Papa em Bangui: um gesto profético

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30 Novembro 2015

Uma Porta Santa totalmente africana. Gesto não só profético que foi feito pelo Papa Francisco nesse domingo, quando deu início praticamente ao Jubileu da Misericórdia, abrindo a Porta Santa na catedral de Bangui, capital da República Centro-Africana.

A reportagem é de Orazio La Rocca, publicada no jornal Trentino, 29-11-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Não importa se, de acordo com o programa da Santa Sé abençoado na época pelo próprio Bergoglio, o início oficial do Ano Santo será no próximo dia 8 de dezembro, quando o papa – transmitido ao vivo pelas televisões de todo o mundo –, no átrio da Basílica de São Pedro, atravessará a Porta Santa, dando lugar para o "atravessamento" penitencial que os peregrinos poderão fazer por 12 meses para ganhar a indulgência.

Cena sugestiva e simples ao mesmo tempo, que reforça o que foi feito pelos antecessores de Francisco todas as vezes em que inauguraram os 29 Anos Santos (25 ordinários e quatro extraordinários) até agora celebrados pela Igreja Católica, começando pelo primeiro, convocado em 1300 por Bonifácio VIII.

Com Bergoglio, porém, alguma coisa mudou, mesmo que não haja nenhuma dúvida de que o dia 8 de dezembro continuará sendo ainda a data do início oficial do ano jubilar proclamado pela Igreja-mãe da cristandade, a Basílica de São Pedro.

O Papa Francisco, sem tirar nada dos aspectos histórico-litúrgicos e do valor dos ritos jubilares que são iniciados no Vaticano, com a abertura da Porta Santa africana quis acrescentar um valor "a mais" no evento, que, de acordo com as previsões, deverá reunir mais de 30 milhões de peregrinos no caminho a Roma e ao Vaticano. Além dos outros milhões de viandantes jubilares que ganharão a indulgência atravessando as Portas Santas que todas as dioceses irão definir em nível local de acordo com o modelo do que foi sugerido pela primeira vez por João Paulo II durante o Grande Jubileu do ano 2000, mas que agora o Papa Francisco codificou na sua bula de convocação.

Milhões e milhões de peregrinos, a partir do próximo dia 8 de dezembro até a conclusão no próximo ano, vão se pôr em movimento para dar um sentido novo (ao menos se espera) às suas vidas em resposta às intenções com que o Papa Francisco quis moldar o seu primeiro Ano Santo, dedicando-o à misericórdia.

Simbolicamente, no entanto, tudo decola a partir da capital da República Centro-Africana. Um detalhe de grande importância histórica, que nos faz entender bem como o papa jesuíta está firmemente intencionado a guiar a Igreja olhando muito além dos muros vaticanos, para ir ao meio das pessoas, especialmente dos mais pobres e necessitados.

E o Jubileu da Misericórdia é a ocasião certa para fazer isso. Foi o próprio Papa Francisco que explicou isso no dia 1º de novembro passado, quando anunciou: "Vou abrir a primeira Porta Santa na Catedral de Bangui (...) para manifestar a proximidade de toda a Igreja a essa nação tão afligida e atormentada, e para exortar todos os centro-africanos a serem cada vez mais testemunhas de misericórdia e de reconciliação. Os dolorosos episódios desses últimos dias que endureceram a delicada situação da República Centro-Africana despertam na minha alma uma viva preocupação: eu apelo às partes envolvidas para que se dê um fim a esse ciclo de violências".

É por isso que o Papa Francisco abre a primeira Porta Santa na África: um gesto jubilar para se ganhar a indulgência, mas, principalmente, para indicar o caminho "da paz, da reconciliação, da misericórdia".

E os primeiros a compreender isso são justamente os missionários combonianos e os voluntários que ajudam os pobres de Bangui. Assim como jovens os da associação Amigos para a África Central, cujo vice-presidente, Pier Paolo Grisetti, vê na Porta Santa africana "um símbolo muito forte, porque a África Central, como lugar esquecido, torna-se, pela primeira vez, o centro do mundo e não só do mundo católico, mas do mundo em geral".

O Papa Francisco, acrescenta Grisetti, "escancara uma porta difícil, porque desvia a tenda do mundo para o sofrimento, tornando-o bem visível, estendendo a mão para aqueles que continuam não sendo ouvidos e que podem contar apenas com direitos humanos de série 'Z'...".

Com o Jubileu, portanto, é hora de mudar. Começando justamente pela África.

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