomadores de decisão ajam não somente a partir de fundamentos científicos e políticos, mas também segundo razões morais.

Posto que 80% da população mundial frequenta uma igreja ou outra, os grupos religiosos encontram-se juntos a centenas de ONGs em campanhas pela ação durante as negociações do clima.

Na quinta-feira (3 de nov.), uma declaração assinada por 154 líderes religiosos de diferentes credos foi entregue à ONU. O texto convida os políticos a produzirem com um acordo robusto, após o que seguem-se frases do Papa Francisco, do Dalai Lama e de outros líderes religiosos (em particular, de líderes baha’is, budistas, cristãos, hindus, muçulmanos, judaicos, xintoístas e sikhistas).

“Os líderes políticos do mundo falam como pregadores. Que eles possam continuar como crentes”, disse Olav Fykse Tveit, secretário-geral do Conselho Mundial de Igrejas – CMI.

No começo desta semana, perguntaram a Francisco, em seu retorno da África, se a cúpula do clima em Paris poderia vencer a luta contra o aquecimento global. “Eu não tenho certeza, mas eu posso dizer para você que é agora ou nunca”, respondeu ele. “A cada ano os problemas ficam piores. Estamos no limite. Se eu puder usar uma palavra forte, eu diria que nós estamos no limite do suicídio”.

Estas suas palavras foram repetidas na quarta-feira por James Hansen, um dos cientistas atmosféricos mais destacados da área, coordenador do laboratório espacial Goddard, da Nasa, e que alertou o mundo para as alterações climáticas em audiências no Congresso americano em 1988. Convidado para ir a Paris por uma organização budista, ele falou: “Estamos no limiar de deixarmos para os nossos filhos um sistema climático fora do controle. Uma espécie está tomando conta do planeta e tem ameaçado entre um quarto e a metade das demais espécies. Isso é uma injustiça”.

Um novo estudo feito pelo Yale Project on Climate Change Communication, nos EUA, descobriu que, neste país, a encíclica sobre o meio ambiente emitida em junho pelo Papa Francisco transformou o debate em torno do tema. O estudo informa que mais americanos e mais americanos católicos estão, hoje, preocupados com o aquecimento global do que a seis meses atrás.

“Existem mudanças significativas depois que a encíclica ambiental Laudato Si’ foi publicada, e de novo depois que o Papa Francisco visitou os Estados Unidos em setembro. Mais católicos do que nunca consideram as mudanças climáticas como uma questão moral”, afirma o texto do estudo divulgado.

Dom Efraim Tendero, diretor filipino da Aliança Evangélica Mundial, quem está em Paris esta semana com a ONG religiosa britânica Tearfund, afirmou que o “efeito Francisco” está se fazendo presente. Segundo ele, a “Laudato Si’ ainda não tocou a todas as pessoas, mas os bispos e sacerdotes já compreenderam a sua mensagem. Ela agora está sendo distribuída nas dioceses e congregações”.

“As igrejas têm um alcance muito mais amplo e profundo junto às comunidades do que os políticos. As mudanças climáticas unem, de fato, as pessoas. Quando somos abatidos por um supertufão, ou quando temos nossas cidades inundadas, nos perguntamos: ‘Por que isso está acontecendo com a gente?’ Isso não é mais uma questão meramente política; é uma questão moral que une as pessoas. Estes problemas dão uma pauta comum a elas”.

A ONU e os grupos de diálogo reconhecem a necessidade de contar com o apoio dos grupos religiosos. “As comunidades religiosas são fundamentais para os esforços globais em abordar as alterações climáticas. Elas nos lembram das dimensões morais que este fenômeno possui bem como da nossa obrigação em cuidar tanto do meio ambiente como do próximo, do necessitado”, disse o secretário-geral da ONU Ban Ki-moon

Para Inger Andersen, diretor-geral da União Internacional para a Conservação da Natureza [e dos Recursos Naturais] – IUCN, as mudanças climáticas precisam ser vistas como uma questão moral e ética. “É uma questão de justiça. Estamos aqui com a esperança de ouvir um chamado unificado à ação junto de uma forte ênfase no cuidado do meio ambiente”, disse Andersen.

Martin Palmer, secretário-geral da Aliança das Religiões e Conservação, declarou que as religiões do mundo foram, em geral, ignoradas no debate sobre o clima e desenvolvimento – muito embora os seus grupos estão entre os que mais proporcionam o acesso à educação, saúde e cooperação no mundo.

“Esperamos que os líderes dos países, aqui em Paris, possam ir além dos estreitos interesses nacionais. Algo mais se faz necessário, caso quisermos seguir em frente”, disse.

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Líderes religiosos aumentam a pressão por ação contra o aquecimento global

 

John Vidal

The Guardian, 04-12-2015

Tradução de Isaque Gomes Correa

 

 

Há dois anos, Yeb Sano, o principal negociador climático do governo filipino, rompeu em lágrimas em frente aos diplomatas do mundo em Varsóvia enquanto o tufão Haiyan assolava a sua cidade natal Tacloban, matando milhares de pessoas.

Ele chegou esta semana a Paris para a COP21 como um homem mudado. Não mais um diplomata de destaque, ele veio a pé depois de completar uma peregrinação de 58 dias, com um percurso de 1.500 quilômetros que se iniciou em Roma. Ele é agora assessor do arcebispo de Manila.

