“Há jovens que se tornaram extremistas em nome da religião”, denuncia o Papa Francisco

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Por: André | 27 Novembro 2015

“O Deus que buscamos servir é um Deus de paz. Seu santo Nome não pode ser utilizado nunca para justificar o ódio e a violência”, disse o Papa Francisco na manhã desta quinta-feira ao se reunir, na Nunciatura de Nairóbi (onde está hospedado), com os líderes das diferentes confissões cristãs e demais religiões: ao lado dos cristãos evangélicos, metodistas, pentecostais e membros da African Island Church, estavam sentados os líderes das religiões tradicional animista e muçulmana. O Pontífice aproveitou a ocasião para insistir em sua condenação do abuso do nome de Deus para justificar o terrorismo.

A reportagem é de Andrea Tornielli e publicada por Vatican Insider, 26-11-2015. A tradução é de André Langer.

"Sei o quanto está vivo em vocês – disse Francisco – a recordação que deixaram os ataques bárbaros no centro comercial de Westgate (de Nairóbi), na Universidade de Garissa (leste) e em Mandera (nordeste). Com muita frequência, há jovens que se tornaram extremistas em nome da religião para semear a discórdia e o medo, e para destroçar o tecido da nossa sociedade. É muito importante que se reconheçam como profetas da paz, construtores de paz que convidam outros a viver em paz, harmonia e respeito mútuo. Que o Todo Poderoso toque o coração daqueles que cometem esta violência e conceda sua paz a nossas famílias e nossas comunidades”.

“Espero – explicou o Papa – que este tempo que passamos juntos seja um sinal da estima que a Igreja tem pelos seguidores de todas as religiões e reforce os laços de amizade que já nos unem”.

“Na realidade – acrescentou –, a nossa relação nos impõe desafios e interrogações. No entanto, o diálogo ecumênico e inter-religioso não é um luxo, não é um acréscimo ou algo opcional, mas é algo fundamental; é algo que o nosso mundo, ferido pelos conflitos e divisões, precisa ainda mais”. Francisco insistiu no fato de que as crenças religiosas e a maneira de praticá-las “influenciam no nosso modo de compreender o nosso próprio ser e o mundo que nos cerca”.

Elas “são para nós uma fonte de iluminação, sabedoria e solidariedade, que enriquece as sociedades nas quais vivemos. Zelando do crescimento espiritual de nossas comunidades, mediante a formação da inteligência e do coração nas verdades e nos valores que nossas tradições religiosas guardam, nos convertemos em uma bênção para as comunidades em que vivem os nossos povos. Em sociedades democráticas e pluralistas como a queniana, a cooperação entre os líderes religiosos e suas comunidades converte-se em um importante serviço para o bem comum”.

Neste sentido, concluiu, “vemos sempre com maior clareza a necessidade de uma mútua compreensão inter-religiosa, de amizade e colaboração para a defesa da dignidade outorgada por Deus a cada pessoa e cada povo, e o direito que têm de viver em liberdade e felicidade. Ao promover o respeito dessa dignidade e destes direitos, as religiões exercem um papel essencial na formação das consciências, infundindo nos jovens os profundos valores espirituais de nossas respectivas tradições, preparando bons cidadãos, capazes de impregnar a sociedade civil de honradez, integridade e uma visão de mundo que valorize a pessoa humana acima do poder e do benefício material”.

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