As políticas das alterações climáticas são limitadoras, segundo ele. “Fico feliz em não estar preso no lado de dentro das salas de negociações o tempo todo. Hoje, sinto fazer parte de uma luta mais ampla e posso dizer o que quero. Ninguém deve se iludir de que uma única conferência como esta vai mudar muita coisa. As verdadeiras mudanças vão acontecer nas comunidades. Na maioria dos países em desenvolvimento, as pessoas escutam os sacerdotes e as igrejas muito mais do que escutam os políticos e prefeitos”, declarou.

Yeb Sano se juntou aos líderes religiosos de vários países em desenvolvimento num pedido para que os tomadores de decisão ajam não somente a partir de fundamentos científicos e políticos, mas também segundo razões morais.

Posto que 80% da população mundial frequenta uma igreja ou outra, os grupos religiosos encontram-se juntos a centenas de ONGs em campanhas pela ação durante as negociações do clima.

Na quinta-feira (3 de nov.), uma declaração assinada por 154 líderes religiosos de diferentes credos foi entregue à ONU. O texto convida os políticos a produzirem com um acordo robusto, após o que seguem-se frases do Papa Francisco, do Dalai Lama e de outros líderes religiosos (em particular, de líderes baha’is, budistas, cristãos, hindus, muçulmanos, judaicos, xintoístas e sikhistas).

“Os líderes políticos do mundo falam como pregadores. Que eles possam continuar como crentes”, disse Olav Fykse Tveit, secretário-geral do Conselho Mundial de Igrejas – CMI.

No começo desta semana, perguntaram a Francisco, em seu retorno da África, se a cúpula do clima em Paris poderia vencer a luta contra o aquecimento global. “Eu não tenho certeza, mas eu posso dizer para você que é agora ou nunca”, respondeu ele. “A cada ano os problemas ficam piores. Estamos no limite. Se eu puder usar uma palavra forte, eu diria que nós estamos no limite do suicídio”.

Eestas suas palavras foram repetidas na quarta-feira por James Hansen, um dos cientistas atmosféricos mais destacados da área, coordenador do laboratório espacial Goddard, da Nasa, e que alertou o mundo para as alterações climáticas em audiências no Congresso americano em 1988. Convidado para ir a Paris por uma organização budista, ele falou: “Estamos no limiar de deixarmos para os nossos filhos um sistema climático fora do controle. Uma espécie está tomando conta do planeta e tem ameaçado entre um quarto e a metade das demais espécies. Isso é uma injustiça”.

Um novo estudo feito pelo Yale Project on Climate Change Communication, nos EUA, descobriu que, neste país, a encíclica sobre o meio ambiente emitida em junho pelo Papa Francisco transformou o debate em torno do tema. O estudo informa que mais americanos e mais americanos católicos estão, hoje, preocupados com o aquecimento global do que a seis meses atrás.

“Existem mudanças significativas depois que a encíclica ambiental Laudato Si’ foi publicada, e de novo depois que o Papa Francisco visitou os Estados Unidos em setembro. Mais católicos do que nunca consideram as mudanças climáticas como uma questão moral”, afirma o texto do estudo divulgado.

Dom Efraim Tendero, diretor filipino da Aliança Evangélica Mundial, quem está em Paris esta semana com a ONG religiosa britânica Tearfund, afirmou que o “efeito Francisco” está se fazendo presente. Segundo ele, a “Laudato Si’ ainda não tocou a todas as pessoas, mas os bispos e sacerdotes já compreenderam a sua mensagem. Ela agora está sendo distribuída nas dioceses e congregações”.

“As igrejas têm um alcance muito mais amplo e profundo junto às comunidades do que os políticos. As mudanças climáticas unem, de fato, as pessoas. Quando somos abatidos por um supertufão, ou quando temos nossas cidades inundadas, nos perguntamos: ‘Por que isso está acontecendo com a gente?’ Isso não é mais uma questão meramente política; é uma questão moral que une as pessoas. Estes problemas dão uma pauta comum a elas”.

A ONU e os grupos de diálogo reconhecem a necessidade de contar com o apoio dos grupos religiosos. “As comunidades religiosas são fundamentais para os esforços globais em abordar as alterações climáticas. Elas nos lembram das dimensões morais que este fenômeno possui bem como da nossa obrigação em cuidar tanto do meio ambiente como do próximo, do necessitado”, disse o secretário-geral da ONU Ban Ki-moon.

Para Inger Andersen, diretor-geral da União Internacional para a Conservação da Natureza [e dos Recursos Naturais] – IUCN, as mudanças climáticas precisam ser vistas como uma questão moral e ética. “É uma questão de justiça. Estamos aqui com a esperança de ouvir um chamado unificado à ação junto de uma forte ênfase no cuidado do meio ambiente”, disse Andersen.

Martin Palmer, secretário-geral da Aliança das Religiões e Conservação, declarou que as religiões do mundo foram, em geral, ignoradas no debate sobre o clima e desenvolvimento – muito embora os seus grupos estão entre os que mais proporcionam o acesso à educação, saúde e cooperação no mundo.

“Esperamos que os líderes dos países, aqui em Paris, possam ir além dos estreitos interesses nacionais. Algo mais se faz necessário, caso quisermos seguir em frente”, disse.

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